Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > BUSH & MÍDIA

O presidente, o mercado e o sensacionalismo

Por lgarcia em 31/07/2002 na edição 183

BUSH & MÍDIA

Os canais Fox News e MSNBC dividiram a tela para mostrar o último discurso sobre economia do presidente Bush e o movimento das ações nas bolsas de valores. Via-se a queda dos índices Dow Jones e Nasdaq enquanto Bush falava sobre restaurar a confiança do investidor.

O porta-voz da Casa Branca Ari Fleischer reclamou: a divisão da tela "distorceu e usou de forma sensacionalista" os indicadores da bolsa. "Sugeriu que há uma conexão causal entre o discurso do presidente e a mudança minuto a minuto dos mercados." A questão é: estes gráficos só aparecem quando as ações caem ou quando Bush está falando?", perguntou Fleischer.

O presidente da Fox News, Roger Ailes, concordou com o porta-voz, dizendo que preencher a tela com as setas em queda foi um erro. "Realmente passou uma impressão falsa. Não deveríamos ter feito isso. Se o mercado cai 400 pontos enquanto o presidente está falando não quer dizer que ele foi o responsável. Há muitos outros fatores." Já Mark Effron, vice-presidente da MSNBC, tem opinião diferente. "Quando o presidente está fazendo um discurso sobre Wall Street e economia faz sentido fazer isso. Não estávamos dando nenhuma declaração editorial."

Segundo Howard Kurtz [The Washington Post, 22/7/02], a CNN usou uma imagem da bolsa de Nova York que ofuscou a de Bush. "Entendo o ponto de vista deles [do governo]", diz Lou Dobbs, âncora do Moneyline, da CNN. "Acho que a Casa Branca deveria estar ciente do fato de que é esta a maneira como os editores e muitos telespectadores reagem quando o presidente se pronuncia durante a hora do mercado."

Em artigo para o New York Sun [19/7/02], Andrew Sullivan, editor sênior da New
Republic
, acusa o editor do New York Times, Howell Raines, de fazer campanha contra o presidente Bush. Segundo ele, Raines usa os recursos do jornal para se ocupar de um único assunto, e geralmente o faz com a editorialização das matérias (um exemplo disso seria o "excesso" de notícias sobre a Enron).

Recentemente, afirma Sullivan, Raines invocou pesquisa de opinião ? em que americanos dizem que o governo está mais interessado em proteger as grandes companhias do que pessoas comuns ? para legitimar seu ponto de vista. "Pesquisas são métodos tentadores de promover uma agenda política sob o pretexto do jornalismo objetivo. Elas funcionam bem porque dão aparência de conclusão empírica aos preconceitos de quem as arquiteta."

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