Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL MÉDICO

O protesto dos conservadores

Por lgarcia em 26/06/2002 na edição 178

PAI GAY

Apesar de receber 100 mil ligações e mensagens eletrônicas de protesto, o canal infantil Nickelodeon decidiu exibir nos EUA seu especial sobre crianças com pais homossexuais. Foram tantos e-mails que a emissora teve de criar um endereço exclusivo para a questão, a fim de evitar pane em seus computadores. Linda Ellerbee, que ganhou o prêmio Peabody por programa infantil em que explicava o escândalo de Bill Clinton e Monica Lewinsky, foi quem produziu a polêmica atração. Segundo a AP [17/6/02], ela disse que teve a idéia quando leu que "fag" (gíria equivalente a "bicha", em português) havia se tornado a expressão mais comum nos pátios das escolas dos Estados Unidos.

Entre os convidados do programa estão a atriz Rosie O?Donnel ? lésbica assumida ?, um bombeiro gay pai de três, um diretor de escola homossexual e o reverendo conservador Jerry Falwell, que usou um discurso conciliador na gravação, mas depois atacou a exibição. "A Nickelodeon deveria se abster de endossar estilos de vida que, em geral, não são aceitos pelo público americano", disse o sacerdote, que ainda lamentou que a emissora sentisse a necessidade de "doutrinar" as crianças para o homossexualismo.

O movimento contra a exibição foi encabeçado pela Coalizão pelos Valores Tradicionais, instituição sediada em Washington. Para sua presidente, Andrea Lafferty, a atração é um "disfarce para promover a homossexualidade entre crianças" e compromete a confiança dos pais na Nickelodeon. Ela esperava que ninguém quisesse anunciar no programa. O canal, no entanto, disse que a proposta sempre foi de não exibir comerciais com o especial, como já aconteceu com outros produzidos por Linda Ellerbee.

JORNAL MÉDICO

Poucos dias após o Journal of American Medical Association (Jama) ter publicado edição especial sobre o fracasso de jornais médicos em revelar adequadamente os conflitos de interesses que envolvem pesquisas divulgadas em suas páginas, o também tradicional New England Journal of Medicine anunciou que vai abrandar suas regras.

Conta Daniel Golden [Wall Street Journal, 13/6/02] que a política anterior proibia pesquisadores de avaliar medicamentos para a publicação se tivessem qualquer ligação financeira com o fabricante ou com os concorrentes. Agora, o jornal só impedirá de escrever aqueles que tiverem relações "significativas" com a indústria farmacêutica. Segundo o New England Journal, a mudança fará com que os médicos leitores fiquem mais informados sobre as novas drogas que chegam ao mercado e que foram estudadas apenas em testes financiados pelos fabricantes.

O editor Jeffrey Drazen lembra que o desenvolvimento do setor é amplamente controlado pela indústria, e a política de conflito de interesses impedia o veículo de avaliar uma grande quantidade de lançamentos já que não podia aceitar artigos de cientistas envolvidos nos testes. Embora reconheça o risco dos autores não serem objetivos, acha que de outra forma o público só poderia contar com informações dos próprios produtores.

Jerome Kassirer, editor do Journal de 1991 a 99, ataca a decisão. "É sempre possível encontrar alguém para escrever um excelente estudo ou artigo de opinião que não tenha conflito de interesse financeiro", argumenta.

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