Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

PRIMEIRAS EDIçõES > ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA

O que fazer em caso de mentira

Por lgarcia em 01/07/2003 na edição 231

ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA

Os EUA anunciaram que invadiriam o Iraque por causa das armas de destruição em massa que alegavam estar escondidas ali. Vencida a guerra, um "detalhe" permanece pendente: o motivo que a iniciou ainda não se mostrou real ? e pode jamais ser.

A constatação está trazendo dor de cabeça para a imprensa americana. "Eu realmente achava que fossem encontrar as coisas", disse Barton Gellman, redator do Washington Post. As "coisas" em questão são armas químicas, biológicas e nucleares. Reportando há mais de um mês no Iraque e no Kuwait, Gellman acompanhou a frustração de forças que voltaram de mãos vazias de todas as buscas.

Judith Miller, do concorrente The New York Times, fez o mesmo que Gellman. Desde então, o Times e o Post têm participado de uma espécie de duelo silencioso e obscuro pelas armas que não existem ? e pela credibilidade das insistentes declarações do presidente Bush quando a caminho da guerra.

Gellman reportou sobre a primeira força-tarefa americana que voltou sem encontrar nada, sobre a caçada que rendeu aspiradores de pó em vez de bombas perigosas, e sobre a falha de uma unidade do Exército de elite e secreta, chamada Força-Tarefa 20, em encontrar as tais armas. Enquanto isso, o jornalista Wanter Pincus escreveu em 22/6 que um documento interno do governo Bush levantava dúvidas sobre a ligação entre Iraque e a organização terrorista al-Qaeda, ao mesmo tempo em que, publicamente, o governo garantia a existência dessa ligação ao povo americano.

"Acho que o Post está mais interessado em dar continuidade à história", disse Jay Rosen, professor de jornalismo da Universidade de Nova York, sobre as armas de destruição em massa. É lógico, para Sridhar Pappu [New York Observer, 30/6/03], que o Times contribuiu para tornar o assunto ainda mais espinhoso. Principal prova disso é o polêmico artigo de Judith de 21/4, no qual a jornalista afirma, a partir do depoimento de um cientista de Saddam Hussein, que as armas do Iraque foram destruídas antes da guerra. A reportagem, no entanto, revela que Judith fez acordos com oficiais militares garantindo que não visitaria ou falaria diretamente com o cientista. Ela também concordou em submeter uma cópia do artigo para aprovação antes de ser publicado.

Andrew Rosenthal, subeditor-administrativo do Times, afirmou que a reportagem de 21/4 foi muito deturpada e que o jornal vinha cobrindo a questão das armas vigorosamente.

O Times também se empenhou em reportagens de impacto sobre outras áreas em que a credibilidade de Bush está abalada. Um artigo de James Risen, publicada em 8/6, por exemplo, fala dos dois principais líderes da al-Qaeda sob custódia que garantiram não ter ligações com o regime de Saddam.

Diferentemente de Judith, Gellman chegou à região do conflito apenas quando a maioria dos repórteres achou que já era hora de o Exército mostrar as recém-descobertas armas ilegais de Saddam ao mundo. "Para mim, é realmente um mistério o que houve com as armas escondidas e seus dispositivos de fabricação", disse Gellman.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem