Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > Nenhuma parece disposta a fazer aquilo que fazem todas as empresas de outros setores quando enrascadas: trocar promissórias por ações. Entregar o poder ou parte dele

O que fazer para sair do buraco

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

SOCORRO DO BNDES

Alberto Dines

Existem outras saídas para a mídia além da negociação com o BNDES?

Há um par de alternativas que requerem a mesma dose de coragem exigida para conversar com o governo federal. Todas passam pela disposição de abrir mão do controle acionário das empresas jornalísticas. No entanto, nenhuma delas parece disposta a trocar dívidas por parcelas de poder.

Esta é a questão.

A nova redação do artigo 222 permite que as empresas de comunicação possam capitalizar-se no mercado de capitais. Nada foi tentado nesse sentido.

Permite igualmente que uma empresa jornalística possa entregar 100% do seu capital a pessoas jurídicas. Também nada foi tentado nessa direção.

Permite que 30% do seu capital sejam entregues a investidores estrangeiros. A hipótese é aventada apenas como forma de pressão: governo e opinião pública não gostariam de assistir a alienação de parte da nossa mídia ao capital estrangeiro.

As principais empresas de comunicação do país estão comprometidas com enormes dívidas junto aos bancos. Algumas já estão inadimplentes, outras entraram na zona de perigo. Nenhuma parece disposta a fazer aquilo que fazem todas as empresas de outros setores quando enrascadas: trocar promissórias por ações. Entregar o poder ou parte dele.

É muito mais fácil recorrer ao Erário, sobretudo diante da ameaça da "desnacionalização" de um setor estratégico como a mídia. Antes de avançar no programa de financiamento do BNDES conviria examinar com a mesma devoção a venda de ações aos fundos de pensão ou aos bancos credores. Os perigos desta opção não diferem muito dos perigos atuais pois o "mercado" já impõe as suas regras e o interesse público não parece prioritário. O modelo de empresa familiar falhou em toda a linha. Está na hora de mudá-lo.

Mais importante do que o exame de outras op?es ? o debate p?blico. A forma reservada ? quase clandestina ? utilizada na semana passada para divulgar o in?cio do processo foi decepcionante. Quase desabonadora. Uma nota escondida nos cadernos de economia de ter?a, 30/9, no Estado de S.Paulo (p?g. B 9), O Globo (p?g. 26) e Folha de S.Paulo (p?g. B 4) n?o ? a maneira mais apropriada para anunciar uma negocia??o que pode ter profundas implica?es na estrutura da nossa m?dia e marcar o seu futuro.

A discussão aberta é uma exigência do processo democrático. É, sobretudo, uma forma inteligente de buscar opções e alternativas.

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