Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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O que Veja ganhou com isso?

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

VEJINHA E AS ESCOLAS

Arlete Rosas Augusto Laranja (*)

Senti-me atingida profundamente por este "ranking" publicado por Veja, no último fim-de-semana. É desolador ver crianças, jovens, famílias, professores, inconformados com a ausência do nome de nossa instituição naquela reportagem. Muitos se sentindo injustiçados, outros sentindo-se humilhados diante de vizinhos, amigos, familiares. Todos têm plena convicção que cursavam uma, entre as melhores escolas de São Paulo. Tinham muito orgulho do Colégio Augusto Laranja.

O estrago, o prejuízo causado no início do período de matrículas é irreparável para as instituições não ranqueadas pois não podemos deixar de reconhecer a penetração de Veja em todos os lares paulistanos.

Gostaria de sugerir a discussão da qualificação desta pesquisa e da credibilidade dos critérios adotados para a classificação das escolas no Observatório da Imprensa. Estou à disposição para maiores esclarecimentos sobre minha perplexidade e revolta com mais este abuso de poder da Imprensa, no caso Veja, sem medir as consequências para as milhares de escolas não citadas ou mal ranqueadas. Não só consequências econômicas como também morais e psicológicas. Pais e alunos se sentiram decepcionados, abatidos moralmente, humilhados: "A escola de seu filho não estava entre as 50 melhores…"

Queria discutir o que Veja ganhou com isso? Não poderia sugerir o que seria uma boa escola sem atingir, como um ato terrorista, destruindo a viabilidade de instituições sérias mas que pensam diferente dos elaboradores do questionário?

Aguardo um aceite para enviar e-mails de pais, recebidos pelo Colégio, com manifestações de apoio mas também com manifestações de decepcão, de revolta e um clamor profundo para que o Colégio vá à mídia esclarecer para o público (leia-se vizinhos, amigos do clube, primos…) por que o Colégio Augusto Laranja não consta do "ranking". O mal foi tamanho que muitas famílias, mesmo tendo seus filhos há 10, 13 anos estudando neste Colégio, mostravam-se abatidos, inseguros, envergonhados ? queriam ver o Colégio na lista, mesmo que fosse no 50? lugar. Daí a barbaridade feita por essa reportagem. O orgulho de cada um foi ferido.

E os professores e funcionários das escolas não citadas? Imagine o abatimento ao sentirem o não reconhecimento da qualidade de seu trabalho.

Os jornalistas precisam ser mais humanos e menos comerciais, penso. São Paulo, 4 de outubro de 2001

(*) Diretora Geral do Colégio Augusto Laranja, São Paulo (SP)

 

Fomos surpreendidos, a Direção e os Professores deste Colégio, com a matéria da revista Veja São Paulo, "As 50 Melhores Escolas da Cidade", já que, em nenhum momento fomos procurados pelo Instituto Ipsos Marplan para responder ao questionário da pesquisa. Infelizmente, por essa razão, não participamos dela.

Entristece-nos o fato de que, a conceituada revista fêz um ranking das "Melhores Escolas", sem ouvir Colégios como o nosso, com propostas pedagógico-educacionais sérias e competentes.

Lamentamos profundamente o ocorrido, sobretudo porque atinge diretamente nossos alunos, o bem maior da educação. Entendemos que a escolha de uma Escola exige muito mais que a consulta de uma pesquisa. Entretanto, sentimos que os senhores – assim como nós – ficaram abalados com tal publicação.

Como sempre, transparentes que somos, gostaríamos de divulgar o que fizemos diante do fato:

Enviamos à Veja São Paulo um e-mail assinado pela Direção e outro assinado pelos Professores registrando o fato de não termos sido solicitados para a pesquisa;

Contactamos Diretores de outras Escolas, que sofreram o mesmo tipo de discriminação;

Assinaremos todo instrumento jurídico visando que a revista se retrate;

Dispomo-nos ? tanto a Direção quanto os professores ? a reagir fortemente a qualquer boato, publicação ou mal entendido que desfavoreça o Colégio.

Somos educadores, trabalhamos com crianças e jovens; logo, temos que preservá-los de tudo que possa desmerecer ou desabonar a Escola que freqüentam.

Por mais que façamos, porém, dificilmente se diminuirão as conseqüências nocivas do impacto do primeiro momento. Mas também nada diminuirá a nossa determinação de continuar trabalhando pela educação dos nossos alunos, como sempre fizemos.

Por último, agradecemos aos pais que nos procuram para hipotecar solidariedade e reforçar a confiança que têm no Colégio. São Paulo, 03 de outubro de 2001. Atenciosamente, Therezinha Pugliese, diretora pedagógica; Maria da Conceição Corrêa Pinto, diretora geral; Nilza Assumpção Veronesi, diretora administrativa

    
    
              

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