Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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O recado da estudante

Por lgarcia em 12/09/2001 na edição 138

CURSOS DE COMUNICAÇÃO

Ângelo de Souza (*)

Li (e reli) com preocupação o texto de Amanda Menger ["Comunicação sem comunicação", ver remissão abaixo], que se declara estudante de Jornalismo da Unisul em Tubarão, SC. Pelo que entendi, ela reclama da falta de intercâmbio entre as faculdades de Comunicação, da necessidade de mais atividades práticas durante os cursos, e dos conteúdos destes.

A certa altura, para justificar seu ponto de vista ? que é o da esmagadora maioria dos seus colegas pelo Brasil ?, Amanda defende que "o estudante precisa ter contato com as situações do dia-a-dia para saber se o que está tendo em aula é válido ou não". Afinal, ela lembra, "não se pode fazer estágio na área".

Certo, Amanda. Não existe estágio em Jornalismo. O que há é pouco mais do que exploração de mão-de-obra barata e descartável. E maleável: o estudante se afasta da escola, e, desistindo de refletir sobre o jornalismo, acomoda-se em criticar a formação que ela pode lhe dar.

Qual seria, então, o "conhecimento necessário para atuar bem no mercado", do qual a estudante catarinense afirma que nem 10% a universidade provê ? Sim, porque, embora adepta da construção do conhecimento pela prática, Amanda também espera que a escola seja capaz de lhe repassar algum saber, de preferência um saber "válido".

Mas "válido" segundo quais critérios?

Estamos diante de uma mentalidade do tipo "refeição rápida": como se formar para atuar numa profissão, como se a responsabilidade que tem o jornalismo pudesse se comparar a um "lanche feliz" ? o ato de abastecer-se das calorias suficientes e necessárias para enfrentar as "situações do dia-a-dia".

É a mentalidade de uma época. Tudo se resume em consumir e deixar-se consumir. O que não serve ao "mercado" é duvidoso ou inútil. "É fato" que quatro ou mais anos de nossas vidas são tomados por 90% de baboseiras, que os cursos de Jornalismo mal se comunicam entre si.

Redação de vestibular

Será, Amanda, que você precisa mesmo pensar assim? Como fui seu paciente leitor, peço que me dê atenção.

Muitos estudantes desejam ou precisam trabalhar para ganhar seu dinheirinho. Enquanto não se formam, gostaria de sugerir-lhes as ocupações triviais do comércio, da indústria, dos serviços. Acreditem: elas têm muito a ensinar sobre a matéria-prima do bom jornalismo, que é a vida real ? muito mais do que os usos e costumes da imprensa cotidiana, vista de dentro por olhos ainda não de todo maduros, quando não sinceramente deslumbrados.

Já os que têm ânsia de manipular os códigos da comunicação de massa, de entreter-se com as engenhocas da era tecnológica, de projetar-se no circo das vaidades, penso que, antes de rejeitar o que a academia lhes impõe deveriam ao menos aprender a escrever em português.

Nenhum luxo: nível de redação de vestibular. Usar adequadamente pontos e vírgulas; distribuir idéias de modo coerente; digitar com calma; fazer a revisão do texto, além de serem habilidades úteis, podem até ajudar a aliviar a ansiedade. E a todos os acadêmicos ? estudantes e professores ? fica o alerta da Amanda: comuniquem-se mais. A verdade pode estar lá fora, como no seriado, mas para entendê-la é preciso antes saber o que se passa dentro da(s) universidade(s). Muitos não estão nem aí. E todos saem perdendo com isso.

(*) Jornalista de Belém do Pará <angelodesouza@aol.com>


Comunicannabis
? Victor Gentilli

    
    
                     

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