Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1060
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O sentido do ataque

Por lgarcia em 19/09/2001 na edição 139

LÁ E CÁ

Telma Domingues da Silva (*)

Um acontecimento como o que se deu na terça-feira (11/9) nos EUA traz aquilo com que não queremos nunca nos deparar: a instabilidade de sentido. A mídia trabalha contra essa instabilidade e procura nos "localizar". Um avião bateu numa das torres do World Trade Center em Nova York… um destroço desse avião atingiu a outra torre… não, foi um outro avião… Como compreender esse fragmento que nos é mostrado pela televisão?

A imagem muda: não foi "só" isso, foram 8 aviões seqüestrados nos EUA ao mesmo tempo. Um outro caiu sobre o Pentágono, outro sobre o Capitólio… Não, sobre o Capitólio, não. Mas um outro avião foi abatido sobre a Pensilvânia… A posição oficial dos EUA aparece: o avião sobre a Pensilvânia não foi abatido, ele "caiu". E os outros 4 "sumiram".

Podemos arriscar mais, em direção a uma dimensão do todo?

Terrorismo ou guerra? Terceira Guerra, terroristas árabes, muçulmanos, Palestina, Afeganistão, Yasser Arafat, Osama bin Laden… De onde partiu tal ataque? Para onde ele vai levar? A instabilidade e o real inevitável: os EUA foram atingidos. E isso muda a História.

O que foi atingido nos EUA? O Pentágono, símbolo do poder militar, o World Trade Center, símbolo do poder econômico. E isso é histórico. Como isso pôde acontecer? Oito aviões seqüestrados! Os americanos não compreendem. Esquecem a História, esquecem a intervenção americana, a produção de armas, o financiamento da guerra no Afeganistão, a posição intransigente nos acordos internacionais… Entrevistados nas ruas, em Nova Yord, afirmam que "não pensavam que os EUA fossem tão vulneráveis". E aí se mostra a mudança e o que eles perderam como americanos.

Antes do ataque, no imaginário desse país tão poderoso, os americanos pensavam que sim eram invulneráveis! O acontecimento pode lhes mostrar que também fazem parte da História. Mesmo na posição de domínio, ela também lhes toca, atinge… O terror diante disso: não estamos mais seguros.

Daqui, do "resto do mundo", também sustentamos esse sentido do poder americano como representativo de uma segurança das relações históricas, pautadas na garantia da democracia e do sistema. E sobretudo a nós, moradores de Campinas (SP), que perdemos também o nosso prefeito, assassinado do dia anterior, as coisas se mostram fora de controle. Do lado de dentro e do lado de fora, as relações são as mesmas.

Daqui, do "resto do mundo", talvez possamos não apenas torcer, mas também agir para que o sentido dessa perda ainda se mantenha ? e não seja rapidamente tapado na segurança dos aeroportos, na blindagem das cabines, na retaliação do inimigo da "democracia".

(*) Lingüista

    
    
                     
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