Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > NARRATIVA E COTIDIANO

O tecido da contemporaneidade

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

NARRATIVA E COTIDIANO

A arte de tecer o presente ? narrativa e cotidiano, de Cremilda Medina, 156 pp., Summus Editorial, São Paulo, 2003; R$ 25,80


[do release da editora]

A partir de quatro décadas de experiência profissional e acadêmica, a autora ? que faz um laboratório constante de narrativas do presente junto a seus alunos de Comunicação Social na Universidade de São Paulo ? apresenta sua própria prática de narrativa. São resultados prático-teóricos e reflexões sobre o educar e o comunicar-se.

A arte de tecer o presente ? narrativa e cotidiano tem como ponto de partida um trabalho com o mesmo título publicado anos atrás, escrito em parceria com o jornalista Paulo Roberto Leandro, que assina o posfácio do livro. Com uma proposta atual, Cremilda mostra com é possível construir uma narração objetiva por meio de experiências pessoais e reflexões extraídas de histórias do cotidiano.

A autora elege o cotidiano da experiência humana como o principal eixo de uma nova forma de narrar, que valorize os protagonistas sociais ? sobretudo os anônimos ? na construção da cidadania. "Enquanto os cursos ensinam técnica de redação, eu, na realidade, estou construindo uma outra proposta, que é o que chamo de narrativa da contemporaneidade", explica Cremilda, que define, ainda, a narrativa como a organização do caos.

A arte de tecer o presente ? narrativa e cotidiano começa com uma história humana vivida em Higienópolis, bairro paulistano onde Cremilda mora. E é dentro desse contexto que, ao longo do livro, ela navega em uma pesquisa sobre o bairro e revela aspectos do cotidiano local e seus personagens, alternando suas experiências práticas e reflexões teóricas. A autora opta por desvencilhar-se de preocupações formais de redação, forma do texto e exigências. Trata-se da relação de Cremilda com o mundo contemporâneo e os suportes de pesquisa e experimentação que essa narrativa procura mostrar. "O que mais prezo é ser uma repórter do meu tempo. Os textos nos são dados pelas pessoas e situações que descobrimos", diz.

A autora

Jornalista, pesquisadora e professora de Comunicação Social, nasceu em Portugal e saiu do Porto em 1953 para se radicar no Brasil. Costuma definir sua trajetória, da infância à experiência de adolescência e vida adulta, em Porto Alegre e, após 1971, em São Paulo, como uma busca de identidade em terras banhadas pelo sol. Aí se enraizou sua profissionalização.Atua, desde os anos de 1960, quando se formou em Jornalismo e em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em duas frentes ? Comunicação Social e pesquisa acadêmica.

Atualmente é professora titular da Universidade de São Paulo, onde fez mestrado (1975), doutorado (1986), livre-docência (1989) e obteve a titularidade (1993). Iniciou suas atividades jornalísticas e editoriais em Porto Alegre, na Editora Globo. Em São Paulo trabalhou em vários órgãos de imprensa, bem como em telejornalismo. No Estado de S. Paulo (1975-1985) foi editora de artes e cultura. Autora de dez livros sobre Comunicação Social e literatura de língua portuguesa, organizou também várias antologias ensaísticas sobre temas da atualidade. Como pesquisadora da USP, coordena um projeto de livro-reportagem ? São Paulo de perfil ? que está na 25? edição e aborda a identidade cultural e comportamentos da grande cidade. Na pós-graduação, coordena outro projeto integrado de pesquisa, com caráter interdisciplinar ? Projeto Plural ? que já editou sete documentos na série "Novo pacto da ciência: a crise de paradigmas".

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