Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > PROFISSÃO PÚBLICA

O telefone da casa do repórter

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

PROFISSÃO PÚBLICA

"Você tem uma chamada a cobrar de Willie Horton, da Instituição Correcional do Estado de Maryland." O coração da mulher do colunista Allan Wolper, da Editor & Publisher, parou. Ela sabia que quem ligava era um assassino e estuprador, estrela de um comercial que destruiu a campanha presidencial de 1988 de Michael Dukakis.

De acordo com Allan Wolper [Editor & Publisher, 14/8/01], não é o tipo de pessoa a quem uma mulher ? ainda mais jornalista ? daria o número de seu telefone. Mas reportagem é reportagem. "Ela entrevistou Horton devido a sua vida de criminoso célebre e me puniu por dar o telefone de nossa casa a mais um assassino", diz Wolper. "Minha mulher acha que jornalistas merecem um santuário privado. E o mesmo acham repórteres que analisam comportamento criminal", escreve. Mas os telefones dos repórteres continuam à disposição.

Fontes de informações confidenciais gostam da idéia de poder contatar um repórter em casa, longe dos dispositivos eletrônicos celebrados pelo Grande Irmão, como grampos telefônicos. Os jornais estão cheios de linhas sobre fontes não-encontradas. Mas é raríssimo se ver um jornalista que não foi encontrado por ter desligado o celular ou por não ter seu número na lista telefônica.

Pesquisa recente revelou que editores de jornais estão cada vez mais publicando números de telefone e e-mails de seus repórteres. Não é suficiente. Secretárias eletrônicas e caixas de e-mail enchem. Leitores precisam falar com as próprias pessoas. "Acho que repórteres devem não apenas dar o número do telefone de suas casas, como também morar na comunidade sobre a qual escrevem", disse Chris Peck, presidente da Associated Press Managing Editors, patrocinadora da pesquisa, e editor-administrativo do Spokesman Review, jornal que pede aos repórteres que dêem os números de seus telefones. "É uma tradição em nosso jornal", afirma.

Mas Wolper apela para que se trate de outra questão, muitas vezes decisiva. Traficantes de droga à parte, não importa se um repórter apresenta o telefone de sua casa se ele não respeita as pessoas que o contatam.

    
    
                     

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