Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > OI NA TV

Observatório da imprensa ou da “grande” imprensa?

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

OI NA TV

Luis Vergniaud (*)

O programa Observatório da Imprensa na TV, dirigido e apresentado por Alberto Dines na TV Educativa, é objetivo, e merece a admiração dos telespectadores. Mas, como nada nem ninguém é perfeito, também merece um reparo, registrado aqui com respeito pelo jornalista e pelo programa.

Na imensa maioria ? praticamente na totalidade ? de suas apresentações, o programa ouve apenas a opinião de profissionais que trabalham para os jornais ricos & poderosos. Ou seja, ouve somente a opinião de representantes da chamada “grande imprensa”, expressão, aliás, imprópria, porque a palavra grande lembra obviamente algo grandioso, mas nem sempre os jornalões procedem com grandiosidade. Em vez de “grande imprensa”, prefiro escrever “imprensa rica”, “mídia rica”, “banda rica da mídia”, ou, simplesmente, “jornalões”, que o próprio Dines também utiliza.. O fato é que o programa entrevista quase exclusivamente profissionais dos jornalões.

Mas há cerca de 350 jornais de circulação diária no Brasil. E mais de três mil (isto mesmo: mais de três mil) outros jornais, de circulação semanal ou mensal. O OI na TV, porém, se limita a entrevistar representantes de não mais de uns 15 jornais, ou seja, os 15 jornais de circulação nacional. É um enfoque limitado, que não faz justiça à objetividade de Alberto Dines.

Há numerosos jornais que, embora não tenham circulação nacional, têm imensa circulação regional. Assisto sempre ao programa, mas não me lembro de ter visto muitas entrevistas com profissionais de jornais de circulação estadual ou municipal, como, entre os jornais que conheço, o Diário de Sorocaba, a Folha de Londrina, a Tribuna de Petrópolis, O Liberal (PA), o Correio do Povo (RS), a Folha da Manhã (MG), a Tribuna da Imprensa (RJ).

É evidente que, por razões operacionais e técnicas, o programa não poderia entrevistar profissionais de centenas de publicações, mas também não deveria limitar-se a ouvir apenas quem escreve para os veículos da banda rica da mídia.

Esses 15 jornais de circulação nacional, e que pertencem a 15 famílias, são apenas parte ? apenas parte, reitere-se ? da nossa imprensa. Por maiores que sejam as suas tiragens, respeitabilidade e influência, não deveriam constituir os únicos a receberem a atenção de um programa tão objetivo como o OI na TV.

(*) Advogado

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