Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

PRIMEIRAS EDIçõES >

Observatório na TV e a cobertura política

Por lgarcia em 05/09/1998 na edição 52

Edição de Marinilda Carvalho

Que poder tem a TV! E depois falam da Internet? Das quase 50 mensagens deste Caderno do Leitor, 17 comentam a cobertura dada pela mídia à política e às eleições, tema do programa OBSERVATÓRIO NA TV dos dias 25 (TVE) e 27 (TV Cultura) de agosto – e o destaque da edição não poderia ser outro.

Com um forte concorrente, porém: o episódio da confissão do motoboy Francisco de Assis Pereira à revista Veja, que mereceu oito cartas.

Mas uma das mensagens mais interessantes é a da leitora Maria da Glória Lanci da Silva, que questiona os Objetivos do O.I. (vale a pena relê-los: no pé desta página há um link remetendo ao endereço).

Na carta A voz dos mediados, Maria da Glória pergunta: “O que significa ser ?um atento mediador entre a mídia e os mediados, preenchendo o nosso espaço social?? Precisamos sempre de uma ?membrana? entre os donos da opinião e os receptores incautos?” Alberto Dines argumenta que o funcionamento do regime democrático exige um sistema de poder e contra-poder: “Nós não somos o contra-poder“, explica ele, “nós somos apenas a janela, ou a plataforma, onde este contra-poder pode se manifestar.”

Vida longa ao contra-poder! E a janela do O.I. está aberta!

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Clique sobre o texto sublinhado para ler a íntegra da mensagem

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Essa democracia morna talvez não se pareça com a que muitos sonharam ao combater o autoritarismo no Brasil – ainda que, mesmo assim, ela seja o melhor regime político que conhecemos. Célia Soibelmann Melhem

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A cobertura jornalística da área política, de modo geral e com honrosas exceções, tem me passado, ultimamente, a impressão de superficialidade, parecendo haver uma certa concessão à singeleza e à banalidade, talvez para agradar a grande massa aculturada. Ouso afirmar que a impressão que tenho, às vezes, é de um certo “medo” de grande parte das reportagens de desagradar os políticos e o círculo do poder. Será que estou errado ou a questão é pura incompetência mesmo? Adriano A. Bruno

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Temos um governo sem saber o que fazer, uma crise se aproximando, e os jornais e as TVs pensando apenas no ibope, ou no melhor marketing. Será que devemos apenas “observar”? Por que não também fazer propostas para melhorar determinas ações, tanto do governo como da mídia? Paulo

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Não serão os fenômenos Rossi e Garotinho frutos do cansaço do eleitorado dos velhos nomes da política?

Archibaldo Figueira

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Quem fiscaliza as pequenas emissoras das cidades do interior? Cito apenas um episódio a que fui submetida como repórter: fui ameaçada de demissão por me recusar a fazer uma cobertura jornalística “de destaque”, a pedido de um dos diretores. O assunto??? A formatura do seu filho… que cursava o jardim de infância! Jaqueline Araújo

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Como militante do velho partidão nos tempos de estudante, e militante do PT até pouco tempo atrás, me sinto totalmente perdido nestas eleições. Estabeleceu-se uma verdadeira salada de frutas, e não consigo mais entender quem pertence a qual filosofia política.

Fernando Sérgio Zucoloto

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A equipe é de primeira. Só acho que a “conversa eletrônica”, via Internet, é um pouco chata. Bobagem tecnológica. Ponham o Caio Túlio para falar sobre o tema junto com o Augusto Nunes na TV Cultura, em São Paulo, que fica melhor. Marcelo de Valécio

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Tenho a mesma opinião que a de Mauro Malin sobre os embates entre Folha e Globo. E acho mais: são meras picuinhas e jogo de cena para fazer barulho e conquistar alguns novos leitores/telespectadores. Falta opinião sincera. Acho que depois de uma propaganda política, por exemplo, deveria entrar um comentarista mostrando: “Olha, isso que o Maluf diz que fez é mentira.” Ou: “Nessa obra o Quércia gastou o orçamento inteiro da secretaria.”; “O PT criticou mas votou contra”; “O FHC mentiu.” Informar realmente as pessoas. Marcelo de Valécio

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Qual tem sido a contribuição da imprensa no esclarecimento dos eleitores sobre o comportamento político de cada candidato, tanto à reeleição quanto para o primeiro mandato? Ronaldo Dias Gomes

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Orgulho-me de ser brasileiro, mas tenho vergonha de ver meu país nestas condições. Quero parabenizar a todos do OBSERVATÓRIO pelo brilhante trabalho que desenvolvem no sentido da informação correta. Continuem sempre assim, transparentes e verdadeiros nas informações.

José Carlos Gonçalves

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Ridículo o partidarismo assumido pelas redes de TV frente à nova crise da bolsa.

José Jonas Duarte da Costa

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Uma vergonha. O debate (?) promovido pela TV Bandeirantes (25/8/98), com os candidatos ao governo de São Paulo:, privilegiou os bem colocados nas pesquisas. Do debate, acabamos assistindo à farsa; da discussão, caímos no arranjo; de jornalistas, vimos censores; da democracia, sobrou o pó. Parabéns aos mitres e rondinos: desmascararam a si próprios e à sua emissora. Paulo Almada

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Por favor, não menosprezem a inteligência dos telespectadores. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que a cobertura da imprensa é decisiva quanto ao resultado das eleições e que a linha editorial dos veículos de comunicação está diretamente ligada aos interesses comerciais da empresa jornalística e de seus proprietários, influenciando diretamente no convencimento dos eleitores, principalmente onde o grau de instrução é mais baixo. Luís César

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Quando da visita ao ministro Ilmar Galvão com queixumes contra a mídia, o Sr. José Dirceu, digno presidente do PT, alertou o país sobre a reeleição de FHC. Como eleitor e brasileiro, gostaria de saber do digno senhor o que vai acontecer ao país. Se ele tem esta previsão teratológica do fato, é bom que o diga antes que ponha meu voto em FHC. Caso contrário, será tarde demais. Ou é o choro de alerta para votarem no Lulóla? Quando do empate entre os dois em maio passado, a mídia era maravilhosa, e eles comemoravam e riam. Agora a mídia tem culpa pela queda (já esperada) do Lulóla.

Abaixo com essas vestais de araque, ou o PT ou o caos.

Marcos Rosenbaum

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Parabéns ao OBSERVATÓRIO. Espero que realmente ajude a modernizar a imprensa brasileira. Neste sentido, peço que avaliem a hipótese de, como ocorre em outros países, a mídia assumir publicamente os candidatos que apóia.

Flávio Di Rosa

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Gostaria que me informassem dia e hora em que o OBSERVATÓRIO NA TV vai ao ar.

Alexandra Peconick, 17 anos, Belo Horizonte

Nota do O.I.: Na TVE, o OBSERVATÓRIO NA TV vai ao ar às terças-feiras, às 21h. Na TV Cultura, às quintas-feiras, às 22h30.

 

Leio: “As denúncias do Jornal da Band envolvendo as finanças pessoais do candidato Lula da Silva são simplesmente repulsivas. Já o dissemos aqui: Luiz Inácio da Silva é um ícone nacional e internacional, sua biografia exige respeito. Sobretudo por parte daqueles que se opõem às suas idéias. Lula não pode ser tratado como um Paulo Maluf. Querer apresentá-lo como trambiqueiro e fechar os olhos para as falcatruas de que Maluf é acusado, é repulsivo”.

Perdoem-me a ingerência e a manifestação, mas, ao que parece, estamos diante de um texto mais próprio de um “julgador”. O jornalista ficou de lado. O “julgador” absolve Lula e condena Maluf (que nem faz parte do processo “em julgamento”).

Puxa!!! Vão gostar assim de Lula lá na Conchinchina! Ícone nacional e internacional?!!! Depende do lado em que se situe o observador. Para alguns, Maluf também é ícone. Enéas idem. Quércia ibidem… Há ícones para todos os gostos.

Posso estar errado, mas algo me sugere que o professor Alberto Dines não se inclui entre “Os Observadores” signatários da matéria.

Jorge Taleb, Goiânia

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“Já o dissemos aqui: Luiz Inácio da Silva é um ícone nacional e internacional, sua biografia exige respeito.”

Isto é um observatório neutro ou um comitê eleitoral? O.I. está cometendo o erro que critica na imprensa – na falta de fatos, julgamentos preconcebidos. Em vez de O.I. questionar a apuração dos fatos pela Band (e outros órgãos de imprensa) – que pode ou não ter falhas -, assume postura de pessoa à prova de críticas.

O que O.I. não está questionando é que o candidato Luiz Inácio não deu explicações convincentes sobre a história – ou falar que vendeu um carro de R$ 29 mil por R$ 40 mil parece razoável? -, mas esse mesmo candidato se sente no direito de dizer que há caixa 2 na venda da Telebrás e coisas do tipo, sem ter provado nada.

Lamentável a postura de O.I..

Maurício

Os Observadores respondem: “A manifestação do O.I. tem o respaldo da Justiça Eleitoral, que acionou os veículos – especialmente a TV Bandeirantes – para provarem as acusações. Achamos, sim, que certas figuras, como Lula, devem ser preservadas do denuncismo irresponsável. O que não significa que estejamos endossando as suas candidaturas. Não adotamos a tábula rasa de que todos os políticos são bandidos, temos respeito pelas biografias. Acreditamos no gênero humano. Jornalista precisa saber distinguir. O nivelamento por baixo induz ao vale-tudo. Tentar enlamear Lula, na véspera do pleito, qualificando-o como se fosse um Maluf ou um Quércia – há anos às voltas com a Justiça – é uma grande injustiça. A opinião dos Observadores expressa um consenso da equipe que edita o O.I.. Mas a opinião do OBSERVATÓRIO é mais abrangente e compreende as opiniões de todos.”

 

Meu nome é Maria da Glória Lanci da Silva. Esta é a primeira vez que tomo contato com o O.I., via Internet. Acabo de mandar meus dados para o seu cadastro. Lendo os Objetivos, percebo uma clara chamada, até um apelo, para que os leitores/ouvintes participem de um processo de cidadania que a entidade preconiza. Bem escrito e, até certo ponto, cativante. Mas tenho uma única pergunta: o que significa ser “um atento mediador entre a mídia e os mediados, preenchendo o nosso “espaço social”? Precisamos sempre de uma “membrana” entre os donos da opinião e os receptores incautos?

Gostaria de discutir a respeito.

Maria da Glória Lanci da Silva

 

Alberto Dines responde:

Minha cara, claro que devem existir pontes entre as diferentes esferas. Este é o papel do Terceiro Setor, que funciona nos vãos entre a esfera pública e a privada. Pouquíssimos jornais têm ombudsman, que é o representante do leitor. O espaço nos jornais para os leitores se manifestarem é mínimo. Nos meios eletrônicos, é inexistente.

O conceito do regime democrático funciona sobre um sistema de poder e contra-poder (check & balances). Nós não somos o contra-poder, nós somos apenas a janela, ou a plataforma, onde este contra-poder pode se manifestar. Apareça sempre. A.D.

 

Sobre o comentário a respeito do furo de Veja na confissão de Francisco de Assis Pereira: se os advogados aceitaram a presença da repórter para testemunhar uma conversa entre o cliente, os advogados e a polícia, qual o problema? Precisaria de autorização, se os próprios advogados, que garantem a ampla defesa do réu, concordaram com a presença da jornalista? E, acredito, também o próprio acusado. Não estaríamos aqui querendo crucificar Veja pela maneira ousada como conseguiu a furo na frente de todo mundo?

Jonas Campos

Nota do O.I.: As circunstâncias do episódio não estão esclarecidas. A polícia, que não estava presente à conversa, alega que ignorava a verdadeira profissão da repórter. A advogada também afirma que desconhecia o fato [ver remissão abaixo para artigos sobre o assunto no Entre Aspas da edição passada do O.I.]. E o acusado não sabia que estava falando com uma jornalista.

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Sou assinante de Veja e realmente não sei quais foram os métodos utilizados pela repórter para entrar na sala e acompanhar o interrogatório do chamado “maníaco do Parque”. Foi uma falha da revista não nos ter informado como obteve as informações. Entretanto, não concordo com a visão de Alberto Dines quando ele diz que a repórter não respeitou o “Estado de Direito”. J. Coreio

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Considero o trabalho da imprensa brasileira muito perdido em discussões sobre o que é ou o que não é lícito, e o fato é que a investigação está cada vez menos na pauta. A indústria da notícia não pode ou não quer custear uma boa vasculhada nos acontecimentos, nas denúncias. E quem envereda por este caminho acaba sendo alvo de críticas. Robson Leite

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Concordo com o OBSERVATÓRIO. Uma revista com o “carisma” de Veja não poderia colocar em xeque sua credibilidade, negando-se a esclarecer os meios para conseguir o falado furo. Mas, uma questão fica na minha cabeça. A acusação dos outros meios de comunicação à Veja não cheira um pouco ao dito popular “Faça o que eu digo, mas não o que eu faço”?

Anônimo

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O que realmente mais assusta em toda essa história é mesmo a espetacularização do fato.

Guilherme Jorge de Rezende

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A imprensa, assim como nosso Congresso, é o espelho de nossa sociedade e, como sabemos, a ética não é o forte da maioria de nossos líderes políticos, a começar pelo nosso presidente, que tem escorregado de vez em quando em comentários infelizes. Rafael Henriques

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Acho que a essa questão da revista Veja envolve o grande problema atual no meio jornalístico: a ética. Maria Cecília Rezende

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Antes mesmo de a Veja trazer a reportagem sobre o “maníaco”, me constrangi ao levar em conta que dentro da própria redação onde estagio a coleta e a transmissão das informações sobre o maníaco eram inconcretas e até mesmo induzidas. Alloyse R. Boberg

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Há necessidade de a sociedade criar algum artifício para controle desse monstro poderoso, causador de inúmeros males à população. Esta versão da imprensa, na minha análise pessoal, é mais nociva à sociedade do que os males da Aids e/ou do câncer. O que fazer? Quero humildemente lembrar a eventuais homens do poder, parceiros da imprensa de hoje, que amanhã poderão vir a ser vítimas dessa “onça” por eles não domada quando podiam.

José Sousa

 

Assisti a uma cena digna de nojo na televisão: uma repórter do SBT discutindo com uma repórter da Globo, uma dizendo que era absurdo haver exclusividade nas entrevistas, a outra indiferente. Discutiam pelo “monopólio” da angústia, da dor, enquanto a mulher do ator Gerson Brenner presenciava a cena. Alexandra Peconick

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Fiquei surpreso com a reportagem do Fantástico sobre a máfia dos CDs, que opera desde Macau. A reportagem de Marcelo Resende tem interesse público, expõe um crime que abala a economia de vários países, o faturamento dos artistas, das gravadoras etc. etc., mas abre um precedente perigoso. Cabe ao jornalista bancar o detetive e até mesmo se envolver com a máfia – ao comprar os CDs – para desmascarar o esquema???? Teleuru

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Gostaria de expressar meus elogios ao programa Documento Verdade, da Bandeirantes, que foi ao ar na segunda-feira 24/8/1998. O programa trouxe ou tentou trazer um pouco do outro lado da moeda pelo qual têm que passar as pessoas que desejam subir o degrau da fama e do dinheiro expondo seu corpo ou sendo dançarina como a Carla Perez.

Ismael Vítor Borges, Recife

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Concordo plenamente com a manifestação do articulista Lira Neto: a ética no jornalismo deveria ser exercida por inteiro… como publicar, ao mesmo tempo, reportagem especial sobre a prostituição infantil denunciando a tudo e a todos, e permitir a explícita divulgação (portanto, incentivando…) dos respectivos anúncios?

Nada melhor que um espelho…

J. Ricardo Lyra

 

Como não tenho visto comentários sobre a Telefónica de España [que no leilão das teles levou a Telesp fixa] na imprensa brasileira, envio alguns textos extraídos do jornal madrilenho El País [ver remissão abaixo].

Allan Patrick M. Lucas, Natal

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Sobre o artigo de Ivson Alves, o mais interessante é que tendo a Telefônica de Espanha levado a Telesp Fixa, e a Italia Telecom a Tele Centro-Sul, criou-se um problema para a estratégia de dois grupos de comunicação que já acordaram dividir o Brasil em dois: a Globo e a RBS. Houve, no mínimo, um desconforto entre RBS e Globo. Ricardo Schaefer

Ivson Alves responde

Por conta do “desconforto”, no dia seguinte O Globo estampou manchete de página segundo a qual a RBS ia vender a parte dela na Telesp fixa. Ivson Alves

 

Excelente e de alto nível argumentativo a matéria do Dr. Isak Bejman (Mídia, Drogas e Preconceito, edição 51 do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, de 20 de agosto). É chegada a hora de encararmos uma discussão séria e sem emocionalismos fundamentalistas sobre a questão das drogas, ilícitas ou não. Gustavo Henrique Limeira Lisboa

 

Em sua coluna do dia 19/8/98 (CB, JB), Verissimo cita por alto as “pressões de anunciantes e de Brasília” sobre a mídia. O que me espantou não foi a declaração “en passant” do Verissimo – mas a súbita constatação de que é a primeira vez que vejo uma referência ao assunto na mídia pós-histórica. Flávio Roseiro Cavalcanti

 

Folha

“É totalmente falsa a informação, publicada pelo Painel (pág. 1-4, Brasil, 17/8), de que o governador Marcello Alencar teria se reunido com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro José Serra e o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, para tratar de questões político-eleitorais. Tal reunião jamais ocorreu.”

Antônio Cunha, coordenador-geral de imprensa do governo do Estado do Rio de Janeiro

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“Causou-nos surpresa a nota publicada na coluna Painel sob o título Fundo de verdade. Simplesmente, a reunião a que a nota se refere, entre o ministro Serra, o presidente Fernando Henrique, o governador Marcello Alencar e o presidente da Firjan, Eduardo Gouvêa Vieira, jamais foi realizada. O presidente da Firjan desconhece qualquer tentativa de desestabilizar a candidatura de quem quer que seja.”

Janice Caetano, coordenadora da assessoria de imprensa da Firjan Rio de Janeiro

Resposta do editor do Painel, Kennedy Alencar: “Segundo auxiliares de FHC e Marcello Alencar, o presidente, o governador e Eduardo Gouvêa (Firjan) tiveram encontro no qual se avaliou que seria melhor para o PSDB ir de Garotinho (PDT) no segundo turno no Rio. Serra foi um dos articuladores do encontro.

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“Desinformado e arrogante, o articulista Fernando Rodrigues escreve bobagens três vezes por semana na pág. 1-2 da Folha (felizmente, nos demais quatro dias temos a brilhante Eliane Cantanhêde). Deu-se o Sr. Rodrigues, nos dias 12 e 15 passados, ao desfrute de comentar a sucessão em São Paulo, assunto que conhece apenas de ouvir falar, nos bares e gabinetes de Brasília.

Dá Covas como antecipadamente derrotado e cita ministro ?pragmático? como fonte. Se fosse sério e competente, faria como sua colega Dora Kramer, do JB, que passou uma semana inteira em São Paulo conversando, apurando, batalhando informações confiáveis para sua coluna.”

Osvaldo Martins, coordenador de comunicação da campanha Covas

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“O artigo do professor Walter Ceneviva (Relação e sexual), na Folha de sábado (15/8, Cotidiano), é primoroso. Em apenas 123 linhas de 28 toques (não sexuais nem libidinosos), ele esgotou o assunto, mostrando aos leitores – praticantes ou curiosos – o que está por trás ou por baixo (salvo seja) do emaranhado jurídico no episódio Clinton-Monica.”

Mauro Salles, publicitário São Paulo

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Ao contrário do que publicou o Painel (pág. 1-4, Brasil) na edição de 16/8, o senador Antônio Carlos Magalhães jamais instruiu o serviço de segurança do Senado para que impedisse qualquer pessoa de abordá-lo no interior do edifício do Congresso ou fora dele. É equivocada, também, a informação, no mesmo Painel, segundo a qual o senador Antônio Carlos Magalhães teria determinado o reforço de sua segurança nas instalações do Congresso. A total liberdade de acesso ao presidente do Senado é constatada diariamente pelos jornalistas aqui credenciados, entre eles os da Folha, que o acompanham, sem restrições, pelos espaços desta Casa, inclusive no elevador privativo de senadores.”

Fernando César de Moreira Mesquita, diretor da Secretaria de Comunicação Social do Senado Brasília, DF

Resposta do repórter do Painel Raymundo Costa – “A Folha conversou com um dos seguranças de ACM, que disse que o presidente do Senado dera ordem para não ser abordado no percurso entre seu gabinete e o plenário.

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“A Folha de 19/8 explicou satisfatoriamente que a acusação falsa contra Lula não teve sua origem no jornal. Não obstante, uma vez feito o estrago, para a vítima pouco importa se a culpa era do informante ou do repórter. A correção política do damage control da edição de anteontem (manchete na primeira página, comprovantes da inocência da Folha no caderno Eleições) não era adequada. Embora não haja coincidência, há suficientes semelhanças com o caso Escola Base para um jornal do caráter forte da Folha assumir um pouco mais de mea culpa, em vez de cair – entrelinhas – no idioma clintonês.

Embora liberal, não sou petista nem a favor de Lula, a quem acho incompetente, lamentavelmente.”

Hanns John Maier (Ubatuba, SP)

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“A Folha marcou um ponto importante quando corrigiu, ontem, a informação inverídica que forneceu a seus leitores na edição de sábado, 15/8, levantando suspeita infundada sobre Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a presidente da República pela União do Povo – Muda Brasil. Não poderia, no entanto, deixar de apontar que as manchetes da primeira página e da pág. Especial 3 (Eleições) são insatisfatórias para que se faça justiça a Lula. Não há nelas nenhuma menção a um fato simples: o erro do Detran ou até mesmo o erro do próprio jornal em levar a informação a público sem prévia checagem. Da forma como foram publicadas, as manchetes continuam alimentando suspeitas sobre nosso candidato.”

Luiz Gushiken, coordenador da campanha Lula Presidente São Paulo, SP

Nota da Redação – A Folha considera que agiu corretamente em relação a seus leitores ao retificar, com amplo destaque, informação errada fornecida pelo Detran. Suspeitas continuam pairando, no entanto, sobre o candidato petista. Cabe à imprensa independente investigá-las e esclarecê-las.

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“Parabéns à Folha por ter participado da vergonhosa invenção da venda do carro de Lula. E a manchete de ontem, Lula não vendeu carro a doador, é – a palavra é essa – safada. Não há nem sequer menção ao erro crasso do jornal, tampouco é retratado o prejuízo que a manchete anterior causou. Nesta eleição de uma única via, a Folha ajuda a construir uma democracia capenga.”

João Sette Whitaker Ferreira São Paulo, SP

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“A reportagem “Brizola afirma que Rossi não vai pedir votos” (Especial 3, Eleições) manipula, deforma e deturpa as declarações que dei, entre outros, ao repórter da Folha em minha visita, anteontem, ao comitê de campanha do ex-presidente da OAB dr. Roberto Batocchio. Disse clara e explicitamente que o candidato do PDT Francisco Rossi tem manifestado seu apoio e seu voto a Lula, mas que não iria contar com ele em seu palanque, pela simples razão de ter o PT candidata própria em São Paulo, assim como no Rio Grande do Sul, onde eu não estarei, no primeiro turno, no palanque de Olívio Dutra (PT), mas no de nossa candidata, Emília Fernandes. Isso não significa hostilidade entre PDT e PT, mas opções locais. Todos, porém, apóiam a candidatura Lula-Brizola. Isso nada tem a ver com o apoio à candidatura Lula, a qual me orgulho de integrar, como candidato a vice-presidente. Mesmo pequena, a reportagem contém uma enorme carga de intriga, até na escolha das palavras. Quando declarei que não concordava com a idéia de uma eventual renúncia da candidata Marta Suplicy, o repórter emendou um maldoso ?mas deixou claro que espera seu fracasso?, simplesmente apoiado numa expectativa natural de que estaremos juntos no segundo turno nas eleições para o governo paulista. O repórter escolheu, em meio ao que disse, aquilo que servia para o que, desde antes, pretendia escrever.”

Leonel Brizola (PDT), candidato a vice-presidente na chapa de Lula – Rio de Janeiro, RJ

Nota da Redação – “Em entrevista gravada, Leonel Brizola disse que Francisco Rossi ?vai votar no Lula?. Perguntado se ?votar? seria pedir votos, Brizola disse ?que ele (Rossi) não quer constranger o Lula, por isso não está programando uma campanha integrada?. Sobre uma eventual renúncia de Marta Suplicy para apoiar Rossi, Brizola disse ser contra, pois isso ?vai acontecer naturalmente no segundo turno?.

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“A mídia manipula a opinião pública restringindo as notícias aos acontecimentos da moda. Em um momento foi o destaque da Seleção Brasileira na Copa do Mundo; em outro, o nascimento da filha da Xuxa; fala-se dos pulinhos do presidente americano, da crise nas bolsas da Ásia e dos flagelados da seca. Da mesma forma que fazem uma notícia parecer a mais importante do planeta, esquecem-se dela, como se o problema já tivesse sido resolvido. Parece coisa de fofoqueira na janela.”

Clarissa Marini Pinto – Ribeirão Preto, SP

Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 19/8/98

“A Folha e a Folha da Tarde vêm assumindo em relação ao prefeito Celso Pitta uma postura sem paralelo nos padrões éticos do bom jornalismo, que sempre pautaram as ações da Empresa Folha da Manhã. Nos últimos dias, a título de informar sobre um empréstimo de caráter pessoal e com documentação pública, os dois jornais atingem a pessoa do prefeito e de sua mulher com insinuações que representam verdadeiras acusações sem provas.

O tratamento editorial adotado a Pitta pelas redações da Folha e FT foge aos critérios da imparcialidade e da objetividade da informação jornalística para se tornar uma condenação de fato, transmitida aos leitores por meio de constantes e destacadas referências a ?supostos? delitos.

No caso específico, a Folha (pág. 1-4, Brasil, 26/8) levanta a suposição de ?ligações ilegais? (sic) do prefeito, caso seu empréstimo se originasse de ?verba da campanha?. As suposições da Folha e FT são apresentadas a Pitta pelos repórteres (um da Folha e dois da FT) em forma de ?questionamento?. O resultado, com insinuações em lugar de informações, tem teor puramente declaratório e impressionista: ?O prefeito, que se esforçava para manter a calma diante dos repórteres, só se irritou quando foi questionado se o dinheiro…?.

Outras acusações sem provas são calcadas em declarações, seja de um policial, promotor ou político oposicionista, dando conta de uma ?investigação? sobre determinado assunto. Instala-se então o velho método de conveniência, pelo qual jornalistas e fontes se usam mutuamente para produzir notícias e respaldar as próprias versões.

É certo que tais métodos são condenados não só pelas normas dos manuais de redação como pela postura ética e profissional dos membros da Direção e do Conselho Editorial da Folha. Porém a sequência de desequilíbrios editoriais e de artigos assinados por jornalistas com responsabilidade editorial, que enveredam por uma perseguição e discriminação de cunho pessoal ofensiva ao prefeito Celso Pitta, além das inúmeras cartas enviadas e não publicadas, levam-me a pedir sua atenção para o problema.”

Antenor Braido, secretário de Comunicação Social da Prefeitura de São Paulo (São Paulo, SP)

Nota da Redação – “A Folha publica a carta acima em respeito ao direito do leitor de conhecer o ponto de vista da prefeitura, do qual o jornal, no entanto, discorda. O secretário de Comunicação vem utilizando o expediente de atulhar o jornal de ?inúmeras? cartas, exatamente com o propósito de reclamar da não-publicação de parte delas. Elas têm sido publicadas quando não respondem ao propósito exclusivo de ?ocupar espaço?.”

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“O título ?Covas admite até mentiras?, de reportagem publicada no caderno Eleições de domingo, é uma espantosa distorção de declarações do governador Mário Covas na Associação Comercial e Industrial de Campinas. O título da reportagem não tem absolutamente nada a ver com o texto e muito menos com o pensamento e a ética de Covas.

?O que eles fazem? Uns mentem, outros falam que não prometem. Vou fazer o que todo mundo faz: usar o horário gratuito na televisão e no rádio para contar para as pessoas aquilo que eu fiz? – é a declaração do governador, corretamente registrada pela repórter da Folha. Não há nenhuma sugestão de que ele poderia admitir mentiras em sua campanha, como diz o título publicado.”

Fernando Pacheco Jordão, assessor de imprensa da campanha Mário Covas (São Paulo, SP)

Nota da Redação – “Leia a seção Erramos, abaixo.”

Erramos

“Está errado o título ?Covas admite até mentiras?, publicado na pág. Especial 2 (Eleições) de parte dos exemplares da edição de 30/8. Conforme relata a reportagem, o candidato à reeleição ao governo paulista afirmou: ?O que eles fazem? Uns mentem, outros falam que não prometem. Vou fazer o que todo mundo faz. Usar o horário gratuito na televisão e no rádio para contar para as pessoas aquilo que eu fiz?.”

Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 1?/9/98

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“Em sua coluna de 31/8, na pág. 6-2 (Ilustrada), a jornalista Joyce Pascowitch ?informa? que, ?por decisão da direção do partido, o PT, Marta Suplicy apóia Francisco Rossi em um possível segundo turno contra Paulo Maluf?. Como presidente estadual do PT-SP, esclareço que tal afirmação é absolutamente falsa. A direção do partido nem sequer se reuniu para discutir o segundo turno da eleição, principalmente pela convicção de que estaremos promovendo essa discussão brevemente com a presença de Marta Suplicy no segundo turno. Neste momento, a direção e a militância dos partidos da Frente para Renovar São Paulo estão fortemente empenhados nesse objetivo, que consideramos plenamente viável. Queremos ressaltar que a jornalista Joyce Pascowitch não fez nenhum contato com a direção do PT sobre a citada nota, procedimento que, acreditamos, contrasta com a tradição dessa conceituada Folha.”

Antônio Palocci Filho, presidente estadual do PT-SP (São Paulo, SP)

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“Em artigo publicado em 21/8 (pág. 1-3, Opinião), o professor José Augusto Guilhon Albuquerque critica as pesquisas de intenção de voto e invoca estatísticas, porcentagens e probabilidades para concluir, em tom premonitório, quase visionário, que, na disputa pelo governo de São Paulo, haverá ?um esvaziamento de candidaturas sem conteúdo como a de Rossi? e um segundo turno de ?opções políticas substantivas entre candidatos com cara e programa definidos, como Mário Covas e Paulo Maluf?.

O professor tem o direito de torcer, mas comete dois equívocos. Em primeiro lugar, menospreza a insatisfação dos eleitores. Erra também ao imaginar que Rossi está na frente por causa de uma suposta falta de conteúdo. Votar em Rossi é apostar num projeto que está sendo construído desde já e visa à formação de um governo sério, honesto, competente e dinâmico.?

Tito Costa (São Paulo, SP)

Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 2/9/98

 

Veja

“Achei de uma imensa genialidade, e de muito bom senso, a comparação de Bill Clinton com o ?maníaco do Parque?, como se percebe nas capas de Veja. Parabéns, é bom saber que ainda existe o jornalismo sério e conciso neste país.” Adriano Alves Gomes

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“Foi de um mau gosto ímpar a capa de Veja desta semana. Ao usar o mesmo layout da edição 1.559, em que o destaque é o ?monstro? do parque, Veja colocou Bill Clinton numa situação em que nenhum de nós gostaria de estar: ser comparado a um estuprador e maníaco. Sabemos que o senhor Clinton cometeu alguns erros, mas usar a capa de Veja para fazer tal tipo de insinuação não está à altura de uma revista desse porte e conceito.”

Evanndro Paes dos Reis

Cartas, copyright Veja, 2/9/98

 

Temos cadastrados em um banco de dados mais de 2,5 milhões de imigrantes de todas as nacionalidades, chegados ao Brasil a partir de 1737, alguns com até 15 informações, incluindo histórico do sobrenome, do nome e do brasão de família. Trata-se de um trabalho realizado ao longo de mais de 12 anos de pesquisa em portos, igrejas, museus, hospedarias de imigrantes, documentos de distribuição de terras e arquivos históricos. Pedimos apoio na divulgação de nosso trabalho, que pode ser encontrado no site

<www.projetoimigrantes.com.br>.

Ivam Luiz Sandini

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Sou presidente e fundador da ONG Comunicação e Cultura, que coordena a Rede Cearense de Publicações Alternativas, jornais populares (escolares, comunitários e culturais) editados em maioria por grupos de jovens. Mais de 100 grupos participam atualmente dessa Rede, que já leva publicados mais de 2 milhões de exemplares. Gostaríamos de ser informados com antecipação da data e do local de realização do seminário Mídia e Drogas, já que esse é um dos assuntos que queremos trabalhar junto aos jovens.

Daniel Raviolo

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Gostaria inicialmente de parabenizar o OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA pelo trabalho de ombudsman de nossa imprensa. Consumidor cansado de pequenas firulas do cotidiano e sem um canal direto para expor os problemas do dia-a-dia, criei um site <www.bocanotrombone.com> – no ar oficialmente em 20 de setembro – com o objetivo maior de canalizar críticas e sugestões dos consumidores brasileiros. Entre os destaques, teremos a imprensa.

Edison Volpe Jr., São Paulo

 

Em resposta ao estudante Alessandro Tarso, da Universidade Federal do Paraná-UFPR, sobre a participação do jornalista Luís Cláudio de Oliveira na Comissão que analisa os projetos com base na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná esclarece que a escolha do referido jornalista deu-se democraticamente pelo Fórum das Entidades Culturais de Curitiba, do qual o Sindicato também faz parte. Sobre a alegada incompatibilidade entre a função e o exercício profissional, observamos que a análise de projetos é feita voluntariamente por todos os membros da comissão, num total de cinco, sem qualquer ganho financeiro, sob qualquer título. Em nosso entendimento, na medida em que o jornalista não propõe projetos próprios para análise da Comissão, nem esta entidade, não há qualquer incompatibilidade entre a função e o exercício profissional.

Sem assinatura

 

O site de protesto <http://come.to/protesto> contra a censura ao Terràvista – um serviço português de informação e alocação gratuita de páginas lusófonas, que ficou duas semanas fora do ar por ordem do Ministério da Cultura de Portugal – foi criado por Ricardo Silva, que é webmaster da homepage da Associação de Professores de História (APH). A APH não teve qualquer relação com o protesto.

João José A. Curvello

 

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