Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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OESP

Por lgarcia em 24/07/2002 na edição 182

TIM LOPES ASSASSINADO

"Tim Lopes Nunca Mais", copyright O Estado de S. Paulo, 19/07/02

"Para não deixar que o caso Tim Lopes seja esquecido, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) colocou uma faixa na fachada de sua sede, no Rio, cobrando a prisão de ?Elias Maluco?. Em agosto, a entidade realiza o fórum Tim Lopes Nunca Mais. Participarão, entre outros, os jornalistas Zuenir Ventura, Ana Arruda Callado e Suely Caldas (diretora da sucursal do ?Estado? no Rio), o psicanalista Joel Birman e o sociólogo Michel Misse."

 

CASO CRISTINA GUIMARÃES

"Depoimento de Cristina Guimarães à ABI, na íntegra", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 17/7/02

"No dia 09/07, a jornalista Cristina Guimarães prestou depoimento à Associação Brasileira de Imprensa, no Rio, para falar sobre a ação que move contra a Rede Globo. Ela afirma que a emissora não lhe deu o apoio necessário durante e depois da realização da série de reportagens ?Feira de Drogas?, feita ao lado de Tim Lopes. Comunique-se publica, a seguir, com exclusividade, texto do jornalista Osvaldo Maneschy, do Centro de Direitos Humanos, explicando como se passou o depoimento de Cristina, gravado e transcrito por Maneschy. Alguns nomes foram omitidos para a segurança física das pessoas.

A jornalista Cristina Guimarães, da Rede Globo de Televisão, prestou depoimento em sessão especial do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no último dia 9 de julho sobre a ação trabalhista que move contra a emissora sob o argumento de que esta não lhe deu proteção de vida quando passou a ser ameaçada por narcotraficantes da Rocinha depois de fazer a matéria ?Feira das Drogas? veiculada no ?Jornal Nacional? em agosto de 2001. Naquela ocasião Cristina trabalhou em parceria com o repórter Tim Lopes – assassinado mês passado na favela de Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão – e com ele dividiu o Prêmio Esso de Jornalismo do ano passado.

A reunião na ABI, reservada para preservar Cristina, contou com a presença de integrantes da comissão do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro que exige providências das autoridades governamentais para punir os assassinos de Tim Lopes. Cristina e Tim dividiram o Prêmio Esso com outros três colegas da Rede Globo: Renata, Tyndaro e Fachel. No longo depoimento, onde também respondeu a perguntas, Cristina explicou as razões que a levaram a processar a Globo depois de trabalhar 12 anos na emissora, sendo seis deles no ?Jornal Nacional?, depois de passar pelos núcleos do ?Fantástico? e do ?Globo Repórter?.

Atualmente Cristina está afastada do dia-a-dia da profissão, vive escondida fora do Rio de Janeiro e depende da ajuda da família e dos amigos para se manter. Segundo ela, as ameaças dos narcotraficantes da Rocinha começaram pouco depois da matéria ?Feira das Drogas? ir ao ar. Ela pediu providências aos seus chefes na Globo mas como nada foi feito, segundo ela, apesar de reiteradas gestões, decidiu se afastar da emissora e processá-la. Ela relatou que por causa da matéria ?Feira das Drogas? foram identificados e presos 18 traficantes na Rocinha e 11 no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio.

Equipada com uma micro-câmera Cristina Guimarães filmou traficantes vendendo drogas publicamente dentro das favelas da Rocinha e da Mangueira; dando continuidade a série de reportagens veiculadas no ?Jornal Nacional? que começou com uma matéria de Tim Lopes mostrando a ?Feira das Drogas? no Complexo do Alemão. Agora no início de junho, no mesmo Complexo do Alemão, numa outra reportagem investigativa – esta sobre sexo e drogas em bailes funk – Tim Lopes foi aprisionado, torturado e morto pelos traficantes da quadrilha de Elias Maluco.

A sessão especial do Conselho se realizou sob a presidência de Ana Arruda Callado e contou com a presença, entre outros, do presidente da ABI, jornalista Fernando Segismundo, do presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, Nacif Elias, e do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa, José Gomes Talarico."

 

CASO DANIEL PEARL

"Assassino de jornalista é condenado à morte", copyright Folha de S. Paulo, 16/07/02

"Uma corte paquistanesa condenou à morte ontem o militante islâmico nascido no Reino Unido Ahmed Omar Saeed Sheikh, 28, pelo sequestro e assassinato do jornalista dos EUA Daniel Pearl, 38. Outros três acusados de terem participado da ação -Fahad Naseem, Salman Saqib e Sheikh Adil- foram condenados à prisão perpétua.

Pearl trabalhava numa reportagem sobre extremismo islâmico para o diário ?The Wall Street Journal?. Em 23 de janeiro, desapareceu na cidade paquistanesa de Karachi. Embora seu corpo, encontrado em maio, ainda não tenha sido identificado, uma fita de vídeo com imagens dos militantes obrigando ele a admitir que era judeu e depois cortando a sua garganta é a maior prova de que foi assassinado.

Os promotores afirmaram durante o processo que o principal acusado havia armado uma cilada para capturar o repórter, prometendo levá-lo a uma entrevista com um líder islâmico.

Sheikh Omar, que deve ser executado na forca, se diz inocente. Após condenado, ameaçou as autoridades paquistanesas e convocou uma ?guerra santa? contra os inimigos do islã.

?Veremos quem morrerá primeiro, eu ou as autoridades que conseguiram essa sentença de morte?, declarou ele, em comunicado lido por advogado. Omar disse ainda que seu julgamento era ?uma perda de tempo? na ?guerra decisiva entre o islã e os infiéis?. Segundo ele, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, deve saber ?que Deus está aqui e pode fazer a sua vingança?.

A equipe de defesa prometeu entrar com recurso contra a condenação, que pode levar meses ou anos para ser cumprida. O último extremista islâmico executado no Paquistão, Haq Nawaz, morreu em fevereiro de 2001, após ter sido considerado culpado pela morte de um diplomata iraniano uma década antes.

Aliado dos EUA

O presidente paquistanês tem o direito de transformar a pena de morte em prisão perpétua. Mas não parece ser o caso agora. Aliado dos EUA na ?guerra contra o terrorismo? e o extremismo islâmico no vizinho Afeganistão, Musharraf sofre forte pressão para agir com rigor contra o grande número de muçulmanos extremistas existentes em seu país.

Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca, disse que a decisão judicial ?é outro exemplo de que o Paquistão está demonstrando a sua liderança na guerra contra o terror?.

A condenação desagradou aos movimentos islâmicos paquistaneses, que vêem Musharraf como um traidor. O Conselho Unido da Jihad, organização que reúne 15 grupos extremistas, disse que o veredicto ?vai certamente aumentar o ódio contra os EUA?.

As forças de segurança paquistanesas se prepararam ontem para protestos violentos contra a condenação, que não ocorreram.

A família de Pearl elogiou a condenação em um comunicado. ?Nós, os pais, a mulher e as irmãs de Daniel Pearl, somos gratos pelos esforços incansáveis das autoridades do Paquistão e dos EUA para levar Justiça aos culpados pelo sequestro e morte de Danny.? Sua viúva, Mariane, estava grávida à época de sua morte e teve um filho dele em 28 de maio.

A direção do ?The Wall Street Journal?, jornal econômico de Nova York, disse que a sentença de morte é um passo adiante, mas que continua de luto pela morte de Pearl."

***

"Extremista estudou em escolas britânicas de elite", copyright Folha de S. Paulo, 16/07/02

"Ahmed Omar Saeed Sheikh, 28, condenado ontem à morte pelo assassinato do jornalista americano Daniel Pearl, nasceu e cresceu em Londres e frequentou escolas de elite antes de aderir à militância islâmica extremista.

Filho de um comerciante de roupas paquistanês radicado na capital britânica, Sheikh Omar estudou na Forest School, instituição particular no subúrbio londrino de Snaresbrook, e no Aitchison College de Lahore, no Paquistão.

Com ótimas notas, começou a cursar estatística em 1992 na London School of Economics, um dos principais centros de estudos de ciências sociais da Europa, frequentado pelos alunos mais destacados do sistema de educação britânico e por muitos estudantes de famílias abastadas de países estrangeiros. Sheikh Omar abandonou o curso universitário antes de completar o primeiro ano.

Segundo relatos, trabalhou para uma sociedade beneficente de ajuda aos muçulmanos da Bósnia durante o conflito nos Bálcãs nos anos 90.

Nessa época, conheceu ativistas extremistas que defendiam a causa dos muçulmanos da Caxemira contra o governo da Índia. Foi viver, então, no Paquistão.

Ele teria admitido a agentes indianos durante interrogatório que, na Bósnia, conheceu integrantes do Harkat-ul-Mujahedeen, grupo paquistanês associado à rede terrorista Al Qaeda, de Osama Bin Laden.

No Paquistão, ele recebeu treinamento paramilitar. Uma de suas missões foi voltar ao Reino Unido para recrutar novos combatentes.

Fontes dos serviços de inteligência indiano dizem que ele se aproximou de Maulana Azhar Masood, fundador do grupo clandestino Jaish-e-Mohammad, entidade que, segundo Nova Déli, seria responsável pela ação terrorista contra o Parlamento indiano em dezembro passado.

Sheikh Omar acabou preso pela polícia em território indiano, em 1994, acusado de haver orquestrado o sequestro de três turistas britânicos e um americano.

Em 1999, quando ainda servia pena de prisão, um avião da Indian Airlines foi sequestrado e levado a Candahar, no Afeganistão. Omar Sheikh acabou solto com outros detentos como parte do acordo que levou à libertação das 155 pessoas que eram mantidas reféns no avião.

Libertado na Índia, cruzou a fronteira de volta ao Paquistão, onde casou em dezembro de 2000 e, em novembro do ano passado, teve um filho.

No dia 6 de fevereiro, duas semanas após o desaparecimento de Pearl, a polícia paquistanesa identificou Sheikh Omar como o principal suspeito de tê-lo sequestrado. Preso, teria chegado a admitir seu envolvimento no crime. Como não estava sob juramento ao realizar a confissão, negou depois no tribunal ser culpado pela morte do americano."

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