Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Por lgarcia em 30/10/2002 na edição 196

CORREIO CENSURADO

“Vice da ANJ lamenta censura a jornal”, copyright O Estado de S. Paulo, 28/10/02

“Durante reunião prévia à 58.? Assembléia da SIP, ontem, o vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Mário Gusmão, afirmou que a presença de um censor no Correio Braziliense é o caso mais grave de censura prévia a um jornal na história recente do Brasil, numa escalada de decisões em que os tribunais assumem o papel de censores.

Na quarta-feira, um oficial de Justiça e um advogado da Coligação Frente Brasília Solidária, de apoio à reeleição do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, acompanharam a elaboração da edição do jornal para censurar reportagem que poderia reproduzir o conteúdo de fitas cuja divulgação foi proibida pela Justiça.

?Essa determinação judicial violentou a Constituição e ressuscitou a censura prévia dos lamentáveis anos da ditadura?, disse Gusmão, cujo discurso foi divulgado em nota da ANJ.

Ele alertou, ainda, para a ?necessidade de resistir às ações que tentam abater a liberdade de imprensa? e destacou os recentes assassinatos de Tim Lopes, da Globo, e de Sávio Brandão, dono da Folha do Estado (MT), como fatos ?gravíssimos?, que põem em alerta profissionais, empresários de comunicação e a sociedade, além de ?desafiar as autoridades a coibir com rigor máximo a ação dos que querem implantar um poder paralelo ao Estado legalmente constituído?.”

***

“?Correio? confirma afastamento de seu presidente”, copyright O Estado de S. Paulo, 25/10/02

“O jornal Correio Braziliense confirmou na primeira página de ontem o afastamento de seu presidente, Paulo Cabral de Araújo, pelo condomínio dos Diários Associados, e a demissão do jornalista Ricardo Noblat do cargo de diretor de redação. Noblat sai em solidariedade a Cabral, cuja gestão foi reprovada por 13 dos 19 integrantes da assembléia, da qual ele esperava obter a expulsão do condomínio de seu principal rival no jornal, o vice-presidente Ari Cunha.

Os desentendimentos entre Noblat, Cabral e Cunha começaram quando o jornal adotou linha editorial de oposição ao governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB). Foram agravados com acusações de Cunha contra Noblat.

Cabral reagiu publicando na primeira página do Correio editorial em que convocava assembléia para expulsar Cunha do condomínio. Foi atropelado pelo descontentamento dos condôminos por acordo que fazia com Gilberto Chateaubriand para desistir de ações na Justiça.

A briga judicial gerou o bloqueio dos bens de todos os condôminos, aprofundando a crise financeira do grupo. O clima voltou-se contra Cabral.

Ele decidiu, então, deixar o cargo. Noblat o acompanha.

Ontem, um oficial da Justiça Eleitoral esteve no jornal para conferir o cumprimento de medida judicial que proíbe a divulgação do conteúdo de gravações em que o empresário Pedro Passos, acusado pelo Ministério Público de grilagem de terras públicas, conversa ao telefone com Roriz. O Correio estampou manchete na primeira página dizendo-se censurado ?a pedido de Roriz?. A mesma proibição foi feita ao Jornal de Brasília, principal concorrente do Correio, extensiva ainda a outras fitas em que o empresário conversa com integrantes do PT, entre os quais Hermes de Paula, ex-secretário de Obras de Cristóvam.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nota condenando a proibição ao Correio, mas não fez menção ao Jornal de Brasília. A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) também divulgou nota, considerando a medida da Justiça eleitoral um revés para a liberdade de imprensa. ?A sociedade foi agredida no seu direito de ser informada. A presença física do censor numa redação de jornal pertence a um passado não muito distante que nenhum democrata deseja ver renascido no País.?”

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