Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > DIPLOMA EM XEQUE

Olho no inimigo

Por lgarcia em 18/12/2002 na edição 203

DIPLOMA EM XEQUE

Angelo de Souza (*)

É visível a que servem certos argumentos pela desregulamentação da profissão de jornalista no Brasil, argumentos como os apresentados neste Observatório [edição 201, de 4/12/2002, ver remissões abaixo], vindos de entidades supranacionais e ecléticas como a SIP ou mesmo a insuspeitíssima OEA.

É o mesmo espírito totalizante do liberalismo global, manifesto em leituras estrábicas que embaralham conceitos como liberdade de expressão e controle social do exercício profissional. Olho onipresente a espreitar a chance de fazer da figura do jornalista brasileiro algo mais banal, manipulável e descartável do que, em muitos casos, já é.

O foco da discussão permanece embaçado na condenação ou na defesa de corporativismos anacrônicos, e na proteção de um direito universal em nada arranhado por uma lei, de resto, praticamente inócua (a perder de vista o contingente de estagiários, precários & picaretas em geral, no chapliniano papel de apertadores de parafusos, a reproduzir a engrenagem indomável). Mas o que realmente importa, como diria certo personagem da TV, é a prerrogativa da sociedade de saber a quem responsabilizar ? e a quem parabenizar ? pelos acertos e erros no exercício de uma atividade importante e complexa.

Não se lê nos jornais

Jornalistas com registro, obtido após necessário investimento em específica formação universitária, não podem ser vistos como o mesmo que colaboradores eventuais ou aventureiros serviçais de interesses mesquinhos (entre os quais a própria vaidade, e as conveniências de um patronato tacanho).

Um registro, uma carteira, uma liminar, um parecer. Nada disso define ou qualifica o jornalista. Mas esses papéis e o que está rabiscado neles ajudam a enxergar o que ele não deve ser.

Cada país, cada povo tem a universidade, a imprensa e as leis que fez por merecer. Para merecer um melhor jornalismo é preciso olhar o inimigo do diploma nos olhos e entender o que ele realmente quer. É algo que não se lê nos jornais.

(*) Jornalista, Belém

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