Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > PT & IMPRENSA

Olho vivo nas jogadas pragmáticas

Por lgarcia em 05/06/2002 na edição 175

PT & IMPRENSA

Chico Bruno (*)

"Quércia é inocente de todas as acusações que pesam contra ele até que se prove o contrário." Esta frase de Lula foi estampada em todos os jornais brasileiros na semana passada.

Com extrema rapidez a imprensa, que ainda está censurada, tratou de buscar em seus arquivos declarações do tempo em que Lula e Quércia se xingavam pela mídia. Muitos analistas políticos escreveram que do jeito que as coisas vão não parece impossível que o PT faça mais concessões, para a atingir o objetivo de sentar Lula, em 1? janeiro de 2003, na cadeira de presidente da República.

O que falta à imprensa é ligar o desconfiômetro, pois todas essas atitudes e declarações petistas têm o intuito de faturar espaços generosos no noticiário político pelo Brasil afora. A possível aliança com o PL, por exemplo, é um namoro cativo noticiado quase todos os dias. Todo mundo está careca de saber que não vai dar nem em noivado, pelo simples fato de que é impossível acontecer em vários estados. Na Bahia, o PL é um braço do carlismo de ACM, e em Alagoas é controlado por grupo de colloridos. Portanto, os PTs baiano e alagoano querem distância do PL. O PMDB de Sarney, Quércia e outros menos votados é minoritário, e as convenções já realizadas pelo PMDB demonstram isso. Portanto, não é possível uma aliança.

O PT está jogando para a platéia e utilizando a imprensa para desestabilizar o adversário Serra. Aliás, Lula confirmou a estratégia em recente coletiva que deu no interior de São Paulo. Esse pragmatismo foi incluído no cardápio petista pelo publicitário Duda Mendonça: basta relembrar algumas campanhas feitas por ele no passado para Mário Kertesz, na Bahia, e Paulo Maluf, em São Paulo. Hoje, o PT se utiliza das possíveis alianças pragmáticas que tanto criticou, usando a desculpa (em relação a Quércia) de que o faz para minar a base de apoio de Serra. Essa desculpa demonstra que o PT está disposto a fazer qualquer negócio para ganhar a eleição presidencial. Indica, inclusive, a possibilidade de que os tiros contra Serra possam estar saindo de alguma trincheira petista.

Já é hora de a imprensa selecionar o joio do trigo, principalmente porque todas essas histórias de possíveis alianças do PT não estão sendo muito bem digeridas pelos eleitores. Basta ver as sondagens feitas pelos próprios jornais pela internet. Em 1998, a executiva nacional do PT fez descer goela abaixo dos petistas cariocas uma aliança com Garotinho. Com certeza não vão repetir a dose, pois gato escaldado tem medo de água fria, que o diga a atual governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva.

Aliás, vale lembrar aos jornalistas políticos que foi o grande arco de alianças eleitoreiras à direita que inviabilizou a administração do hoje petista Waldir Pires e o fez renunciar ao governo da Bahia, possibilitando o retorno de ACM em 1990. Portanto, é preciso ligar o desconfiômetro, pois essa história de pragmatismo eleitoral petista pode ser conversa fiada para boi dormir. Para tirar os nove fora, basta perguntar a quem de direito se conhece a situação dos diretórios regionais do PL e do PMDB nos 27 estados brasileiros.

(*) Jornalista

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