Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1024
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Olhos que querem ver

Por lgarcia em 20/08/1997 na edição 28




Treva Branca, como diz Saramago em seu Ensaio sobre a Cegueira, é o que melhor define o clima dos debates sobre a qualidade do ensino universitário, a necessidade de avaliá-lo e especialmente a aplicação do provão. Acabar com esse estado é fundamental. Avaliar nossas escolas, nosso trabalho, a qualidade dos nossos cursos, é urgente. Já passa da hora. A instituição do provão pode ser vista como um bom começo, assim como a implementação do PAIUB – Programa de Avaliação das Universidades Brasileiras. Mas não se pode parar por ai. Aplicar o provão nos cursos superiores, incluindo agora os de Jornalismo onde será aplicado em 7 de junho de 1998, como vem sendo feito, deve ser apenas o ponto de partida para um processo mais amplo de avaliação. Merece aplauso a iniciativa do provão, apesar das falhas cometidas especialmente na forma de divulgação do seu resultado. Agora é preciso avançar nesse processo. Através da sistematização de experiências diversas que vêm sendo implementadas em várias faculdades e escolas de todo o país.


Essa sistematização pode certamente apontar alguns consensos quanto às metodologias, utilizadas, quanto aos melhores períodos para avaliação, (meio/final de ano/semestre letivo), quanto aos processos de ensino x aprendizagem, quanto às formas de discussão e de divulgação dos resultados junto a professores, alunos, pessoal administrativo e sociedade, quanto aos melhores momentos/prazos para se responder às demandas colocadas (infra-estrutura física, laboratorial, condições de trabalho, docente etc.).


Na Faculdade de Comunicação da PUC Minas, por exemplo, vivencia-se um processo de avaliação desde 1991, quando implantou-se O Programa de Avaliação e Melhoria do Ensino.


O programa tem como linha mestra a formação de comunicadores com sólida base intelectual, ética e técnica. Seu objetivo principal é apontar as principais carências e as suas potencialidades dos cursos de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda.


Olhar de fora. O primeiro passo desse processo foi promover o que se chamou de “Um Olhar de Fora” sobre o cotidiano da escola. Contrataram-se dois professores consultores externos, que elaboraram um pré-diagnóstico institucional.


O principal problema detectado foi uma total defasagem do Curso de Comunicação da PUC em relação às novas demandas do mercado de trabalho.


O segundo passo foi o de se promover seminário interno, discutir o pré-diagnóstico e os melhores caminhos para se dar início a um processo permanente de avaliação.


Definiu-se uma série de ações em 1991: cursos para o conjunto dos professores, a constituição de uma comissão de avaliação nomeada pelo reitor, em fevereiro de 1992, que coordenou uma Reformulação Curricular e um grupo de estudos sobre comunicação que também seria responsável por pesquisas e projetos especiais.


Pesquisa realizada pelo Departamento de Comunicação Social em algumas empresas de Belo Horizonte – estatais e privadas – e com empresários da comunicação apontava que o trabalho realizado pelo especialista/técnico não satisfazia mais ao conjunto das necessidades das organizações que conhecem a importância do trabalho planejado de comunicação.


Ver e reparar. No caso específico do Curso de Jornalismo, debates realizados com editores de jornais, rádios, TVs e assessores de imprensa/comunicação reafirmaram a importância da formação básica humanística para o futuro jornalista.


Constatou-se uma vez mais a existência de um descompasso escola/mercado/sociedade. Isso evidentemente prejudicava os profissionais – preparados para uma demanda ultrapassada – que deixavam de ser formados para aproveitar as novas oportunidades que se abriam no mercado de trabalho, especialmente com a tendência de “terceirização de serviços”.


Por tudo isso ficou clara a importância da construção de um novo projeto pedagógico em sintonia com o momento social, que incorporasse outros elementos na formação dos novos comunicadores, dando-lhes uma forte base humanística e técnica, indispensável ao crescimento profissional e a realização de um trabalho sério e competente que a sociedade e o mercado exigem


O documento da reforma curricular do curso destaca que a busca da melhoria do ensino e da excelência não se esgota com uma proposta de reformulação nos currículos, ao contrario, exige um processo maior e deve ser entendida como um instrumento de revisão das metodologias, abordagens e da incrementação de uma mudança mais substantiva.


No curso de Jornalismo a reformulação do currículo ficou assim:


1- Ênfase na formação humanística – considerando aspectos transdisciplinares da comunicação e a importância do aprofundamento dos estudos de outras áreas do conhecimento;


2- Valorização da formação profissional criando um eixo metodológico ascendente, no qual o estudante terá, desde o primeiro períodosemestre, conteúdos programáticos relacionados com as práticas do jornalismo;


3- Entender o jornalismo como sub-campo da comunicação;


4- Oferecimento aos estudantes de oportunidade de realizar, nos projetos experimentais, um aprofundamento das possibilidades de articulação entre os conteúdos disciplinares teóricos e os técnicos – profissionalizantes, criando um espaço de reflexão acadêmica, de experimentação de linguagens e de intervenção social;


5- Racionalização da estrutura curricular, evitando repetições de conteúdos e sobrecarga horária em algumas disciplinas.


Esse eixo ascendente pode ser melhor entendido através dos exemplos que se seguem:




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