Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Onde a vida vale menos

Por lgarcia em 05/10/1999 na edição 76

Edição de Marinilda Carvalho

Há três destaques, em minha opinião, neste Caderno ? dispostos segundo a data de chegada dos e-mails, o que determina a seqüência da publicação:

1) Dois anos atrás um ex-soldado matou 18 pessoas em São Gonçalo do Amarante, Rio Grande do Norte. Eu não sabia, ou não me lembrava. Mas é o que informa a carta do leitor Marcelo Oliveira, “Onde a vida vale menos”. Já se fosse uma matança sazonal americana…

2) O leitor Julio Brant parece dar razão à Veja ? que ironizou o uso de celulares pelos sindicalistas da Marcha dos Cem Mil ? e diz que quem critica o governo não se lembra de quanto custava conseguir telefone. Difícil mesmo é esquecer que com as privatizações fazemos remessas de lucro às matrizes no exterior de US$ 7 bilhões. No tempo do orelhão, eram “só” US$ 700 milhões…

3) Em “Polícia e mídia não apuram”, o leitor José Graça Filho associa o caso PC ao do assassinato do coronel Cerqueira, ex-secretário de polícia no RJ ? “homicídio seguido de suicídio”. Repórteres da Folha desmoralizaram o laudo dos “bambas” de Campinas. No Rio, a criticadíssima perícia técnica, sem condições mínimas de trabalho, é que desmistificou a balela. Mas a imprensa… Tks, tks, tks…

Um abraço, boa leitura!

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Clique sobre o trecho sublinhado para ler a íntegra da notícia

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Aqui no Rio Grande do Norte, na desconhecida cidade de São Gonçalo do Amarante, aproximadamente dois anos atrás um ex-soldado enlouquecido matou 18 pessoas sem o menor motivo e depois foi assassinado. Esta barbaridade ganhou a nível nacional curto espaço nos telejornais e na imprensa escrita. Em algumas retrospectivas do ano o fato não foi sequer mencionado. Será porque as pessoas que morreram eram humildes? O tratamento é diferenciado mesmo. Marcelo Morais de Oliveira

Sobre o caso de Timor e o silêncio de nossa mídia: não consigo saber o que se passa nos pampas argentinos ou no Uruguai, a não ser quando ocorrem por lá grandes tragédias, ou o assunto tem alguma repercussão internacional. Agora estamos preocupados com Timor, e isso é mais do que justo: é obrigatório.

Mas o que acontece com nossa imprensa que não nos informa sobre nossos vizinhos logo ali? Em que ritmo acompanharíamos os acontecimentos de Timor se a ilha fosse um pouco além-Chuí? Saberíamos talvez pelos refugiados no Rio Grande do Sul?

José Carlos Augusto Ferreira

É interessante que em São Paulo todo mundo tenha conhecimento das maracutaias do governo Covas com a tal empresa Tejofran, mas a mídia vem sorrateiramente se calando. A coisa já vem de longa data, com vários rumores sobre a atuação do filho do governador nos bastidores de contratos firmados pela administração pública, vide CDHU. Além do que, o dossiê Caymán ainda não foi desvendado. Sabemos também que embaixo da pele de correto e honesto se esconde uma figura de empresário, cujo antigo sócio hoje é seu secretário dos Transportes, aquele que privatizou as estradas paulistas, sem fiscalizar o cumprimento do acordado quando da privatização.

Vamos atrás das notícias, vamos desvendar os porões do poder, vamos mexer na latrina do Palácio dos Bandeirantes??? Pesquisem qual a razão de o Banco Central na época não aceitar a indicação do atual secretário de Transportes do estado para presidente do Banespa, usem a memória e tentem montar o cenário!!! Grato pela oportunidade de expressar minha indignação com o estado de coisas que vem ocorrendo no estado.

Maira Silva Jardim

Nota do O.I.: O Observatório não faz reportagens, nem factuais nem investigativas. Nosso foco é a crítica do desempenho da mídia no cumprimento de dever de informar. E uma das posturas mais condenadas aqui é o denuncismo sem provas. Talvez por isso ? por não ter provas ? a mídia esteja em silêncio sobre o assunto.

Infelizmente não tenho podido assistir a todos os magníficos Observatórios pela TV Cultura. Não sei se já foram abordados os dois temas implícitos em minha comunicação com a “ombuds” da Folha:

1. A promiscuidade inerente à “modernidade” ? jornais deixaram de ser apenas jornais, pertencem (todos?) a conglomerados econômicos com multiplicidade de interesses em agricultura, indústria, comércio e serviços.

2. O relacionamento dos “ombuds” com a fala do trono, representada nos editoriais [ver abaixo editorial Covas na Internet e a carta-resposta publicada no Painel do Leitor, da Folha]. Abraços,

José Carvalheiro

Alberto Dines comenta: Seria ótimo se todos os que reclamam dos jornais ou discutem com os ombuds nos mandassem suas queixas. A. D.

Carta à Folha

Prezada ombuds,

As revistas científicas mais sérias estão exigindo de seus colaboradores uma declaração de que não existem “conflitos de interesse” para a publicação de seus artigos. Gostaria que nossa ombuds comentasse o editorial de 4 de setembro, a resposta do governador e a Nota da redação. Num caso como esse, premido por exigência ética, o editorialista não deveria deixar claro o conflito entre a empresa que é dona do jornal e a decisão do governo? Vale para qualquer outra notícia. Como podemos acreditar nos editoriais?

José Carvalheiro, assinante

“Covas e a Internet

Quando governos decidem oferecer áreas públicas para exploração por empresas privadas ou distribuir concessões de serviços públicos, a primeira providência é organizar um processo que assegure igualdade de condições a todos os interessados em disputá-las. O governo paulista, no entanto, dá a entender que esse princípio da administração pública não se aplica ao novo mundo da economia eletrônica ou virtual.

“Covas e a Internet”, copyright Folha de S. Paulo, 4/9/99

“Desconhecimento

A busca de apoio em parceiros da iniciativa privada foi sempre uma constante em nosso governo. Essa regra foi confirmada quando tratamos de informatizar as áreas administrativas de 6.000 escolas e garantir laboratórios de informática para 2.500 delas.

Para tanto, o secretário-adjunto da Secretaria da Educação, Hubert Alqueres, esteve nos escritórios do provedor Universo Online (UOL), do Grupo Folha/Abril, no dia 19 de janeiro, quando manteve uma reunião com o Sr. Caio Túlio Costa, diretor-geral dessa empresa. Algumas semanas depois, a Secretaria da Educação recebeu uma proposta do diretor-geral do UOL, fixando o preço de R$ 22 por mês para cada assinatura de acesso, o que significava o custo de R$ 1,32 milhão ao ano para 5.000 acessos ? número correspondente aos alunos da rede pública com capacidade para operar a rede Internet. Mário Covas, governador do Estado de São Paulo (São Paulo, SP)”

Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 11/9/99

“Nota da Redação ? É meritória a preocupação do governador de informatizar a rede pública de ensino e reduzir custos para o Estado. No entanto, as consultas que seu governo realizou junto a diversas empresas não substituem um processo mais transparente de concorrência pública.”
Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 11/9/99

Afinal, quem comprou o Jornal dos Sports? E qual a proposta????

Weber Batista de Oliveira

Nota do O.I.: Segundo o jornalista Ivson Alves de Souza, editor do site Coleguinhas, uni-vos! <www.geocities.com/~ivson>, quem teoricamente comprou o Jornal dos Sports foi o grupo de Omar Rezende Peres, novo dono do Mauá. Ele deu o jornal à filha, Jacqueline, e quem coordena é o jornalista Milton Coelho da Graça. “O que aponta para algo envolvendo política”, diz Ivson, que tratou do tema em várias edições do Coleguinhas.

Parabéns por terem dito todas as verdades sobre esse bando de exploradoras e de babacas que compram a sua baboseira. Solidariedade a Lucélia Santos. Precisamos voltar a acreditar no talento, na seriedade profissional, na cidadania da cultura.

Cecília Prada, jornalista e escritora

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Amigos, o que mais me impressiona é saber que tem muita gente boa fazendo a fama da “bola da vez”. Num país em que a imitação é celebrada, gente como a Galisteu vai estar nas capas das “melhores” revistas do país. Se eu não posso ter o que ela tem, pelo menos vou tê-la como parâmetro. Desejo mimético. Foi isso que os empresários que cuidam da imagem dessa gente descobriram. Quem faz “sucesso” pede: me imitem, porque minha conta bancária melhora. Ainda bem que mais uma ridícula chamada Carol Escarpa não emplacou.

Wellington Ramos, cientista da religião e filósofo

Fico feliz em saber que no meio de tanta besteira que a Internet nos traz existem pessoas como vocês que fazem um trabalho sério, que acrescenta e muito ao nosso conhecimento, principalmente no assunto “Quarto Poder”.

Alex Souza

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Estou acompanhando o Observatório da Imprensa há algum tempo, e tenho uma reclamação a fazer. O tempo do programa é muito curto e a freqüência é pouca. Sou estudante de Jornalismo no Centro Universitário de Votuporanga, no período noturno. Na maioria das vezes não consigo assistir ao programa, porque quando chego em casa já acabou!!! Além dos profissionais da área de Comunicação, o programa está conseguindo atingir uma nova camada de telespectadores. Portanto, acho que já é tempo de romper novamente as barreiras: por que não fazer um programa diário? Parabéns pela coragem!

Edson Gatto

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Gostaria de agradecer pelo excelente programa Observatório da Imprensa na TV, exibido todas as terças-feiras. Principalmente pelo de 21/9/99, no qual o entrevistado foi Jô Soares. Que o sucesso sempre esteja com vocês.

Marcus Eustáquio Machado, Belo Horizonte

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Às vezes me sinto uma ET diante de certos fatos: produção independente da Xuxa, Adriane Galisteu e o caso dos grampos telefônicos, e a posição da imprensa em relação a tudo isto. É um grande alívio ler, ver e ouvir o Observatório da Imprensa e saber que há pessoas sensatas que pensam e fazem crítica séria. Mas é preciso maior visibilidade e divulgação!!!

Erzsebet Mangucci

Por trás de cada fato publicado nos jornais, nas revistas ou na Internet pode haver um mundo desmoronando. O que para nós, meros leitores, serve apenas como informação (e levamos pouco tempo para nos atualizar diariamente e compreender o que ocorre ao nosso redor), para outros há uma eternização destes terríveis momentos que parecem jamais terminar. Fico a me questionar qual seria a verdadeira função de um profissional do jornalismo, que tem o poder, talvez dos deuses clássicos, de engrandecer cidadãos anônimos, quando os fatos assim o permitem; ao mesmo tempo em que podem destruir os sobreviventes deste caótico mundo.

Que poder é este que os jornalistas têm, capaz de entrar em nossas casas com fatos tão cruéis e, tão raramente, com algo próximo do humano que deveria existir em todos nós?

Não faço aqui uma crítica destrutiva, porque acredito no jornalismo e dele faço uso para compreender o momento e fazer uma projeção para o meu futuro. Tampouco minha crítica se estende aos jornalistas, porque neles acredito e, mais que tudo, acredito nos bons profissionais.

Quero saber um pouco mais a respeito das realizações grandiosas dos cidadãos brasileiros e do exterior, anônimos, que, certamente, são os que contribuem e muito com esta “máquina” que conhecemos com o nome de “mundo”. Falta-me encontrar nestes meios de comunicação a humanidade.

Se o jornalismo realmente tem este poder dos deuses, gostaria de que lembrassem de nós, que estamos do outro lado da informação. Que trouxessem as boas realizações que esta humanidade ainda é capaz de executar. Fatos positivos e saudáveis para os nossos momentos de desânimo, que nos dêem força para continuar lutando. Que os jornalistas assumam, também, o papel de detetives a fim de encontrar estas estimulantes realizações da humanidade.

Gisele Novas

Não sei se já divulgaram neste Observatório, mas existe uma fundação muito interessante que promove oficinas para o aperfeiçoamento técnico e ético de jornalistas da América Latina. É a Fundación para un Nuevo Periodismo Ibero-Americano, fundada por Gabriel García Márquez em Cartagena, na Colômbia. Os temas variam de crônica jornalística e reportagem a cursos para editores sobre ética e cadernos especiais.

Participei de um desses no começo do ano que me enriqueceu bastante, fora a troca com profissionais de outros veículos e a discussão informal sobre imprensa que se dá nos corredores. Os cursos são abertos para qualquer jornalista que se interessar. Basta enviar os documentos requisitados para passar pela seleção deles (nada assustadora, avaliam currículo, idade, interesses etc.). As oficinas duram, geralmente, uma semana, e custam em torno de US$ 500, mais despesas de viagem (eles têm convênios com alguns hotéis), mas os veículos podem ajudar a bancar o desenvolvimento de seus profissionais

A oportunidade, embora um pouco salgada, talvez possa interessar aos colegas jornalistas em busca de aperfeiçoamento e questionamento da profissão. A página deles na Internet é <www.fnpi.org>, caso se interessem em divulgar.

Paula Pereira

Sobre o artigo de Mauro Malin (Folha & The Economist, Pinça, che ti fa bene) [ver remissão abaixo], faço os seguintes comentários:

A revista Veja também é maestrina em colocar posições editorialistas em suas reportagens, só que no lado oposto às da Folha. Sempre que leio o semanário me pergunto, ao chegar ao final de uma matéria: “Afinal, isto é reportagem ou editorial?” Entretanto, ainda não vi o autor do supracitado artigo pedir demissão do Conselho Editorial de Veja. (Às vezes, desconfio de que seja o próprio Conselho quem faz as matérias).

Já o trecho da Economist reproduzido pela Folha era justamente aquele que interessava à matéria: a impopularidade do presidente vista pela mídia internacional. Tenho a opinião de que a Folha é um dos únicos órgãos de imprensa que mantêm as características do bom jornalismo, que são independência e crítica.

Rafael Ramos Ribeiro

É gozado mesmo ver alguns criticando o processo de privatização instaurado em nosso governo. Gostaria de lembrar a todos que criticam o governo FHC apenas uma coisa: por mais que se critique, neste período o país avançou mais do que em qualquer outro de nossa história. É realmente engraçado ver todos criticarem algo de que hoje usufruem. Só para lembrar: alguém por aí se recorda de como era “fácil” conseguir um telefone, seja qual for? Acho que esquecemos. Aliás, não é à toa que dizem que temos memória fraca (mas só para aquilo que não nos interessa).

Julio Brant

Concordo com Alberto Dines sobre a insignificância das matérias publicadas a respeito dos 30 anos do Jornal Nacional. O telejornal é, sem dúvida, um dos produtos mais importantes da mídia brasileira, e por essa razão já foi tema de várias dissertações e teses. Será que o Observatório não teria interesse em, de alguma forma, divulgar esses estudos?

Guilherme Jorge de Rezende

Nota do O.I.: Na edição anterior do O.I., publicamos o estudo Jornal Nacional, antes e depois de Cid Moreira, de Mauro P. Porto [ver remissão abaixo].

Em recente O.I. transmitido pela TVE do Rio de Janeiro tratou-se da morte de PC Farias. Assassinato seguido de suicídio ou assassinato+assassinato seguidos de omissões e interesse em deturpar os fatos verdadeiros? Muito se falou, muito se tem falado (faz tempo) e muito se falará a respeito do assunto.

Sinto no ar do Rio de Janeiro (mais concretamente, ao lado das Termas Aeroporto) um clima semelhante. Tenho visto, ao longo de meus 61 anos de idade, que é sempre um desequilibrado mental o autor de crimes contra determinadas figuras de alguma projeção. O que nem sempre tem correspondido à realidade dos fatos.

Após o assassinato do coronel Cerqueira, a expressão “assassinato seguido de suicídio” foi usada à larga por nossos policiais pouquíssimo tempo após a tragédia, e coonestada pelas autoridades estaduais e outras figuras de projeção (uma das quais, ao que parece, participou do debate sobre a morte de PC Farias na TVE, apenas com opinião diferente da que defende com relação à morte do coronel). Isso está incomodando meus ouvidos e minha sensibilidade. Conversas de esquina estão fazendo com que eu comece a ter dúvidas quanto à conclusão partilhada (rapidamente) pelas autoridades.

Não caberia à imprensa de boa qualidade pesquisar um pouco mais a questão?

José Graça Filho

Nota do O.I.: O leitor, que nos escreveu em 19/9, estava absolutamente certo. O sargento ? “um desequilibrado que teria matado o coronel e se suicidado em seguida”, como disse a polícia e a imprensa acreditou ? morreu em 28/9. O exame de balística revelou que a bala retirada de sua cabeça não era igual às encontradas no corpo do coronel Cerqueira. Eram de armas diferentes. Portanto, uma terceira pessoa matou o coronel ? e o sargento. A polícia tem assim dois crimes para investigar. E a imprensa também.

Sugestão: por que não reunir editores e diretores de jornais culturais, que aos montes estão pipocando pelo país? Um grande abraço, e parabéns pelo belo trabalho que esta equipe está desenvolvendo pelo crescimento e a valorização da noticia.

Edézio Paz

Sabem quem está namorando o Ciro Gomes?

A Veja!

Spacca

Meu nome é Rafael Ramos Ribeiro e sou estudante de Jornalismo, na Facha (RJ). Há muito acompanho o Observatório da Imprensa na TV, mas somente agora conheci-o na Internet ? e fiquei positivamente espantado com a qualidade e o capricho do trabalho. Escrevo para, além de parabenizar toda a equipe, pedir um “socorro”: tenho o desejo de criar na Internet um espaço voltado para os estudantes universitários. Levei a idéia adiante e me sugeriram que a página na web fosse, na verdade, um “intercâmbio” entre os estudantes de Comunicação de todo o país. Um espaço onde colocaríamos opiniões e análises sobre os meios de comunicação de hoje (o papel que exerce, o que deveria exercer…). A página seria, então, um grande debate sobre as idéias de quem estará, num futuro próximo, na mídia. Debates os quais seriam enriquecidos com a participação de jornalistas e professores, que vivem o dia-a-dia da Comunicação.

Fiquei empolgado com o projeto, até perceber sua semelhança com o Observatório (tanto o da TV como o da Rede). Embora sabendo do espaço que o site do Observatório reserva aos estudantes, à fala universitária ? espaço que poderia ser mais desenvolvido ?, gostaria de seguir em frente com a idéia surgida numa reunião informal entre alunos da Facha.

Assim, pergunto: existe algum impedimento moral e/ou legal para que o projeto do site (ainda sem nome), integrando os estudantes de Comunicação, tenha continuidade? A rigor, o “espírito” da nossa página seria o mesmo do Observatório: o estímulo ao debate sobre a mídia, só que vista por quem vai encará-la amanhã.

Rafael Ramos Ribeiro

Nota do O.I.: Nenhum impedimento, pelo contrário: desejamos sucesso total! E não esqueça de nos mandar o endereço, para divulgarmos o site. Propomos até que vocês integrem a Rede Nacional de Observatórios da Imprensa (Renoi), uma iniciativa que depende de projetos como este para ganhar corpo e dar frutos.

Gostaria, se possível, de assistir a um debate sobre a “imprensa marrom”, que em cidades do interior se entrega a políticos e lideranças, manipulando informações afim de conquistar patrocinadores e vantagens. É verdade que existe uma lei garantindo à imprensa local prioridade para as “publicações legais” do município, que seria suficiente para manter esses pequenos jornais e revistas?

A maioria dos jornais do interior é movida pela vaidade de seus proprietários, mais do que pelas notícias que realmente interessa a população. Por que os grandes escândalos nas pequenas cidades são abafados pelos jornais locais, que apóiam a prefeitura (muitas vezes de propriedade de vereadores)?

Daniel Domingos da Silva, 33 anos, designer gráfico, diagramador, editor, Praia Grande, SP

Fiquei perplexo ao ler a coluna de Alberto Dines “História, maneiras de usar”, publicada pelo JB e outros jornais no sábado, 18 de setembro.

Fiquei com a impressão de que Dines não lê o Observatório. Pelo menos não leu meu artigo sobre a mudança do Dia da Imprensa. Se o tivesse feito, provavelmente não cometeria os erros que cometeu ? não apenas de avaliação, mas factuais. Senão, vejamos:

1) Hipólito não pode ser considerado gaúcho. O projeto do deputado Marchezan, isto sim, foi uma “gauchada”. Ele, a Associação Rio-Grandense de Imprensa e tantos outros em meu estado têm uma visão um tanto elástica do termo. Hipólito nasceu em Colônia do Sacramento. Na época o gentílico de quem nascia no Sul do Brasil ainda não era esse. Hoje, seria uruguaio. As implicações disso, no que se refere à nacionalidade dos editores para efeitos do artigo 222 da Constituição, é outra questão.

2) Dines comprou gato por lebre, assim como Marchezan (adotando a versão da Associação Rio-Grandense de Imprensa) ao afirmar que Hipólito “contribuiu para a nossa emancipação…” Como demonstrei, citando a antologia do Correio Braziliense compilada pelo doutor Barbosa Lima Sobrino, Hipólito era contra a Independência do Brasil, o que é confirmado por outros biógrafos, inclusive Carlos Rizzini. Aliás, alguns dos biógrafos, além de apontar a oposição do editor do Correio Braziliense à independência, sustentam que ele “tomava algum” de D. João VI. É algo que deveria ser apurado pelos historiadores. É certo, contudo, que recebia subsídios ingleses. Por essas e por outras, é difícil sustentar, como afirma Dines, que “a partir de agora temos paradigma e patriarca mais edificantes para estudar. E inspirar”.

No que me diz respeito, como jornalista seguirei tendo outros paradigmas e patriarcas como fonte de inspiração, como apontei em meu texto.

Para finalizar: na coluna, Dines dá um puxão de orelhas nos departamentos de Relações Públicas que enviaram felicitações pela passagem do Dia da Imprensa em 10 de setembro, data que foi alterada em função do projeto do deputado Marchezan. Só há um problema: O pessoal do RP enviou os cartões, e-mails etc. presumivelmente antes do dia 10/9. Estavam corretos, já que o projeto só foi sancionado pelo presidente da República no dia 13/9 (e se FHC tivesse vetado a mudança? ficaríamos órfãos, ou melhor sem efeméride! Trágico, não?).

Além disso, como afirma o próprio Dines, a nova data só passa a valer a partir do ano 2000. Nada mais havendo, despeço-me desejando antecipadamente um feliz 1? de Junho de 2000, certo de que o Brasil festejará condignamente o patriota Hippolyto Joseph da Costa Pereira Furtado de Mendonça com brados de “Glória Eterna ao amado patriarca!” Atenciosamente,

Carlos Muller

Alberto Dines responde: Costumo escolher as pessoas e as causas sobre as quais quero polemizar. Aos interessados em conhecer sem picuinhas e ressentimentos o que foi o Correio Braziliense e quem foi seu fundador, Hipólito da Costa, sugiro que aguardem a republicação facsimilada do primeiro volume (1808-1809) do nosso primeiro periódico organizada por este Observador com o selo da Imprensa Oficial do Estado de S.Paulo. A.D.

Desabaram minhas tranças. Ao pesquisar a Caras na Internet (atitude profundamente universitária, trabalho acadêmico. Juro!) encontrei Carlos Heitor Cony fazendo “caras” e bocas para fotos em algum castelo francês e publicando artigo. [ver remissão abaixo para artigo a esse respeito publicado na edição anterior] E o pior, ele, lá no meio do texto, diz assim: “Em tempos de comunicação massiva, de realidades virtuais, aos poucos nos habituamos a viver de mentirinha, morando de mentirinha, até mesmo amando de mentirinha.”

Será que ele não sabe que a revista na qual escreve dá as suas mentirinhas também? “Que” que deu no Cony, hein? Ele quer virar Paulo Coelho? De dia é Maria (escrevendo como um dos principais colunistas da Folha), de noite é João (na Caras!).

Israel de Castro, aluno de Comunicação Social

Por dever de ofício e obrigação profissional, participei do Maximídia 99, em São Paulo. Audiência e qualidade foi o tema tratado no evento por Miguel Jorge, Aluízio Maranhão, Jorge Cunha Lima e Carlos Massa, vulgo Ratinho. O debate acabou polarizado entre Miguel Jorge e o roedor do SBT, que acabou se revelando em sua inteireza fascistóide: atacou os intelectuais e as grandes empresas, arvorando-se em paladino dos pobres e oprimidos. Para meu espanto, boa parte da platéia aplaudiu a ratazana e vaiou Miguel Jorge.

Desde o período do chamado Milagre Brasileiro, passando pela vigência da Lei de Gerson, a opinião pública e, particularmente, as agências de propaganda e até teóricos e acadêmicos passaram a utilizar indiscriminadamente o termo “comunicadores”, aplicado a qualquer picareta que consiga algo mais que um traço em nível de audiência. Quando esse nível é tão expressivo quanto o desses animadores de programas ditos populares, aí então são elevados à categoria de gênios.

Sei que o assunto é um vespeiro de dar medo, mas o Observatório da Imprensa poderia encarar a polêmica que inevitavelmente vai se armar. [ver remissão abaixo para artigos publicados na mídia sobre o assunto]

Orlando Maretti

A imprensa não deveria acompanhar os processos em estudo ou em andamento? Concordamos, Dom Malan, nosso vice-rei, e acreditamos que a história teria muito a perder se todos fossem informados com antecedência de fatos decididos, tais como o bombardeio de Pearl Harbour, a “Noite dos Cristais”, a “Revolução de 1964”, o bombardeio do Japão após este, praticamente, não ter mais máquina de guerra, a invasão da Tcheco-Eslováquia (não sei se é assim que se escreve, não fui previamente informado), a desvalorização do dólar (eu disse “todos” informados!!!), o massacre do Carandiru, o excelente plano de desmantelamento da indústria brasileira, a feliz idéia de vender empresas em reais e a prazo, para amortecer dívidas em dólar infladas por uma política de juros muito inteligente.

Quanto a Dom Mendonça, nosso duque caído em desgraça, realmente vivemos um momento de muito constrangimento com a imprensa. Imaginem o absurdo: tem sido diariamente noticiado um grande desemprego (só um terço dos meus amigos está desempregado!); uma brutal transferência de renda das classes baixa e média para os grandes capitalistas (mentira, só estou ganhando, em termos reais ? US$ ? um terço do que ganhava em 1996) e um aumento assustador da criminalidade (por que será?).

Realmente, esta imprensa não tem jeito.

Um abraço para os Senhores Fidalgos do Brazil e que tenham todos uma boa morte, com uma feliz estada no inferno.

José Afonso Renna de Queiroz

 

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