Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > DOSSIÊ PERFÍDIA

Orgulho baiano

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

CARTAS

DOSSIÊ PERFÍDIA

Novamente Alberto Dines nos dá uma aula de imprensa, de independência e texto perfeito. Sobre o complô, pouco restou a dizer depois de seu artigo. Este complô do silêncio existe e é enorme na Bahia. Recentemente estive em Salvador e constatei que as livrarias grandes, como Civilização Brasileira e Siciliano, estão ignorando o livro de João Carlos Teixeira Gomes. Comprei o meu pela internet, na Saraiva. Na imprensa estadual, A Tarde, Tribuna da Bahia e A Região mantêm uma postura independente e divulgam o livro. Quanto ao Correio da Bahia, nem você nem o editor precisam se preocupar. Trata-se de um jornaleco de leitura ridiculamente pequena e vendagem pífia. Aqui no sul da Bahia faço o que posso para divulgar e dar conhecimento sobre ele a meus leitores e ouvintes, por meio do jornal A Região e da Morena FM, além de nossos sites na internet. Não é muito, mas cumpro meu papel com orgulho.

Este livro tem algo de especial para mim. Ao ler Memórias das Trevas senti-me como se estivesse lendo a própria história de A Região, igualmente perseguido e pressionado por ACM desde os anos 80. Verbas estaduais? Nem pensar. Anunciantes pressionados e ameaçados. Processos constantes na Justiça, recados ameaçadores, fúria fiscal e, finalmente meu pai assassinado em janeiro de 98 (todos os indícios levam ao grupo carlista e o inquérito vem sendo manipulado de forma vergonhosa e escancarada – o delegado encarregado do caso chegou a declarar, em programa de rádio, que trabalha "para a satisfação" do principal suspeito de mandante, o representante de ACM na região.

Teixeira Gomes escapou de um destino como este, mas imagino, lendo o livro, o quanto a perseguição carlista lhe custou em nervos e tranqüilidade de vida. O livro incomoda porque reúne, pela primeira vez, muito do que se sabia de ACM. Porém sequer chega a resvalar no iceberg. Para isto seria preciso não um livro, mas uma enciclopédia inteira.

Sobre a entrevista de Teixeira no O. I. da TV, endosso sua decisão e apenas acrescento que há jornalistas que iriam ao programa sem medo. Apenas os convites acabaram caindo em outros não tão destemidos. Obrigado por manter um trabalho tão digno e importante para a imprensa brasileira. Abraços do admirador,

Marcel Leal, RedeMorena.com.br

 

Caro Dines, enquanto alguém possuir, em nosso país, um tipo de poder capaz de afugentar sete jornalistas de um programa de TV que iria comentar um livro (não li) sobre o senador Antonio Carlos Magalhães, eu me permito duvidar por completo de que estejamos num regime democrático. Se sete entre oito profissionais da imprensa se sentem constrangidos a comparecer ao programa para abordar, de forma isenta, o referido livro, não posso imaginar, no campo da censura, o que se passa nas redações dos grandes jornais brasileiros.

Aceite minha solidariedade e releve meu desânimo cada vez mais acentuado em relação a nossa mídia. Obrigado.

José Rosa Filho

 

Está certo, não foi um ato de censura o cancelamento do programa que teria a participação do jornalista João Carlos Teixeira Gomes, mas convenhamos, chegou muito perto… A verdade é que nenhum jornalista, nem o OI, tem coragem de "peitar" o coronel ACM. Aguardo a presença do jornalista nos próximos programas, pois agora as cerimônias de posse de Fernando Barbosa Lima já aconteceram.

Marcia Meireles

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