Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > SEMINÁRIO VEIGA DE ALMEIDA

Os desafios da comunicação contemporânea

Por lgarcia em 11/12/2002 na edição 202

SEMINÁRIO VEIGA DE ALMEIDA

Antonio Queiroga (*)

No primeiro semestre de 2002, quando a coordenação do curso de Comunicação Social da Universidade Veiga de Almeida planejava a realização do seminário "Desafios da Comunicação Contemporânea", o objetivo principal era aproveitar o grande potencial de pensamento crítico dos cerca de 35 professores do curso para discutir temas atuais da comunicação. Entendemos que um curso superior de bom nível não pode prescindir de pensar seu objeto de ensino. A universidade é um espaço de crítica independente e cabe aos professores iniciar os alunos nessa difícil tarefa.

Os debates só vieram a se concretizar no início do segundo semestre; em agosto foram realizados, com muito sucesso entre os alunos, as duas versões do evento: "Desafios do Jornalismo Contemporâneo" e "Desafios da Publicidade Contemporânea". Em resumo, foi pedido a alguns professores do curso que apontassem um tema dentro de seus campos de estudo. Os pontos escolhidos deveriam representar desafios importantes para a comunicação contemporânea, e não se teria a preocupação de apontar saídas, mas sim, apenas, levantar a questão. Aqui está o resultado da área de Jornalismo.

A professora Alda de Almeida, no artigo intitulado "As novas tecnologias e a crise do jornalismo", aborda as importantes, mas também perigosas, relações entre os jornalistas e as novas tecnologias. O destaque fica para a tendência preocupante de substituição da atividade de reportagem "clássica" pela reportagem feita através de outros meios, sem que o jornalista saia da redação. A internet e as inúmeras agências noticiosas são algumas dessas ferramentas que fragilizam a reportagem hoje.

Também fazendo eco com a inserção cada vez maior da tecnologia no dia-a-dia do jornalista, a professora Luiza Cruz aponta, em um mundo cada vez mais integrado e onde a informação circula em ritmo digital, para o surgimento de um novo tipo de jornalista, aquele que não vai mais trabalhar apenas para uma mídia, mas produzir informação que será distribuída por vários meios ao mesmo tempo.

Ao lado da questão da tecnologia, permanece atual o grande desafio da ética no jornalismo. Este é o foco do texto da professora Maristela Fittipaldi. Para ela, é preciso "reconhecer a necessidade de reflexão e questionamento ético que deve haver ao longo de todo o fazer jornalístico…". Para nós, se há um tema pertinente a qualquer tempo e lugar este é a ética, desafio diário para todo jornalista.

Por fim, no texto que assino, procuro comentar um aspecto crítico para o jornalismo atual: em ponto de vista mais amplo, minha preocupação é com o crescente papel da atividade jornalística como intérprete privilegiado de um mundo cada vez mais complexo. O desafio é tornar inteligível uma realidade especializada, mutante, fluida, para uma massa heterogênea e necessitada de informação esclarecedora, o seu público-leitor.

Alunos, professores e interessados em jornalismo têm aqui uma pequena mostra dos novos horizontes que todos os jornalistas, na sua atividade diária nas redações, vão precisar lidar nos dias de hoje e nos de amanhã também.

(*) Coordenador do Curso de Comunicação Social da Universidade Veiga de Almeida; mestre pela ECO/UFRJ

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