Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > CENSURA TOGADA / DEPOIMENTOS

Os riscos do silêncio

Por lgarcia em 01/01/2003 na edição 205

CENSURA TOGADA / DEPOIMENTOS

Mário Augusto Jakobskind (*)

É lamentável que nesta altura do campeonato, depois de tudo que passamos ao longo de anos e anos de arbítrio, e quando pensávamos que caminhávamos de vento em popa em matéria de liberdades, ocorra uma proibição do gênero.

Mais um motivo para nós, jornalistas, e todos os cidadãos brasileiros, redobrarmos nossa vigilância para que não ocorram mais retrocessos, também, por exemplo, do tipo que Garotinho tentou impor sobre a CartaCapital, de Mino Carta. E para que não fiquemos apenas na base do verbo resmungar, cabe a cada um de nós exigir de nossas entidades, ABI, sindicatos, Fenaj, que estejam atentas para evitar retrocessos. Hoje é uma juíza, amanhã (Deus nos livre!) poderá ser um major ou coronel. O silêncio e a omissão, a que o sistema tenta induzir, contribuem. Saudações, sempre democráticas.

(*) Jornalista

 

Orlando Lemos (*)

A grande esperteza é tirar as coisas aos poucos. Se você tirar uma quantia muito grande, por exemplo, a vítima logo perceberá. Mas tire centavos, pequenas notas e é bem capaz de a vítima ainda lhe dar uns trocados, sinal de gratidão. O Brasil sofre (no sentido lato) esta situação atualmente, pois a pouco e pouco vão tirando da cidadania seus direitos, suas conquistas, seus poderes.

Este mais recente caso da censura prévia é outro quinhão que se retira não da imprensa, mas do povo, a quem a imprensa tem o dever profissional e ético de informar. Mas tiram 0,38% do dinheiro que movimentamos, tiram nosso direito ao sigilo bancário, ao cruzarem os dados da CPMF com os da movimentação das contas (nem os militares fizeram isso), tiram a liberdade de associação de partidos, nas vésperas da eleição, tiram as conquistas da CLT. Aos poucos, imobilizando, o sistema vai se apoderando de cada um de nós.

Ditadura não é um monolito que signifique apenas cerceamento político. Já escrevi aqui neste Observatório um artigo sobre a ditadura econômica sob a qual vivemos, na qual pode-se até jogar um ovo nos ministros, mas onde o dinheiro para comprar o ovo?

Golpe institucional é uma das facetas mais horríveis desta usurpação de direitos da cidadania. Porque é tudo legal, está tudo nas brechas da legislação. Mas não é moral. Golpe institucional é uma Aids das instituições, uma imunodeficiência não adquirida, mas imposta, inoculada.

Para ficar elegante, resolvi recorrer ao Aurélio e sondar como ele descreve ditadura. "1.Forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos de um indivíduo, dum grupo, duma assembléia, dum partido, ou duma classe. 2. Qualquer regime de governo que cerceia ou suprime as liberdades individuais".

Que essas liminares caiam. Que volte o respeito aos direitos do cidadão, a maior autoridade em qualquer democracia.

(*) Jornalista e tradutor

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