Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > jornalismo humanista

Otto Lara Resende (1922-1992…2002)

Por lgarcia em 01/01/2003 na edição 205

MEMÓRIA

Alberto Dines

No dia 1? de maio de 2002 a imprensa brasileira deveria estar comemorando, em grande estilo, os 80 anos do nascimento do grande jornalista, grande escritor, grande intelectual, grande figura, agora grande ausente que atende pelo nome de Otto Lara Resende. Infelizmente, morreu há quase uma década (28/12/92) e, além do merecido tributo, temos que nos contentar com a grande saudade.

Figura ímpar na imprensa e nas letras, poucos como ele conseguiram harmonizar de forma tão perfeita as duas devoções. Soberbo prosador nas crônicas de jornal, na volumosa correspondência diária e nas conversas. Menos no telefone, que detestava. Certamente também detestaria a internet porque carta para ele precisava ser despachada pelo correio, com selo colado, mesmo que o destinatário trabalhasse a poucos metros ou morasse no mesmo quarteirão.

Suas cartas ou textos jornalísticos eram datilografados sem uma correção ? fluência e clareza absoluta no pensar e no escrever. Cultura clássica sólida, domínio primoroso do vernáculo, inglês, francês, memória fabulosa, senso de humor incrível, enorme facilidade para indignar-se. Nenhuma para odiar.

Ensinava com a facilidade de quem respira ? filho de um grande educador, estava no sangue. Lecionava no café, no carro, na redação e na sala de aula ? a moçada ficava de boca aberta, incapaz de absorver tanta coisa oferecida com tamanha generosidade.

Jornalista completo: repórter político (num tempo em que repórter ia todos os dias à Câmara e ao Senado e não ficava "analisando"), redator, diretor de revistas (sua fase na Manchete foi decisiva), diretor de jornal (Jornal do Brasil), apresentador de TV, diretor de uma rede nacional de TV em sua melhor fase (Rede Globo, período Walter Clark) e articulista diário (Folha de S.Paulo). Pauteiro nato, estava sempre abastecendo os amigos em diferentes redações com idéias fabulosas, desenvolvidas com todos os detalhes.

Dizem que inventou a "mineiridade". É pouco, ele recriou a amizade. Foi o melhor amigo de uma multidão de amigos. Dava-se a todos, entregava-se, dividia-se, não cobrava.

Otto Lara Resende é a representação do jornalismo humanista. Talvez não houvesse outro antes dele mas certamente é o seu paradigma.


O tributo a Otto Lara Resende apresentado na edição do Observatório da Imprensa na TVE-TV Cultura em 30/4 será reprisado normalmente no sábado, 4/5, às 18 horas, pela TVE (rede aberta ou assinatura).



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