Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

PRIMEIRAS EDIçõES > ENTREVISTA/LÚCIO RIBEIRO

Out!, o mapa dos embalos paulistanos

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

ENTREVISTA/LÚCIO RIBEIRO

Rodney Brocanelli (*)

Dono de uma das mais comentadas colunas da internet, na Folha Online, o jornalista especializado em cultura pop Lúcio Ribeiro resolveu entrar para o mundo editorial, só que com proposta diferente. Em vez da tradicional revista de música como as que se vêem por aí, optou pelo caminho do serviço. A Out! é um guia para quem curte os embalos noturnos de São Paulo, com distribuição gratuita em pontos cuidadosamente escolhidos. Lúcio, também repórter e subeditor da Capricho e colaborador da Ilustrada, da Folha, diz que o principal desafio da Out! é conseguir anunciantes. "A cada dia descubro manhas e artimanhas desse mundo da publicidade", conta. "Estamos no terceiro número, e vou aprendendo sempre uma coisa nova para tentar atrair anunciantes."

Nesta entrevista, entre vários temas, Lúcio comenta também o jornalismo de picaretagem, igualmente presente na área cultural. Há vários casos na grande imprensa, diz, "mas são coisas isoladas". Abaixo, os principais trechos da entrevista.

O que levou você a fazer um guia e não uma revista de música?

Lúcio Ribeiro ? Revista de música no Brasil eu acho complicado. Deve-se ter uma idéia arejada para o mercado viciado (ou não-mercado brasileiro) de revistas. Aqui não temos uma indústria de música, tudo aqui é meio jogado. Existem gravadoras, existem rádios, existem lançamentos de discos, existem bandas, mas não há uma indústria musical. Ou se tem uma idéia razoavelmente boa para uma revista de música ou se está fadado a ir pelo sonho, pela garra de uma coisa que não faz parte de uma cultura musical. Às vezes acontecem uns picos bons, mas não dá para sobreviver num país que vive uma situação econômica instável como a nossa. A Out! nasceu de uma idéia que eu tive quando vi uma revista similar em Nova York, jogada no cantinho de uma loja de discos. O nome dela é Flyer, até por trabalhar com a cultura flyer, e também pelo tamanho. Na época, isso foi em 2000, pensei que poderia ser legal que tivéssemos algo semelhante, só que voltado para a música eletrônica.

Qual a abrangência da Out!?

LR ? Vai circular apenas em São Paulo, em lojas de discos, clubes, bares, alguns restaurantes, lojas de acessórios para roupas, cabeleireiros da Galeria Ouro Fino. A tiragem é de 30 mil exemplares, distribuição gratuita, algo grande para uma revista desse porte.

E como está sendo o retorno comercial?

LR ? A Out! ainda está no começo e todo começo é muito difícil, existem altos e baixos. Estamos no terceiro número e ela consegue se pagar. Enquanto o guia não onerar muito o meu bolso e dos meus sócios, tudo bem. Não é uma publicação cara e ela ainda tem uma certa vida. Cada número é uma emoção, como tudo aqui no Brasil, principalmente no ramo de revistas.

Que tipo de anunciante vocês pretendem focalizar?

LR ? O guia pode ter todo tipo de anúncio, desde remédio que vai curar a dor de cabeça depois da balada até carro feito para levar a galera aos lugares. Na verdade eu sou a equipe comercial da Out! Tenho ajuda de um amigo e peguei consultoria de outros amigos publicitários bem colocados no mercado. Quando expliquei o projeto, eles disseram que o melhor contato comercial era eu mesmo

E a equipe que produz o guia?

LR ? Além de mim, o João Carlos De Pinho, responsável pela produção. Ele monta o guia no computador, faz o contato com a gráfica, entre outras coisas. Entrou para a equipe o Rogério Andrade, encarregado da edição visual e ajuda nos contatos com o mercado publicitário. Nossa sede é na casa do João Carlos e nos reunimos lá apenas uma vez por semana para o fechamento. Tem dois meninos na equipe que vão mexendo na atualização da agenda de eventos. E eu vou criando as pautas e convidando pessoas para escrever.

O que é necessário ainda aprimorar?

LR ? A Out! ainda está nascendo e eu não sou publicitário. A cada dia descubro manhas e artimanhas desse mundo da publicidade. Nós estamos no terceiro número e vou aprendendo sempre uma coisa nova para tentar atrair anunciantes. Ficamos adiando o lançamento e chegamos num momento em que tínhamos de colocá-la na rua, nem que fosse para ver como é, para ver se ela acontece. Assumimos alguns riscos, mas demos sorte logo na primeira edição e conseguimos anunciantes que cobriram os custos e ainda nos deram uma folga para as edições seguintes.

Você crê que o formato guia é mais interessante do ponto de vista mercadológico? É mais fácil de criar uma identificação com o leitor?

LR ? É um formato inédito aqui. Ele é atraente porque é único e não-convencional. Quando a distribuímos ela some. As pessoas não jogam fora. São dois os seus sustentáculos: um é o do serviço, que não existe por aqui. Não há uma programação decente para consulta de endereços e mesmo de eventos. O leitor vive da Veja em São Paulo, do Guia da Folha, que saí às sextas-feiras, que é uma coisa insípida. Outra coisa que a sustenta é a parte cult de eu chamar pessoas legais para colaborar, de tentar abordagens diferentes. Na segunda edição, chamei o estilista Marcelo Sommer para fazer a capa e ele tem um nome forte na cena noturna. Chamei também a Claudia Assef, o André Barcinski… O Zeca Camargo tocou na festa de lançamento e vai colaborar conosco. O Álvaro Pereira Junior vai escrever algo. O Bruno Porto, que é um cara muito bom nessa coisa de cultura pop e que escreve para o Globo, do Rio. Embora a revista seja de São Paulo, eu o chamei para participar também. O Thiago Ney, da Ilustrada (Folha de S. Paulo) escreveu, a Érika Sallum, da Veja… O Serginho Teixeira Jr., que está lançando pela Abril a revista Volume 01, vai fazer matéria sobre a cena black. O José Flávio Junior, da Usina do Som, vai escrever sobre a banda Los Pirata. Enfim, as pessoas que saem à noite, que têm idéia do que acontece na noite, estão escrevendo para nós.

Já é possível ter um retorno dos leitores?

LR ? Temos bastante retorno, todo mundo gosta da Out! porque ela é inédita, gosta porque ela traz um bom serviço e gosta porque ela traz textos legais e bacanas, daqueles que o leitor não vê muito em jornal, ou quando vê percebe que é uma coisa diluída. Ela funciona um pouco como revista. A idéia inicial nem era ter tantas matérias assim, apenas uma ou duas.

Vocês criaram uma editora para lançar o guia?

LR ? Criamos uma editora que se chama Studio 52. Eu já era sócio do João Carlos numa microempresa que ele tinha para o trabalho de produção gráfica que ele desenvolvia. Quando resolvemos fazer a Out! transformamos essa microempresa em editora.

A Out! pode vir a ser incorporada por uma grande editora no futuro?

LR ? A Conrad acenou com a possibilidade de levarmos esse projeto para lá, mas nós queremos tentar sozinhos. A Out! não custa muito caro. Se ela conseguir se pagar acaba sendo uma diversão bacana, no mínimo. É claro que sempre pensamos nela como um produto sólido no futuro. Não sou publicitário e acabo me vendo sempre em reuniões nas agências de publicidade com grandes diretores de mídia. É uma fase de aprendizado engraçada. O guia não me tira muito tempo. Há um certo trabalho, mas dá a possibilidade de que eu mantenha outras atividades. Na verdade, é uma experiência. Se der certo, vamos adiante, senão nós paramos. Fizemos tudo sem planejamento, é uma coisa empírica. Colocamos a revista na rua para ver aonde ia dar.

Você pode falar em números?

LR ? Ela custa R$ 5 mil, aproximadamente. Se vendermos dois anúncios, capa e contra-capa, é possível cobrir essa despesa. O resto que vier é lucro, até porque não há muito onde investir, a não ser pagar as colaborações. Como eu disse, não é uma revista cara de se fazer. Os preços dos anúncios são baixos comparados a qualquer revista de porte médio da Editora Abril. A venda de anúncios funciona assim: um amigo me diz que conhece algum fulano de agência, eu peço o contato, ligo, peço para mostrar a revista e marco uma reunião. Tinha duas reuniões marcadas, uma na Fischer, gigante do meio publicitário, e outra na DM9. Já fiz outras reuniões com pelo menos outras três agências grandes. Todo mundo adora a revista, o problema é abordá-los na hora certa, na hora de campanha certa para que eles possam anunciar. A parte editorial caminha sozinha, agora é só aprimorar a área comercial, que não conhecemos muito bem. Se a Out! não tivesse anúncios eu poderia bancar duas edições sozinho. Como já rolaram alguns anúncios, ela tem um lastro de vida de uns dois meses. Enquanto acharmos que essa brincadeira está legal, seguimos em frente.

Jornalismo musical

Qual a avaliação que você faz do atual estágio do jornalismo musical?

LR ? Como eu respondi antes, estamos num país onde não existe uma indústria musical, é tudo muito jogado. As coisas vão acontecendo de uma forma abrupta e não se estabelece uma cena. Dentro disso, há gravadoras que em determinados momentos lançam coisas bacanas e em outros soltam lixo atrás de lixo. Existem jornais que às vezes fazem uma cobertura bacana de discos e bandas. Não temos rádios de qualidade, agora é que há um suspiro com a Rádio Brasil 2000 FM, que voltou a apostar numa coisa bacana para o público de São Paulo. Vamos pegar como exemplo a França, que não é um pais com tradição em rock e eletrônica, como os EUA e a Inglaterra. Lá, eles têm três revistas e uma delas é uma das principais do mundo, a Les Inrockuptibles, preocupada com rock independente e música eletrônica. Eles têm também duas ou três rádios fortíssimas que estão na internet e no dial, como a Oui FM. Na França, eles têm várias lojas, grandes e pequenas. Os jornais de lá cobrem a música pop de forma decente. Há um circuito de shows, com anúncios, existe essa engenharia da música pop.

E no Brasil?

LR ? Não há revistas, e as que circulam tentam sobreviver da maneira que der. É difícil colocar pautas de música em jornal mainstream. A linha da Folha sempre foi a de textos que, de uma certa forma, instigassem o leitor a ir atrás das coisas. Não dá para escrever na Folha como para um fanzine, até porque está se falando com um público mais amplo, mas se eu acho uma banda legal tenho que colocar o coração no meu texto para que esse leitor, no mínimo, fique instigado, que ele pense mais ou menos assim: "Pô, esse cara está falando com tanta devoção dessa banda, desse disco, que eu vou experimentar ouvir para saber como é." Se sai uma crítica do disco dos Libertines que instiga o fã do Zeca Baleiro a ouvir essa banda já é uma vitória. Dá para contar nos dedos jornalistas que escrevem textos assim: o Tom Leão e o Carlos Albuquerque, o Bruno Porto, do Globo. Dá para encontrar uma cobertura bem decente no Jornal da Tarde. O Thiago Ney, da Ilustrada, posso citar. São caras que conseguem passar isso num lugar onde não existe cena, mas fragmentos de cena. Existem pessoas que escrevem colunas ou em blogs e eu não concordo com nada do que escrevem, mas eu quero saber o que eles estão pensando, o que eles estão vendo e ouvindo. Alguma coisa posso tirar disso

Você acha que baixar música da internet vai acabar eliminando a figura do jornalista musical?

LR ? Aqui no Brasil nunca se precisou do jornalismo musical para isso, até porque nunca existiu uma cultura de música decente, a não ser em guetos. Quando eu falei dos Strokes pela primeira vez estava falando com umas 20 pessoas, no máximo. Se um jornal dá uma capa a eles está falando com 20 mil pessoas. O começo é sempre de gueto. Com a coluna que eu faço na Folha OnLine estou falando para moleque que sai à noite, vai segunda-feira ao The Edge, à Funhouse, à LOVe. No jornal, eu tenho de falar com o cara que está indo comprar o disco do Zeca Baleiro e do Fagner. É para ele que eu queria falar do Libertines, do Raveonettes. Muita gente reclama que eu falo de coisas internacionais, mas é porque eu opto por falar disso.

Qual a sua opinião sobre as revistas musicais?

LR ? Muitas vezes eu me nego a falar sobre isso na minha coluna porque eu acho que tenho uma voz que é muito ativa nesse meio. Então, não vou quebrar discos, como faz o pessoal do programa Garagem ou então falar mal de alguma coisa, como o Álvaro Pereira Jr. fala. Acho legal que existam esses personagens, mas no meu papel , simplesmente, não falo. Nos anos 90, com o estouro do Nirvana, houve algo que espelhou aqui no Brasil de bandas novas, rádios legais, matérias em jornal. Então, isso está voltando agora e não vou ficar falando mal enquanto se estabelece. Recebo 200 CDs por semana, ou então sites com indicação de arquivos Mp3. Quanto mais bandas existirem e estiverem estimuladas a nascer mais bandas legais vão surgir. Prefiro apontar meu farol para essas bandas, que são poucas e boas. Deve haver muita quantidade para depois se tirar uma qualidade.

O farol do leitor

Você costuma acompanhar blogs e e-zines?

LR ? Acho os blogs bem legais, trata-se de uma coisa bem pessoal e gosto é gosto. Procuro ver todos os que os próprios autores me indicam. Não sou de visitar um blog com uma certa freqüência, mas eu acabo tirando informações de muitos deles. Essa molecada que faz blogs tem uma certa proximidade com a minha coluna, que tem cara de blog. Eles tentam me fornecer coisas para aparecer na coluna e fazer com que ela seja uma extensão deles. Acho isso interessantíssimo. Quando eu atraso a entrega da coluna, pelo fato de estar atolado no trabalho, e coloco uma cascata qualquer acaba sendo impressionante o número de pessoas que reclamam de mim. Alguns me perguntam por que eu não mudo para as quintas-feiras, e respondo que se mudar, vou atrasar do mesmo jeito. Prefiro na quarta-feira mesmo, assim tenho um dia de atraso, fico desesperado e daí eu trabalho na coluna. Jornalista funciona assim. Essa cumplicidade que eu tenho com os leitores é inacreditável. É muito melhor do que a cumplicidade com o leitor do jornal. Num dia eu cheguei e escrevi que estava sem assunto. Era mentira, sempre há assunto para falar, de um modo ou de outro. Brinquei dizendo "Alguém tem algum assunto aí? Dá uma ajuda aí." Você não tem idéia da quantidade de coisas que vieram. Tenho um exército de leitores que metem o pau em mim, mas que não deixam de ler uma linha da coluna. Uma hora ou outra, esses caras estão me passando uma informação legal. Construo a coluna com o farol do leitor.

Você estaria criando a figura do leitor-fonte?

LR ? Tenho uns 10 leitores que sempre que escrevem eu paro tudo só para ler o e-mail deles. Um moleque de Piracicaba, no quarto dele, sabe mais do que muita gente boa que fez faculdade e está escrevendo em grandes jornais.

Numa entrevista ao site Trabalho Sujo, do jornalista Alexandre Matias, você refutou as acusações de que seus textos são copiados de revistas musicais estrangeiras. Num determinado momento, você disse que deu coisas em sua coluna antes dessas publicações. Poderia citar um exemplo disso?

LR ? Eu vi em Nova York um show da Miss Kittin, escrevi na minha coluna, e a imprensa de lá foi publicar algo sobre ela duas semanas depois. Outra coisa que eu falei antes foi sobre o Erol Alkan, que estava na cara deles. Ele é DJ de um clube em Londres onde acontece a noite de rock indie mais legal do mundo. Falei dele e dessa noite muito antes da New Music Express. Ele estava escalado para tocar agora no Tim Festival. Uma semana antes do Abril Pro Rock fui ao Recife e encontrei lá um jornalista que cobre cultura pop para The New York Times. Ficamos conversando e comentei que estava rolando uma cena legal em Nova York e falei dos Strokes. Ele me disse que não conhecia, não tinha ouvido falar da banda. É a mesma coisa que dar uma capa à banda brasileira Forgotten Boys no NYT sem a Folha ter publicado antes, que é ridículo porque eles estão em todos os lugares. A Folha deu espaço aos Strokes muito antes que o NYT.

Picaretagens jornalísticas

Você revelou que uma entrevista com Julian Casablancas, vocalista do Strokes, publicada numa edição da Revista da MTV é falsa…

LR ? Eu já sabia desse caso há muito tempo, muita gente do meio jornalístico tem conhecimento dele e sabe quem foi o autor da entrevista falsa. Sempre procuro falar na minha coluna a respeito de temas que acontecem no momento e usá-los como gancho, como a Copa do Mundo, a guerra entre EUA x Iraque, por exemplo. Naquela semana específica havia explodido o caso dos plágios cometidos pelo Jayson Blair no NYT, e aproveitei para tocar no assunto. Há algum tempo, tive a oportunidade de estar nos camarins com a banda depois de um show e eu estava conversando com o baterista Fabrizio Moretti, que é de origem brasileira. Levei uma edição da revista Dynamite que tinha uma entrevista com ele, e a cópia de uma capa da Ilustrada que eu fiz sobre os Strokes. No meio do papo eu falei da tal entrevista do Julian. O Fabrizio estranhou e me disse que o Julian não fala com jornalistas. Pedi que essa informação fosse confirmada, o Fabrizio foi falar com o Julian e na volta ele assumiu que o Julian não deu entrevista alguma, ainda mais por e-mail. Não imaginava a repercussão que essa notícia teria.

Se amanhã eu chego para você e digo que fiz uma entrevista via e-mail com o J.D. Salinger, que é um escritor recluso, não fala com ninguém, você não tomaria um certo cuidado?

LR ? São coisas diferentes. O Julian Casablancas é um garoto e aquela entrevista foi completamente insossa, poderia ter saído em qualquer lugar. Era o tipo de oportunidade para fazer algumas perguntas específicas sobre o Brasil, uma vez que o baterista deles é brasileiro. Se o Julian tivesse falado mal de alguém… E a Revista da MTV nem é tão importante assim no cenário musical.

Você pretende revelar a identidade do autor desta fraude algum dia?

LR ? Não, até porque a pessoa que fez isso está pagando pelo o que ela fez até hoje.

Há outros casos de picaretagem na área cultural que você conheça?

LR ? Há, da própria pessoa que fez essa falsa entrevista. Há casos na Folha, no Estadão e no Valor Econômico, mas são coisas isoladas e não se trata de uma tendência comum na imprensa. Se existisse uma onda de reportagens ou entrevistas inventadas, aí sim, haveria sentido em se falar mais a respeito.

(*) Jornalista, colaborador dos sítios Ruídos, Canal B, Esquizofrenia, 3am e Papo de Bola; blog pessoal: <http://onzenet.blogspot.com>

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