Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > *

Palmeirenses reagem

Por lgarcia em 07/02/2001 na edição 107

VASCO COM SBT

Abaixo, manifesto enviado à FSP. Entendemos que a Folha é o jornal que mais agride os torcedores palmeirenses e que, sistematicamente, pratica um jornalismo de oposição ao clube (ao contrário do que prega o próprio Manual de Redação do jornal).

Victor Gil Neto, jornalista recém-formado pela Universidade São Judas Tadeu

"Prezada Sra. Renata e editores de Esportes da Folha

Devido à postura do caderno de esportes do jornal, gostaríamos de manifestar nossa total insatisfação diante dos fatos relatados pela própria imprensa. Falo em meu nome e em nome da Família Palmeirense, que além de não ser pequena é bastante unida.

Adianto também que tão grande é a indignação com o tratamento que temos por parte de vocês, reiteradamente reportado através de críticas fundamentadas sem qualquer resposta à altura, que resolvemos adotar unanimemente a alcunha jocosa de ?Falha de S.Paulo?, disseminando-a o quanto possível.

Segue abaixo um relato e comentários sobre a edição de 15/1/2001, estopim final de um acúmulo de tendenciosidades explícitas, falta de critério e desrespeito ao leitor ? neste caso, palmeirense:

Contradição de critérios

Flagrante no Caderno de Esportes de 15/1/2001

* Entrevista com o Presidente da S. E. Palmeiras (Sr. Mustafá Contursi) publicada na página D2.

Fala do presidente do Palmeiras ? (Grifo da Folha entre parênteses):

? Mas não podemos esquecer que o Palmeiras ganhou um Mundial (torneio, porém, não reconhecido pela Fifa). Em 1951, resgatamos a emoção do futebol brasileiro, que tinha perdido a Copa de 1950."

Pergunta: Qual a necessidade de tal observação da redação? Por que nunca foi feita a mesma observação quando citadas em outras matérias a Copa Toyota, disputada em Tóquio, e que também NÃO é reconhecida pela FIFA? O manual da Folha deveria incluir um capítulo sobre este assunto definindo um padrão para a exigência do reconhecimento da FIFA ? ou não.

* Publicação do Ranking Folha na mesma edição, na página D6

A Copa Intercontinental (disputa realizada desde 1960 entre o campeão sul-americano e europeu, e que a partir de 1980 passou a se denominar Copa Toyota, disputada em Tóquio), apesar de NÃO ser reconhecida pela FIFA, é considerada pelo Ranking da Folha, concedendo pontuação para as equipes do São Paulo, Flamengo, Grêmio e Santos.

Observação: A Copa Rio, realizada nos anos de 1951 e 1952, embrião do campeonato mundial de clubes e também não reconhecida pela FIFA, não é considerada para o Ranking, prejudicando a pontuação de Palmeiras e Fluminense, respectivos ganhadores das Copas.

* Perguntas e observações:

1 ? Qual o critério a utilizado no Ranking? Se o reconhecimento da FIFA fosse determinante, a Copa Intercontinental não deveria somar pontos. Já que o reconhecimento da FIFA não é indispensável, porque não pontuar um torneio reconhecido por toda a imprensa da época como um verdadeiro Mundial de Clubes? (ver texto mais abaixo sobre o assunto).

2 ? Por que a Folha não publicou o Ranking deste ano em uma edição de domingo, a exemplo dos anos anteriores, e optou por uma segunda-feira? Por que diminuir o destaque deste assunto, postura diferente à adotada nos anos anteriores?

3 ? Por que a Folha, que nos anos anteriores gerou uma expectativa de ?corrida? para a conquista do título de Campeão do Século, publicando cálculos e possibilidades, não deu o devido destaque à conquista? A publicação deste ano ? a conquista do título ? chega a ter menos destaque que nos anos anteriores e não é enfática na conquista. Teria sido o fato de a equipe vencedora estar sendo combatida pelo jornal em matérias, há mais de dois anos? O término do século foi motivo, em muitas partes do mundo, para eleições desse tipo. A Folha, estranhamente, não aproveitou a ocasião para divulgar e explorar positivamente um trabalho de expectativas geradas pelo próprio jornal, e que teria grande repercussão. Realmente, é muito estranho!

4 ? Se a Folha publicou essa classificação em 15/1/2001, antes da final da Copa João Havelange, até porque nenhuma alteração significativa ocorreria, por que não o fez nas primeiras edições do ano?

5 ? Houve realmente comemoração dos ?jornalistas?, na redação de esportes da Folha, imediatamente após o término do Jogo Palmeiras x Manchester? Este é um comentário muito forte nos corredores dos meios esportivos. Gostaríamos de saber a posição da equipe de esportes. Temos o testemunho de profissionais da Folha que deixam claro o tendenciosismo e a manifestação anti-Palmeiras dentro do jornal. Perguntamos, existe imparcialidade esportiva neste jornal? Não é a primeira vez que este tipo de crítica é feita à Folha. A senhora já respondeu a várias, porém em todas se esquiva com o argumento de que este tipo de reclamação é de torcedores. Adotar uma postura de avestruz não é a solução. Caso ainda não tenha se convencido da real situação da imagem da Folha junto à coletividade palmeirense, visite qualquer página da internet sobre o clube, faça pesquisas junto à nossa torcida, e veja o sentimento de revolta e protesto contra o seu jornal. Somos aproximadamente dez milhões de torcedores em todo o Brasil. Sabemos do nosso valor e que estamos sistematicamente sendo desrespeitados por este jornal.

6 ? Por que a Copa dos Campeões vale menos pontos que os torneios Rio-São Paulo e Sul Minas, sendo que esses dois torneios são classificatórios para essa competição? Seria por causa do vencedor de 2000? Não deveria a Copa dos Campeões ter um valor equivalente à Taça Brasil, ao Robertão (o campeonato nacional no final da década de 60) e à Copa do Brasil, até em função de ser uma competição nacional, e que classifica um clube para a Taça Libertadores?

7 ? Quanto à forma tendenciosa e parcial do jornal tratar a S. E. Palmeiras, podemos enviar a vocês, caso haja interesse, cópias das matérias no período de outubro e novembro de 2000. São arquivos da Folha, do Jornal da Tarde e do Lance. Neles pode- se notar perfeitamente a diferença de postura da Folha em relação aos demais jornais. Esse trabalho está em arquivo compactado.

8 ? Por que a Folha não publicou o poster do campeão da Copa dos Campeões, do Rio- SP e da Libertadores 99? Essa postura a Folha ? ou ?Falha? ? não adota para os demais clubes paulistas. Ninguém está preocupado em colecionar ?poster?, estamos vendo essa atitude como uma sinalização de conduta do jornal, que nos faz desconfiar da seriedade dos profissionais.

9 ? Não estou questionando qual competição deve ser conceituada como Campeonato Mundial, ou qual torneio deve contar pontos. O que está em discussão é a contradição de critérios e a tendenciosidade dos mesmos dependendo dos interesses. Para maior facilidade e comprovação, estou enviando abaixo uma série de registros da imprensa [Nota do O. I.: se for do interesse do leitor, podemos enviar por e-mail a lista dos registros citados.] tanto da época de 1951 quanto do momento atual. Além desses registros, ainda existe uma série de reportagens e depoimentos de jogadores, historiadores e jornalistas sobre o assunto. A Copa Rio respeitou os critérios técnicos da época, convidavam-se os principais campeões, a exemplo do que acontecia nas Copas do Mundo, em que eram chamadas as principais seleções. Nem por isso o Uruguai e a Itália deixam de ter contabilizados dois mundiais em suas galerias de conquistas.

Esperamos que tudo isso seja analisado com profissionalismo por vocês. Já faz tempo que aguardamos uma resposta da Folha a estas questões e acreditamos que está na hora de termos a consideração deste jornal. Agradecemos pela atenção."

A autora, por seu ódio à Globo e ao maior time do mundo, acaba cobrindo de elogios um time medíocre como o do Vasco (só tem ataque ? e que ataque) e "aplaude" uma atitude de Eurico Miranda. Ora, Eurico deve ser condenado até quando leva (se é que um dia já levou) mantimentos para um orfanato. Certamente ele estaria de olho no passe de um órfãozinho bom de bola. Colocar o SBT na camisa é apenas uma atitude mesquinha e indigna, algo normal na vida do nobre deputado. Vingança é uma fraqueza.

Por que todo botafoguense é cavalheiro e o rubro-negro é apenas um fanático? Que eu saiba, o botafoguensíssimo Carlos Augusto Montenegro já invadiu o campo para agredir um juiz. Assim como nosso presidente, Edmundo dos Santos Silva. Assim como Eurico e outros dirigentes/torcedores. Não se pode julgar o caráter das pessoas por meio do clube pelo qual elas torcem. O botafoguense João Saldanha já tratou jogador a tiros; o rubro- negro Ciro Monteiro certa vez parou de vibrar após uma vitória sobre o Vasco ao ver os cruz-maltinos Sérgios Cabrais (pai e filho) chorando na tribuna do Maracanã. E foi lá consolá-los. Quem foi cavalheiro nessas situações?

Eu não torci contra a seleção de futsal, mas tremi nas bases quando, no final da decisão, o técnico colocou todo o Vasco em quadra. Deu no que deu. E não foi a "imprensa flamenguista" que inventou que os atletas vascaínos amarelaram em Sydney. Os fatos o comprovaram. Infelizmente, o Vasco da atualidade transmite maus eflúvios, é uma cruz de mau agouro no esporte nacional. Graças a Eu-rico (tu pobre) Miranda.

Um abraço, Marinilda. Nos vemos no Fla-Flu.

Francisco J. A. Cabral, Goiânia

Parabéns pela imparcialidade. Infelizmente, há poucos com esta visão clara e independência. Permita-me reproduzir aqui a crônica que escrevi em 24/1 e divulguei no site <www.netvasco.com.br>, indignado com o comportamento da maioria da nossa imprensa.

"O papel da imprensa

A coluna do Tostão no JB de domingo "caiu como uma luva" para traduzir exatamente o que me vem fazendo refletir ultimamente. Ele diz: "… Nós da imprensa temos a obrigação de analisar e informar com isenção. Sem bairrismo. Preocuparmo-nos mais com a parte técnica. Há um número crescente de torcedores que não quer somente diversão…".

Até quando a, infelizmente, maioria da nossa imprensa irá se comportar tão irresponsavelmente, demonstrando tanta parcialidade e ausência de compromisso com a verdade? Isso ocorre independentemente se o assunto é esporte, política ou simplesmente refere-se ao dia-a-dia das ?estrelas? do momento. A distorção dos fatos é tão flagrante que, às vezes, até as crianças, desprovidas da natural malícia adquirida pelos adultos, o percebem.

Será que esses ditos ?jornalistas? não se envergonham em nenhum momento do desserviço que prestam à população? Será que não percebem o quanto se atolam na mediocridade, servindo a, sabe-se lá, que interesses? Não têm consciência da sua responsabilidade perante o público? Será que acham que conseguem enganar a todos? Que não há gente esclarecida e que não aceita notícia fabricada e/ou distorcida? Será pura incompetência?

Essas dúvidas têm ?martelado? a minha cabeça ultimamente e, confesso, muito me afligido, pois, o crescimento desse país como nação depende sobremaneira do comportamento desses senhores, visto que eles representam o "quarto poder" enquanto, lamentavelmente, os outros três estão como todos sabemos.

Felizmente, há homens como Tostão, cuja imparcialidade é notória (nem sempre concordo com a sua opinião, mas assim é a democracia). Talvez esse seu comportamento seja fruto do seu ilibado caráter, construído e comprovado ao longo desses anos em várias profissões.

O recente episódio da final da Copa JH, em que a maioria da imprensa deu tratamento extraordinariamente discriminatório e tendencioso ao Clube de Regatas Vasco da Gama, distorcendo a todo custo a verdade e, simultaneamente, ?esquecendo-se? de enaltecer uma ?performance? alcançada em todos os esportes nos quais competiu no ano 2000, incontestável e, ouso dizer, jamais conseguida por outro clube, é um vivo exemplo dessa vulgaridade.

Entretanto, esse episódio deve servir para reflexão e mudança de postura daqueles que tencionam trabalhar com seriedade dentro do esporte. Assim, senhores jornalistas, não confundam pessoas com instituições, arrogância e prepotência com mau caratismo e incompetência. O mau caratismo encontra-se muitas vezes disfarçado nas ?palavras doces?, na fala macia, no falso sorriso, no tapinha nas costas. Prendam-se ao fato, não à sua versão, observem as estatísticas, mas cuidado com as fontes, busquem sempre ouvir a outra parte.

Mirem-se no exemplo do Tostão e sirvam apenas a um senhor, ou seja, o compromisso com a verdade, ou jamais conseguirão livrar-se do charco da mediocridade onde tantos chafurdam."

Paulo Roberto Ribeiro Seabra

Cara Marinilda Carvalho, seu texto sobre SBT x Vasco estava ótimo. Com uma pequena vírgula: o iG deu, e com foto. Abraços,

Fabiano, sem time

Nota do O. I.: Querido Fabiano, o iG publicou matéria e foto depois do fato acontecido. Isso os jornais do dia seguinte também fizeram. Minha crítica se referia ao fato de que nenhum jornal antecipou notícia de tamanha importância. A verdade é que apurar notícia de time não preocupa mais a imprensa. A mídia esportiva se dedica a acirrar rivalidades entre clubes, para vender jornal ? prática perigosa que alguns desavisados atribuem a um ou outro dirigente. (M. C.)

Na reportagem "Meus amigos, que mosca!" foi dito simplesmente tudo que um repórter com um mínimo de caráter e isenção (isso não seria uma premissa da profissão??) deveria ter dito há muito tempo. Até hoje eu me pergunto por que ninguém (além da Rádio Tupi) noticiou a superlotação (comprovada pela perícia) no Projac. Onde havia 300 pessoas num espaço que fora liberado pela Defesa Civil para 87 sentadas e 120 em pé! É, realmente fica difícil ter confiança nos meios de comunicação. Até que ponto a notícia é verdadeira e até que ponto ela está lá para atender a certos interesses? Por essas e mais outras zilhões, só resta uma mensagem para a tricolor (ninguém é perfeito) Marinilda Carvalho: parabéns pela coragem e imparcialidade!

Eduardo Torres de Albuquerque

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Vasco com SBT ? Marinilda Carvalho

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