Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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PanoramaBrasil

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

ASPAS

DOSSIÊ PERFÍDIA

"Dines promete levar ao ar programa sobre denúncias contra ACM", copyright PanoramaBrasil, 11/02/01

"O diretor-responsável pelo programa Observatório da Imprensa, Alberto Dines, disse em entrevista ao JB Online que pretende voltar a fazer o programa sobre o livro Memória das Trevas, de João Carlos Teixeira, onde são feitas acusações contra o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães.

O tema, que seria debatido no programa da TVE, não foi ao ar ontem porque os jornalistas convidados cancelaram sua participação. Dines acredita que os jornalistas se recusaram a participar do programa porque não queriam se comprometer, entrando num assunto tão delicado.

Dines reconheceu que o novo presidente da TVE, Fernando Barbosa Lima, que assumiu o cargo no dia em que seria veiculado o programa, poderia ser prejudicado. ‘Não houve pressão para que o programa fosse cancelado, mas a decisão foi tomada para preservar o diretor que estava assumindo no dia da exibição’, disse."

 

"Até tu, Dines?", copyright Coleguinhas, uni-vos (www.coleguinhas.jor), 12/02/01

"A entrevista do coleguinha João Carlos Teixeira Gomes, autor do livro ‘Memórias das Trevas – uma devassa na vida de Antônio Carlos Magalhães’ ao programa Observatório da Imprensa, levado ao ar pela TVE, foi cancelada em cima da hora. Alberto Dines, editor-responsável pelo programa, jura que não houve pressões de ACM para que João fosse censurado. Dines alega que a entrevista não rolou porque ele ficou com medo de que Fernando Barbosa Lima perdesse o emprego que acabou de arrumar como presidente da Acerp, a organização social (portanto, governamental) que cuida da TVE (bonito isso, essa preocupação com os amigos…)

O líder do Observatório da Imprensa acha que não houve autocensura porque assumiu a decisão publicamente. Certo…Seguindo o raciocínio, se amanhã o Dines passar um cheque sem fundos e for chamado às falas pelo delegado, é só ele dizer ‘é, passei o voador sim’ que o doutor delpol vai achar que ele não fez nada. Tá bom…"

***

"RSF cutuca ACM", copyright Coleguinhas, uni-vos (www.coleguinhas.jor), 12/02/01

"A vida da oposição não é fácil na terra de Antônio Carlos Magalhães. Parece não ser de bom tom lembrar este fato por aqui (vide caso do Alberto Dines, exposto lá embaixo), e por isso a ajuda tem de vir de fora. Assim, o jornal A Tarde teve que pedir socorro aos Repórteres Sem Fronteiras, aquela ONG de origem francesa, para denunciar ao mundo algo que até os coqueiros de Piatã sabem: a manipulação de verbas publicitárias da prefeitura de Salvador (e, na verdade, do governo da Bahia como um todo, mas isto não está em pauta agora) beneficiando as empresas do grupo de comunicação de ACM.

Abaixo, vai o release que chegou à minha caixa postal pelos bons ofícios do Gilberto de Souza, representante da RSF aqui no Bananão. Boa leitura.

‘Através de carta endereçada a Antonio Imbassahy, prefeito de Salvador, Estado da Bahia, Repórteres sem Fronteiras (RSF) expressou preocupação com os critérios de atribuição da propaganda pública do município. Nossa organização pediu que haja ‘abertura de um inquérito administrativo’ e que ‘a distribuição da propaganda pública seja atribuída a uma comissão independente, que possa garantir sua transparência.’

Por outro lado, RSF inquieta-se com as perseguições contra Marconi de Souza, jornalista do diário A Tarde, publicado em Salvador. Este último revelou que dois veículos da mídia, cujos proprietários são próximos de Antônio Carlos Magalhães, ex-governador do Estado e atual Presidente do Senado, recebem a maior parte das verbas de propaganda pública local. ‘Tememos que essas perseguições constituam meio de intimidação para com jornalista, que já foi perseguido treze vezes por Antônio Carlos Magalhães, durante os últimos dois anos’, declarou Robert Ménard, secretário geral de RSF.

Este último lembrou ainda que, segundo a Declaração de Princípios sobre a liberdade de expressão adotada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ‘a atribuição arbitrária e discriminatória de verbas de propaganda e créditos oficiais para fazer pressão, punir, recompensar ou privilegiar comunicadores sociais e mídia em função das informações que venham a transmitir constitui ato atentatório contra a liberdade de expressão e deverá ser expressamente proibida por lei.’

Segundo as informações obtidas por RSF, o 11 de janeiro de 2001, o canal TV Bahia e o jornal Correio de Bahia, dois meios de comunicação pertencentes à Rede Bahia, deram queixa por ‘difamação’ contra Marconi de Souza. Num artigo publicado em 25 de outubro de 2000, o jornalista de A Tarde havia transcrito depoimentos de vereadores do município de Salvador, segundo os quais 80 % das verbas de propaganda do município estariam sendo atribuídas à Rede Bahia, que pertence a membros da família do ex-governador do Estado, Antônio Carlos Magalhães.

No artigo em causa, a oposição municipal fazia críticas ao orçamento para o ano de 2001, proposto pelo prefeito, que previa um envelope de 14 milhões de reais (cerca de 8,8 milhões de euros) para a propaganda. ‘Esse dinheiro vai diretamente para a Rede Bahia, que vai absorver 80 % do recursos’, havia explicado um dos vereadores. ‘É um escandalo direcionar esse dinheiro público para a empresa da família do senador Antônio Carlos Magalhães’, havia declarado um outro, que denunciava, assim, ‘um verdadeiro duto ligando os cofres públicos do Estado e da prefeitura á contabilidade da Rede Bahia.’ Finalmente, um terceiro havia criticado o município por não dar nenhuma informação sobre os títulos da imprensa escrita que se beneficiavam com a propaganda pública.’"

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