Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1047
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Para Cheney, jornalistas não eram alvo

Por lgarcia em 16/04/2003 na edição 220

JORNALISTAS NO FRONT

O vice-presidente dos EUA Dick Cheney negou a hipóteses de que forças militares miraram jornalistas estrangeiros no Iraque. Cheney discursou a editores de jornais em Nova Orleans, no exato momento em que os marines ajudavam cidadãos iraquianos a derrubar uma estátua de Saddam Hussein no centro de Bagdá.

“A suposição de que de alguma forma os EUA atacaram jornalistas deliberadamente é totalmente falsa”, disse Cheney. “Com todo o esforço que temos direcionado para que jornalistas reportem em tempo real, a idéia de que nossas tropas poderiam atacar os próprios EUA não faz o menor sentido. Só um idiota acreditaria nisso.”

Cheney respondia à questão de Edward Seaton, editor e publisher do jornal The Manhattan Mercury, na convenção anual da Sociedade Americana de Editores de Jornal (ASNE). Segundo reportagem de Mark Fitzgerald [Editor & Publisher, 9/4/03], Cheney disse que a morte de três jornalistas no dia 8/4 foi conseqüência inevitável da guerra. “Tentamos lembrar as pessoas, especialmente repórteres, de que se você vai a uma zona de conflito, haverá perigos. Tentamos minimizar o risco ao máximo, mas infelizmente é o tipo de coisa que acontece em um cenário de guerra.”

“Não consigo pensar em nada que melhor mostre o livre fluxo de informações que esse processo de repórteres ?embedded? [que acompanham as tropas no front]”, disse o vice-presidente. “Se quiséssemos manter segredos e omitir informações do público, não teríamos permitido que 600 repórteres fossem à guerra.”

Não foi fogo amigo

Andrew Gilligan, correspondente de defesa da BBC, disse ter dúvidas quanto à hipótese de ter partido de um tanque americano o míssel que matou dois jornalistas em Bagdá no dia 8/4, especulando que soldados iraquianos possam ter lançado o ataque letal.

O exército americano admitiu ter atirado contra o Hotel Palestine, reduto da mídia estrangeira na capital do Iraque. No entanto, Gilligan disse que repórteres do Comando Central no Catar acham que não foi por disparos americanos que morreram os cameramen Taras Protsyuk, da Reuters, e Jose Couso, da emissora espanhola Telecinco.

Outros três jornalistas da Reuters e um funcionário da TV Abu Dhabi ficaram feridos na explosão que alcançou seu quarto no 15o andar do hotel. De acordo com Ciar Byme [The Guardian, 8/4/03], Gilligan ainda afirmou que após examinar o incidente, concluiu que era virtualmente impossível aos tanques americanos ter disparado a essa altura. “A responsabilidade é de outro, talvez de algum iraquiano pró-Saddam que não gostou do fato do funcionário da Reuters ter filmado imagens do momento do ataque.”

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