Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

PRIMEIRAS EDIçõES > CADERNOS DE ECONOMIA

Para embrulhar tainhas

Por lgarcia em 23/12/2003 na edição 256

CADERNOS DE ECONOMIA

Sidney Borges (*)

A Globopar está sendo processada nos Estados Unidos. De uma dívida que monta a dois bilhões de dólares, estão sendo questionados pouco menos de 100 milhões. Cinco por cento. Como as coisas são relativas! O que significa 5%? O todo dividido em 20 partes. Cem milhões de dólares é um vigésimo do buraco do qual já não dá para enxergar o fundo.

O BNDES imediatamente saiu a campo anunciando que não socorrerá a holding. Acredito. Se estivéssemos em outros tempos o socorro faria sentido. O segmento virtuoso da Globopar ? TV Globo e jornal O Globo ? sempre teve papel de destaque no apoio aos governos pós-64, quaisquer que fossem eles. Hoje continua prestando bons serviços ao Planalto, embora já não detenha tanto poder e já não seja tão necessário.

Os conglomerados de mídia estão ligados à história do capitalismo. Tiveram papel importante na formação da opinião pública no século 20. Embora os mais emblemáticos fossem americanos ? Citizen Kane ? também tivemos um tycoon que falava rosebud. Chateaubriand. Roberto Marinho chegou a pensar em ditar tendências à opinião do país, mas quando desagradou a certas correntes militares teve a casa metralhada. Fechou-se em copas. Melhor não mexer com gente sem educação. Cuidou de ganhar dinheiro. Os herdeiros estão deixando escapar pelo ralo.

Domingueiras do Nassif

Televisão, ao contrário do que as pessoas pensam, não muda convicções políticas. Diferencial delta da Proconsult. Lembram-se? Formadores de opinião têm suas próprias fontes. O conteúdo televisivo é por demais filtrado e tendencioso para ser levado a sério. É entretenimento leve. Silvio Santos sabe das coisas. Quem se propõe a decifrar as conjunturas, se é que há como fazê-lo, busca outros meios.

A televisão atinge o público inculto, criando comportamentos e tendências de consumo. Se há guerras, como recentemente no Iraque, quando poderia ser de grande utilidade, é contida por razões de Estado e pouco informa. A internet é a saída, sem Chateaubriands, Marinhos ou Mesquitas para decidir o que o povo deve saber. Se bem que é questionável isso, os donos das informações estão na bancarrota porque acreditaram conhecer a verdade. Sabiam como e onde aplicar o dinheiro ? emprestado ? para fazer mais dinheiro. Quebraram.

É por isso que eu embrulho peixe com os cadernos de economia. Não servem para nada que não seja envolver tainhas. Menos aos domingos. Gosto das domingueiras do Nassif.

(*) Jornalista

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