Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA & GUERRA

Paranóia e informação

Por lgarcia em 19/02/2003 na edição 212

MÍDIA & GUERRA

A primeira-dama dos EUA, Laura Bush, acredita que alertas constantes na TV sobre o terrorismo “estão assustando as pessoas”. Os alertas de plantão de notícias levaram Laura a reiterar que “a mídia precisa ser muito, muito responsável” ? afirmação que traz embutida a própria crítica de irresponsabilidade da imprensa do país.

Em atitude quase esquizofrênica, na mesma hora a primeira-dama fez eco ao que aconselhou o Departamento de Segurança Nacional, para a população estocar comida e água por alguns dias e ter um rádio por perto “para permanecer o tempo todo em contato com o noticiário.”

A primeira-dama não citou nomes, mas parecia criticar a prática de transmitir notícias em tempo real pelas emissoras de TV a cabo. Ela disse que um verdadeiro “alerta” seria algo como a queda da nave Columbia. “Sinto que estamos apenas fazendo as pessoas ficarem nervosas”, afirmou.

Segundo reportagem de Paul Colford [New York Daily News, 14/2/03], o presidente da Fox News Channel, Roger Ailes, disse que as emissoras a cabo serão criticadas se transmitirem ou não as chamadas breaking news como alertas noticiosos. Ailes afirmou que os espectadores querem os tais alertas e, se for preciso, mudam de canal para para encontrá-los.

O conservador The Washington Times tomou as dores da primeira-dama. Um artigo de Jennifer Harper em 13 de fevereiro afirma que as redes de televisão apenas alimentam a histeria geral. Segundo o jornal, apesar de a Agência Federal de Administração de Emergências lançar o guia “Você está pronto?” para preparar os cidadãos americanos para o futuro a partir dos ataques de 11 de setembro, a mídia insistiu na mesma informação, divulgando-a repetidas vezes sob a forma de breaking news.

Muito se tem falado sobre gases letais, micróbios e ameaças iminentes, sobre banners em cores gritantes em que se lê mensagens de alerta na telinha. Algumas emissoras recomendam também estocar suprimentos para os animais de estimação. A CNN lembrou que a venda de fita isolante cresce à medida que aumenta o medo. A ABC News demonstrou como transformar uma lavanderia em abrigo com ajuda de fita isolante e sacos de roupa suja.

De acordo com o Washington Times, algumas coberturas ficaram restritas ao pânico do consumidor e à repentina aparição de seções de “segurança nacional” em lojas de hardware locais. De forma geral, o desempenho da mídia em momentos de alarme nacional ainda requer trabalho árduo. “Há uma grande diferença entre crise e catástrofe. No caso de um ataque bioterrorista, o efeito da cobertura da mídia sobre a reação pública pode ser o fator decisivo entre as duas”, observou Barbara Cochran, presidente da Associação de Diretores de Notícias de Rádio e TV.

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