Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA ESPORTIVA

Parcialidade ou incompetência

Por lgarcia em 27/05/2003 na edição 226

MÍDIA ESPORTIVA

Roberto Bittencourt (*)


"Atlético afrouxa contra o Internacional"

"Coritiba empata com o Vasco no Couto Pereira"


Duas manchetes, duas medidas. Veiculadas na edição do Paraná Online <http://www.paranaonline.com br>, de 19/5/2003, sobre os jogos da penúltima rodada do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Futebol Clube pelo Brasileirão 2003, contêm elementos, no mínimo, interessantes para uma abordagem do ponto de vista da imparcialidade ética que a mídia de maneira geral, e a jornalística em particular, deve em respeito aos seus leitores.

O Atlético e o Coritiba, atuais 13? e 14? colocados, jogaram respectivamente com Internacional e Vasco, atuais 2? e 17? colocados. Isso indica que, teoricamente, o jogo mais difícil em relação aos dois clubes paranaenses seria o do Atlético contra o Internacional. Some-se ao fato de o clube gaúcho ocupar a vice-liderança no campeonato a vantagem de ter jogado no Beira-Rio (seu estádio) ? e a dificuldade para o Atlético Paranaense já estaria configurada. Quanto ao Coritiba, além de jogar contra um time em posição inferior a sua na tabela de classificação, teve a partida realizada no Couto Pereira (seu estádio), ou seja, também teoricamente seria um jogo mais fácil.

Os resultados de 1 x 1, tanto de Atlético x Internacional quanto de Coritiba x Vasco, podem não traduzir as questões técnicas ou táticas das partidas; contudo, sabe-se, e isso é chavão, que "o que importa é o resultado". Desse modo, é evidente que dos dois clubes paranaenses quem obteve o melhor resultado foi o Atlético.

Termos impróprios

Sendo assim, é difícil compreender que o Atlético tenha "afrouxado" contra o Internacional, uma vez que, sempre em teoria, as condições para "afrouxar" quem detinha era justamente o Internacional, pelas prerrogativas que o favoreciam. Ainda que o suposto "afrouxamento" por parte do Atlético tenha se dado em determinado momento da partida, tal fato seria irrelevante frente à configuração final, ou seja, ao resultado.

Por outro lado, o empate do Coritiba se afigura como péssimo resultado, já que, como visto, jogou em seu próprio campo e com o atual 17? colocado na tabela de classificação. Isso quer dizer que se entre os dois times paranaenses em questão algum merecia a pecha de "frouxo", pela atuação naquela rodada do Brasileirão, coisa que, aliás, me parece um exagero, certamente, esse time não seria o Atlético.

È importante frisar que o questionamento que aqui se faz gira somente em torno das duas manchetes acima expostas: as matérias que a elas se seguem podem perfeitamente dirimir qualquer equívoco. Ocorre que um título, como uma espécie de síntese, pode carregar toda a sutileza da matéria ou cometer, seja astuta ou "parvamente", absurdas contradições que induzem a entendimentos sub-reptícios.

O sentido ambíguo empregado na primeira manchete, em que o "afrouxa" tanto pode ser entendido como uma permissão momentânea para a reação adversária quanto uma covardia ou debilidade de caráter geral (vide Aurélio) denota, quero crer, apenas um descuido no trato da nossa complexa língua pátria. O que, dado, possivelmente, a uma maior atenção, não ocorre em relação à segunda manchete que, aliás, limita-se à informação sem qualquer malabarismo de substantivação que possa insinuar ou incitar possíveis juízos de valor.

De qualquer forma, fica aqui a observação, não apenas de um torcedor do Clube Atlético Paranaense, senão de alguém atento aos termos impróprios, constantemente utilizados pela mídia, que, no mínimo, estabelecem tendências de caráter duvidoso em relação ao devido respeito que merece o leitor.

(*) Poeta e mestre em Comunicação e Linguagens

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