Domingo, 22 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

PRIMEIRAS EDIçõES > PROVOCAÇÕES

Paulo de Tarso Lyra

Por lgarcia em 13/06/2001 na edição 125

ASPAS

ACM NA TV

"Panela de dendê no programa Raul Gil", copyright PanoramaBrasil (www.panoramabrasil.com.br), 9/06/01

"O quadro ?Para quem você tira o chapéu?, tradicional atração do Programa Raul Gil, na TV Record, transformou-se neste sábado (9/6) em uma apologia ao ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Duas semanas após renunciar ao mandato, ele foi convidado a dizer para quem ele tirava o chapéu.

ACM não tirou o chapéu, como era de se esperar, para o presidente Fernando Henrique Cardoso. Em sua opinião, o presidente é o grande responsável pelo momento de crise vivido pelo País. ?Ele está desgraçando o País?, afirmou. Antônio Carlos negou que seja amigo do presidente da República. ?Eu não sou amigo dele, da mesma forma que ele não é o amigo do País?.

O ex-parlamentar também não tirou o chapéu para o ministro da Saúde, José Serra. Para ACM, Serra está gastando dinheiro demais em publicidade, ao invés de pegar essa verba para investir em saúde. ?Faz isso porque é candidato à presidente?, declarou. ACM tirou o chapéu para o povo baiano, para seu conterrâneo Jorge Amado e para o presidente de honra do PT, Luis Inácio Lula da Silva, considerado por ele um homem íntegro.

Na segunda parte do quadro, a posição se inverteu e uma série de pessoas disseram se tiravam ou não o chapéu para o convidado, justificando a decisão. No caso de ACM, só foram chamadas pessoas ligadas a ele. Os dois primeiros a falar foram o ex-vocalista do É o Tchan, Beto Jamaica, e o líder do grupo, Cumpadi Washington. Depois dele, foi a vez do pugilista Acelino Popó de Freitas, que afirmou ter vencido todas as lutas por nocaute, não tendo sido nunca derrotado. ?Aprendi a ser um lutador como você?, declarou Popó.

A partir daí, iniciou-se o desfile de parentes e afilhados de Antônio Carlos. Renderam homenagens e teceram elogios, pela família, Luis Eduardo Magalhães Filho, Antônio Carlos Magalhães Neto, a neta Carolina Magalhães e a nora Michelle Marie Magalhães. Pelo lado político, ACM recebeu os parabéns e os ?sinceros? agradecimentos do governador da Bahia, César Borges, do prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy e dos senadores Waldeck Ornéllas e Paulo Souto, ambos do PFL baiano.

No final, ele ainda recebeu um quadro pintado, intitulado ?ACM com a boca no trombone?, numa alusão à uma frase dita pelo presidente da República de que Antônio Carlos Magalhães era um trombone destoando na orquestra. ?Vou continuar com a boca no trombone para combater os erros, os absurdos e os apagões desse governo?, conclui ele."

"Que rei sou eu?", copyright Veja, 11/06/01

"O ex-senador Antonio Carlos Magalhães é uma revelação como estrela de TV. No último domingo, ele compareceu ao Passando a Limpo de Boris Casoy, na Record. Terça-feira foi a vez de Marília Gabriela, que há anos procurava entrevistá-lo, receber o político baiano na Rede TV!. A aparição mais curiosa, no entanto, tinha exibição prevista para as 13 horas do dia 9, sábado. Desenvolto como um babalorixá em terreiro de umbanda, ACM gravou a brincadeira Para Quem Você Tira o Chapéu?, no programa de Raul Gil, na Record. O quadro oferece ao convidado a oportunidade de homenagear ou alfinetar personalidades e afins. ACM distribuiu estocadas e afagos de um óbvio ululante como a qualidade da atração comandada por Raul Gil. Falou bem do escritor Jorge Amado, do presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, e do povo baiano. Não tirou o chapéu sete vezes – entre os desprezados, o presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do Senado, Jader Barbalho, e o ministro da Saúde, José Serra. Até agora, a audiência de ACM tem sido irregular. Fez o ibope do Passando a Limpo pular de 1 para 4 pontos, mas deixou a desejar com Marília Gabriela. Nada que um bom coadjuvante não resolva. Por exemplo, Carlos Massa, o Ratinho. O apresentador do SBT não vê a hora de contracenar com o figurão. Mas terá de esperar. ?Aparecer na TV é ótimo, desde que com moderação. Só daqui a duas semanas aceitaremos novos convites?, diz o jornalista Fernando Mesquita, assessor de ACM."

PROVOCAÇÕES

"Provocações inova com antitalk show", copyright IstoÉ, 11/06/01

"Qualquer talk show, por pior que seja, acaba se apoiando numa mesma receita ao criar um espaço supostamente íntimo, onde a celebridade deve deixar escapar para o entrevistador revelações inesperadas. Quem se posta diante da televisão, naturalmente espera algo do gênero. E, como não poderia deixar de ser, os talk shows e seus formatos caretas investem na atitude, resumindo tudo a puro teatro. Ator e diretor dos melhores, Antônio Abujamra, 68 anos e 51 de carreira, decidiu entrar na contracorrente e fez de seu Provocações – que vai ao ar aos domingos, às 20h30, na Rede Cultura – um antitalk show por excelência. É um exercício de sadismo requintado, em completa sintonia com o título do programa. Com seu humor corrosivo, constantes e perversas mudanças de tom, Abu – como é chamado pelos amigos – induz a personalidade a retirar as máscaras em vez de colocá-las.

Quem assistiu à entrevista com Carlos Massa, o Ratinho, nunca vai se esquecer da expressão de espanto do apresentador diante de uma das perguntas-bomba de Abujamra. ?Ratinho, dá para você, a partir de hoje, começar a idolatrar a dúvida?? Com questões desta linha e comentários afiados, constantemente ele pega de surpresa até figurões da inteligentzia, como a escritora e psicanalista Betty Milan, que não escondeu o desconforto ao ser questionada sobre como gostaria de morrer. ?Vendo o Brasil mais igualitário?, respondeu. ?Então vai morrer mal, é isso??, retrucou Abu, calculadamente irritado. A idéia do programa é antiga. ?A tevê nunca me deixou fazê-lo. Não deixaram na CNT, na Record, no SBT…?, conta.

Mesmo alternando declamações de poesia, intervenções contundentes de populares colhidas nas ruas e entrevistas com as mais diferentes figuras do cenário artístico e cultural, Provocações rende só dois pontos na medição do Ibope. Mas, em apenas meia hora, é um verdadeiro oásis de sagacidade e inteligência dentro da indolência dominical. Também faz diferença, e muita, até entre seus similares, no ar durante a semana. Para Antônio Abujamra nada em Provocações soa mentiroso. Como ele mesmo afirma, a única coisa falsa é o abraço dado nos convidados no final do programa."

    
    
              

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