Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Paulo Eduardo de Vasconcellos

Por lgarcia em 29/01/2003 na edição 209

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

“Observatório vai vigiar imprensa globalizada”, copyright Reuters, 27/1/03

“Participantes do 3o. Fórum Social Mundial anunciaram a criação, amanhã, do Observatório Mundial da Mídia para acompanhar o trabalho dos meios de comunicação no mundo globalizado.

?Não se trata de um tribunal, mas de um relatório internacional que irá apontar todos os casos de desvio e manipulação promovidos pela mídia?, disse neste domingo o diretor do jornal Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, um dos participantes da conferência ?Mídia e Globalização? realizada no ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre.

?A mídia nos está envenenando. Precisamos urgentemente de uma ecologia da informação,? defendeu Ramonet, que dividiu a mesa com Sally Burch, diretora executiva da Agência Latino-americana de Informação, com a escritora filipina Susanna George, e com o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci.

O diretor do Le Monde Diplomatique mencionou o caso da Venezuela para exemplificar a manipulação dos veículos de imprensa.

?O que se trava lá não é uma guerra civil, mas uma batalha entre dois grupos em que a arma mais poderosa tem sido os jornais, as rádios e as televisões?, afirmou Ramonet.

?Os jornalistas estão sendo submetidos a uma cruzada ideológica.?

Sally Burch fez coro. ?A indústria da comunicação está se pondo acima de qualquer controle social?, disse Burch. ?Se não há democracia de informação, não há democracia social.?

Susanna George preferiu denunciar os conglomerados que controlam a comunicação e ditam regras, estabelecem a verdade e, principalmente, definem as imagens que querem que a sociedade assimile.

?Depois do atentado às torres do World Trade Center foi um massacre informativo de Osama Bin Laden. Como não se conseguiu caçar o inimigo número um dos Estados Unidos, parte-se então para o número 2: Saddam Hussein.?

Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, lembrou que os jornais surgiram para servir informação aos cidadãos.

?Não se imaginava, então, que um dia viessem a se tornar instrumentos de corporações?, lembrou. ?Os conglomerados são a negação do jornalismo.?

A lógica dos conglomerados, segundo Bucci, não é informar para a democracia, mas impedir a democracia.

?O império hoje é do entretenimento. Até a informação está a serviço dele?, disse. ?Do atentado de 11 de setembro às ameaças de guerra ao Iraque, tudo é noticiado como um espetáculo em que a informação acaba sendo mais uma das vítimas.?”

“Diretor do Le Monde Diplomatique diz que mídia não é mais o quarto poder”, copyright Agência Brasil, 26/1/03

“O diretor do jornal Le Monde Diplomatique, o espanhol Ignácio Ramonet, disse hoje, ao participar da conferência ?Mídia e Globalização?, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, que a mídia perdeu a condição de quarto poder com o crescimento da influência de grupos econômicos importantes.

Ele participou da conferência, juntamente com o presidente da Radiobrás, jornalista Eugênio Bucci; a representante da organização feminista ISIS, Susanna George, da Malásia; e a jornalista norte-americana Sally Burch, representante da Agência Latino-americana de Informação (Alai).

Segundo Ramonet, grupos como a AOL e a Time Warner, que se enquadram na classificação das grandes corporações, não têm o objetivo de ser o quarto poder. ?Agora, eles se unem ao poder e se somam a ele, para oprimir o cidadão; esse que antes era oprimido pelo executivo, agora é oprimido também pelo poder midiático?, constatou.

Bucci acrescentou que os veículos de comunicação de massa eram o veículo de debate publico quando foram criados e lamentou que hoje atuem apenas dentro da lógica de mercado. Questionado sobre o que pretende fazer para democratizar a mídia no Brasil, Bucci respondeu como dirigente da Radiobrás: ?vamos procurar ouvir o publico, ter uma comunicação de mão dupla?, garantiu. Na sua avaliação, uma necessidade básica da cidadania é o acesso à informação. ?Isso, na empresa, estará no lugar mais alto possível?, colocou.

Na mesma conferência, a ativista Susanna George, representante da ISIS, criticou a pasteurização da cultura e da informação que se faz nos meios de comunicação. ?A mídia subjuga valores e homogeiniza a cultura, querendo impor até mesmo o que é sexualmente desejável. Vejo com tristeza, acho trágico mesmo, que no Japão e na China, mulheres se submetam a cirurgia plástica para imitar as ocidentais, arredondando os olhos, clareando o bico dos peitos?, acusou.

A jornalista Sally Burch apontou apontou a ironia entre o momento anterior, em que não se tinha tanta informação à disposição do público, e a atual avalanche de notícias. ?Se por um lado, hoje, há mais oportunidades de comunicação, aumentadas pela digitalização, vemos limitado o acesso de muitos cidadãos a meios necessários para estabelecer esse acesso. Há milhares de pessoas no mundo que sequer têm acesso a telefone, que dirá computador?, disse a representante da Alai.”

“Evento questiona política de concessão e qualidade da TV”, copyright Folha de S.Paulo, 24/1/03

“Pelo menos quatro painéis e seis oficinas do 3? Fórum Social Mundial de Porto Alegre irão debater a comunicação, a partir de hoje. A política de distribuição de concessões de rádio e TV e a qualidade da televisão serão alguns dos principais pontos das discussões.

O ministro Gilberto Gil (Cultura) será o principal representante do governo nos debates. Estará no painel ?Comunicação e Cultura na Contemporaneidade?, que discutirá políticas para a produção audiovisual. Ao seu lado, estarão Assunção Hernandes, presidente do Congresso Brasileiro de Cinema, Margarete Moraes, secretária da Cultura de Porto Alegre, e Luis Custodio, secretário de Relações Internacionais da Associação de Imprensa Uruguaia.

Miro Teixeira (Comunicações) também foi convidado, mas não irá comparecer. Márcio Wohlers, que deverá ocupar um cargo no ministério, representará o ministro, hoje, no painel ?A Disputa da Estruturação dos Sistemas de Comunicação?, sobre o poder do setor privado na radiodifusão. Wohlers debaterá com Oswaldo Urriolabeitia, vice-presidente da Federação Internacional de Jornalistas, e Daniel Herz, coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (organizador dos debates).

?O enfoque tradicionalmente é discutir a relação entre comunicação e poder. Agora, a diferença é que muitos dos debatedores dos últimos dois anos [com o governo do PT] são operadores de políticas públicas. Esperamos que as idéias tenham uma permeabilidade maior no governo?, diz Herz.

Quem deve fazer barulho em Porto Alegre é a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com o lançamento de uma cartilha que define o que é baixaria na programação da televisão. Será a estréia pública da campanha ?Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania?.

O que também deve dar o que falar são duas mesas sobre a contratação de Pedro Parente pela RBS, grupo de comunicação gaúcho. O caso virou polêmica, em 2002, em razão de o então ministro da Casa Civil ter sido contratado na época em que tramitava pelo governo uma lei que favorece empresas com muitas concessões de rádio e TV, como a RBS.

Unicef

A ONG TVer terá uma oficina pela primeira vez no Fórum de Porto Alegre. A organização do debate foi patrocinada com verba do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). ?Nossa idéia é discutir um modo de controle social da TV?, diz Laurindo Lalo Leal, presidente da ONG.

A oficina ?Radiodifusão Pública e Democratização da Comunicação? acontecerá amanhã, em duas etapas. Na primeira parte, das 14h às 16h, com temática internacional, Leal sentará à mesa ao lado de Lúcio Mesquita, chefe do serviço das Américas da BBC de Londres, e de Sérgio Caparelli, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na segunda fase, das 16h às 18h, com o Brasil em foco, a mesa será ocupada por Jorge da Cunha Lima, presidente da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) e da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Daniel Herz, Jorge Roberto Garcez, ex-presidente da TVE do RS, Gabriel Priolli, presidente da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), e Valci Zuculoto, diretora de Educação da Federação Nacional dos Jornalistas.

A TVer também terá uma oficina para pregar a importância de se ensinar a ver TV na escola. ?É preciso haver a formação de um telespectador crítico?, diz Leal.

O fórum também terá várias oficinas para falar sobre o problema das rádios comunitárias.

A programação completa do evento está no site www.forumsocialmundial.org.br.”

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