Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES >

Paulo Miguel Madeira

Por lgarcia em 19/08/2003 na edição 238

PORTUGAL

"Portugueses Vêem Mais Novelas e Séries e Lêem Menos Jornais", copyright Público (www.publico.pt), 18/08/03

"O tipo de programas que os portugueses mais vêem na televisão é significativamente diferente do que é visto pelo conjunto da população europeia. As notícias e as questões de actualidade estão à cabeça dos programas mais vistos quer pelos europeus em geral (88,9 por cento) quer pelos portugueses (70,1 por cento), mas, em segundo lugar, 84,3 por cento dos europeus escolhem os filmes, enquanto na segunda posição das escolhas dos portugueses estão as novelas e séries, entre os preferidos de 38,0 por cento, segundo dados recolhidos na série de inquéritos Eurobarómetro, da União Europeia (UE).

A série Eurobarómetro começou em 1973, com o objectivo de acompanhar a evolução pública nos Estados-membros, ajudando à preparação dos trabalhos da Comissão. Há uma versão padrão constante, mas o estudo em referência faz parte dos relatórios especiais. Estes baseiam-se em estudos de várias direcções-gerais da Comissão e em resultados obtidos através de questões específicas introduzidas nos questionários das várias edições padrão.

Quanto à penetração da televisão em Portugal, é semelhante ao que acontece na UE, com 98,7 por cento dos portugueses a responderem que vêem TV, face a 97,6 por cento dos europeus. O padrão de audiência de notícias televisivas também é semelhante ao do resto dos europeus, com uma grande predominância dos espectadores que seguem diariamente a informação pela TV, e um peso significativo dos que o fazem várias vezes por semana.

Pouca rádio e poucos jornais

No que respeita à rádio, os portugueses estão entre os que menos a ouvem, tal como os espanhóis e os franceses. Apenas 52,7 por cento dos cidadãos nacionais passam todos os dias algum tempo a ouvir rádio, face a uma média de 58,6 por cento na UE. Quanto ao que os portugueses preferem ouvir na rádio, o padrão é bastante próximo do da média europeia. A música está entre as preferências de 88,8 por cento dos portugueses, face a 90,7 por cento na UE; seguem-se as notícias e questões de actualidade, com respectivamente 59,1 e 53,0 por cento; e o desporto, com 15,3 e 17,4 por cento. A percentagem dos ouvintes de rádio em Portugal diminui à medida que se avança na idade e sobe à medida que aumenta o nível de instrução.

Portugal continua a estar entre os países onde menos se lê jornais diariamente. Os 25,1 por cento de pessoas que lêem jornais cinco a sete vezes por semana estão ligeiramente acima dos 24,8 por cento de espanhóis e dos 20,3 por cento de gregos. Na UE, 45 por cento da população lê jornais cinco a sete vezes por semana. Os valores mais elevados são alcançados na Finlândia, Suécia, Alemanha e Luxembrugo, com respectivamente 77,8, 77,7, 65,5 e 62,7 por cento.

Por outro lado, os 25,5 por cento de portugueses que disseram nunca ler jornais são mais do dobro dos 12,7 por cento que nunca lêem jornais no conjunto da UE, tal como também acontece na Grécia e em Espanha.

Ficha técnica

Os dados aqui apresentados foram extraídos de ?European Citizens and the Media – National Reports?, datado de Maio deste ano e cuja informação foi obtida por inquérito. Em cada Estado-membro foram inquiridos perto de mil cidadãos (1001 em Portugal, entre 25 de Janeiro e 25 de Fevereiro de 2002). Tal como todos os Eurobarómetros, trata-se de uma iniciativa da Direcção Geral de Imprensa e Comunicação da Comissão, a qual adverte para que os resultados são apenas estimativas, cuja precisão depende, mantendo-se tudo o resto igual, da dimensão da amostra e da percentagem observada."

 


"José Fragoso Assume Direcção da TSF em Momento de Tensão", copyright Público (www.publico.pt), 18/08/03

"O jornalista José Fragoso assume hoje a direcção da TSF em ambiente de tensão, sucedendo a Carlos Andrade, que se demitiu em Julho passado por divergências estratégicas com a administração.

José Fragoso, que até ao mês passado foi director das antenas internacionais da RTP, levará consigo Luís Proença, até aqui director-adjunto de programas da Antena 1 da RDP.

A chegada da nova equipa directiva surge num momento de tensão na estação informativa, devido ao anunciado plano de cortes nos custos de funcionamento, que incluem igualmente a dispensa de um número ainda não definido de trabalhadores, mas que pode atingir as três dezenas.

?A TSF continua a funcionar normalmente, mas há, de facto, um ambiente um bocado pesado, porque ninguém sabe o que vai acontecer?, confirmou à Lusa uma fonte da rádio. A maior incógnita prende-se com a orientação estratégica da estação, que voltou a subir as audiências no segundo trimestre do ano, de acordo com o ?Bareme? de rádio da Marktest, divulgado em Julho.

A administração da Lusomundo Media tem um plano de reestruturação da emissora, elaborado pelo seu fundador, Emídio Rangel, e que, segundo notícias vindas a público, defende uma diminuição dos noticiários fora do horário nobre (manhã e fim de tarde) e uma maior abertura ao auditório feminino.

O presidente da administração, Henrique Granadeiro, já fez saber, aliás, que o número de profissionais a dispensar está dependente precisamente da orientação estratégica que for definida e, em concreto, da duração dos noticiários e do peso do desporto na grelha da estação.

Também os trabalhadores da TSF, que se constituíram em comissão, esperam pela entrada em cena de José Fragoso para qualquer iniciativa. ?Para já, é extemporânea qualquer tomada de posição?, disse à Lusa um elemento da comissão, que já foi recebida por um assessor do Presidente da República e pelos grupos parlamentares.

José Fragoso e Luís Proença regressam ambos à TSF, de onde saíram para a SIC, ainda que em momentos diferentes. Sucedendo a Nuno Santos, Fragoso chegou a assumir por três meses a direcção da SIC Notícias, até que Emídio Rangel o levou consigo para a RTP, enquanto Luís Proença se manteve editor do canal informativo até ao início do ano, quando aceitou o convite para integrar a equipa de Luís Marinho, na Antena 1. O anterior director, Carlos Andrade, que ocupou o cargo durante nove anos, manter-se-á na Lusomundo Media, apesar de as suas funções não terem ainda sido divulgadas."

 


"Três Apagões", copyright Público (www.publico.pt), 18/08/03

"Primeiro apagão: as imagens impressionantes de centenas de milhares de pessoas nas ruas de Nova Iorque durante o apagão no Leste dos EUA e do Canadá, captadas do alto de prédios altos, revelam quanto o moderno urbanismo, o trabalho e o lazer dependem da energia eléctrica.

A multidão ocupando o espaço público recordou-me as descrições da gente nas ruas nas grandes metrópoles europeias no século XIX e primórdios do século XX. A literatura das multidões desse período era muito ideológica, mas resultava em primeiro lugar da visão do formigueiro humano nas ruas, tal e qual como Nova Iorque se apresentou no passado dia 14 por causa do apagão.

Ver centenas de milhares circulando ordeiramente e sem objectivo comum causava viva impressão aos escritores, sociólogos e jornalistas. O mesmo sucedeu quinta-feira, nos comentários que ouvi nas emissões americanas e inglesas. Quer dizer, sem electricidade, as ruas de Nova Iorque voltaram ao século XIX na realidade da gente nas ruas, nas imagens e nos comentários.

Outro aspecto do apagão foi o estranho ar das emissões televisivas resultante de não terem espectadores nas áreas atingidas pelos cortes de energia. Em certos momentos, sentia-se que faltava ?o outro lado? da comunicação, os espectadores. A TV tem um lado interactivo muito forte que se manifesta subtilmente sem necessidade de aparelhos com essa capacidade técnica. Por outro lado, foi a falta da TV e da rádio que motivou algum pânico. No 11 de Setembro, cuja gravidade é incomparavelmente superior, não houve pânico. Havia televisão. Mas agora… Nova Iorque sem televisão?

O apagão revelou ainda como o 11 de Setembro marcou a história americana e foi profundo o êxito psicológico dos terroristas. Dois anos depois, a principal mensagem das autoridades americanas e das TVs foi, desde o primeiro segundo, a de que o apagão não resultava de terrorismo.

Segundo apagão: tornam-se mais frequentes as noticías sobre estreias de filmes comerciais nos noticiários televisivos. Isso seria normal e útil se as notícias o fossem realmente. Não são. Trata-se de promoção ou mesmo de publicidade inserida nos noticiários: o texto promove o filme; as imagens são os próprios clips publicitários criados pelos estúdios americanos, incluindo as frases publicitárias; os critérios são sempre os dos estúdios e nunca do jornalismo ou da crítica. São os operadores de TV pagos para incluirem estas ?notícias? nos telejornais? Ou apenas aproveitam acriticamente os materiais de promoção que lhes são enviados pelos estúdios?

Esta publicidade é frequente também na rádio, seja nos canais privados seja nos públicos, como na Antena 2, onde costumo ouvir promoções acríticas de filmes. Ainda não vi os deontólogos do costume falarem deste apagão da crítica. Julgo que os jornalistas deveriam ser informados sobre o erro em que incorrem neste tipo de publicidade; e os operadores de TV deveriam dizer-nos quais os trâmites que os levam a fazer publicidade gratuita nos telejornais, o que é provavelmente ilegal.

Terceiro apagão: o fim do Verão é sempre marcado pela copiosa informação sobre as transferências da bola. A acrescentar à de Cristiano Ronaldo, esta semana soube da transferência do ?comentador desportivo? Fernando Seara para a SIC Notícias e, principalmente, a mais importante da época, a transferência de Santana Lopes da RTP1 para a SIC.

No Expresso, Fernando Madrinha já chamou a atenção para o insólito ?comunicado? de Santana dando a conhecer à Nação Portuguesa a novidade. Não se sabe se o comunicado é do autarca, do dirigente partidário, do comentador desportivo da Bola, do comentador político ou do talvez-sim-talvez-sim candidato a Belém. Julgo que o comunicado é do super-ego que os reúne a todos num só. Santana Lopes tem desenvolvido um ego de tal forma monumental que não posso ver este comunicado em mais nenhuma qualidade.

No comunicado à Nação, Santana posicionou-se televisivamente em relação (contra) o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa. Chega ao ponto de afirmar que o seu comentário na RTP1 foi o programa ?mais visto, repito, o mais visto, em várias semanas?, isto é, mais ainda do que o professor da TVI. Contagem de votos? Seria impossível ao autoconvencimento de Santana aceitar que a maior audiência se devesse a factores que lhe foram exógenos como, por hipótese, a hora da concorrência ou até uma prestação de José Sócrates mais apreciada que a dele.

A relação de Santana com a imprensa, inscrevendo-se num género com virtualidades na actual sociedade mediatizada, está a tornar-se doentia, provavelmente em resultado do seu recorte psicológico e da sua ambição. Esta coisa de não haver dia útil ou fim-de-semana em que ele não plante notícias na TV ou na imprensa – seja ela imprensa do coração ou imprensa da razão – já ultrapassa os limites do razoável e, quem sabe, pode ser-lhe contraproducente.

Exemplo flagrante foi a longa entrevista que fez ao autarca lisboeta – a poucos dias da transferência para a SIC, sabe-se lá porquê – o jornalista Pedro Coelho, da SIC.

Essa entrevista é das mais revoltantes que tenho visto na TV portuguesa nos últimos anos. Trata-se da mais pura propaganda da personagem entrevistada, seja pelo género televisivo escolhido, seja pelas perguntas e pela atitude do jornalista. Pedro Coelho teve aqui o pior momento da sua carreira, que espero que não se repita, ou terei que lhe pedir que me devolva o Olho Vivo 2002 que lhe atribuí em Janeiro. Este foi um verdadeiro apagão do jornalismo.

Santana Lopes foi entrevistado em pé, em género passeio. Uma de duas câmaras ia circulando em volta do político como se ele fosse vencedor da Volta ou artista de cinema. Eu nunca tinha visto este género de realização (?) numa entrevista política, que exige distância ideológica e neutralidade visual. A entrevista começou na residência do edil em Monsanto (para ele dizer que dela pouco usufrui, naturalmente). Passou depois às metáforas visuais: o Parque Eduardo VII, no seu género de arquitectura ?jardim de Estado?; depois, no Marquês de Pombal, a quem o jornalista convidou Santana a comparar-se, ao que este, agradado pela pergunta mas com a sua habitual modéstia, evitou responder por palavras (só depois do próximo terramoto, pareceu dizer o seu gesto vago); depois, à porta da Câmara, onde ele exerce actualmente; o percurso terminou (adivinhem) no local que simboliza o poder máximo na Pátria, o Terreiro do Paço, onde está a estátua equestre do chefe de Estado D. José. Mas claro, a modéstia impede o autarca de dizer se ambiciona Belém. Também não era preciso dizer: a cenografia da entrevista respondia cabalmente."

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem