Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > MULHER NA TV

Paulo Ricardo Moreira

Por lgarcia em 31/07/2002 na edição 183

ENTREVISTA / PEDRO BIAL

“De repórter a ?showman?”, copyright O Globo, 28/7/02

“De correspondente internacional, que já cobriu guerras e a queda do Muro de Berlim, a showman da TV brasileira. À frente da apresentação das duas primeiras versões do ?Big Brother Brasil?, na Rede Globo, Pedro Bial, aos 44 anos, conseguiu mesclar a experiência de duas décadas como repórter com um tom leve e extrovertido que o reality show exigia. O resultado foi o aumento da sua popularidade nas ruas. Tanto que o nome do apresentador foi unanimidade na hora da escolha para o comando de ?O elo mais fraco?, game de perguntas e respostas previsto para estrear em agosto na emissora, inspirado no inglês ?Weakest link?, da BBC.

O GLOBO: Você acha que este seu lado ?showman? pode encobrir o jornalista?

PEDRO BIAL: Estou aprendendo a separar as duas coisas. Tenho muita estrada como repórter para saber que são funções diferentes. Enquanto estiver apresentando ?O elo mais fraco? vou voltar a fazer reportagens para o ?Fantástico?, já que o game é gravado. Não quero esquecer nunca a minha origem, a minha paixão: o jornalismo.

O GLOBO: Você usou sua experiência como jornalista na hora de ?cutucar? os participantes do BBB?

BIAL: De vez em quando espetava os participantes: era o elemento provocador, mas sempre com leveza e bom humor. É importante para que o programa não fique chato. Servia como válvula de escape para quem estava confinado.

O GLOBO: Muitos telespectadores acharam que você pegou pesado com a Manoela no domingo passado…

BIAL: A única pergunta que eu queria fazer a Manoela era se dividiria os R$ 500 mil com Fabrício ou Thyrso. O que eu falei sobre as cenas com o Fabrício foi por orientação da direção. Acho que a Manu não deveria dividir o prêmio com ninguém.

O GLOBO: E em relação ao Thyrso, que ficou de cara feia quando você disse que ele estava sendo agressivo com a namorada?

BIAL: A direção do programa pediu que eu dissesse a ele que estava passando dos limites nas brincadeiras em que parecia agredir a Manoela.

O GLOBO: Houve quem chegasse até você para reclamar das provocações?

BIAL: As pessoas que se aproximaram de mim para criticar meus comentários, na verdade, são aquelas que gostariam de ter falado tudo o que eu disse. O público sempre tende a se solidarizar com os mais fracos. As brincadeiras que fiz tomaram ares de julgamento, e não era essa a intenção.

O GLOBO: Em algum momento você torceu por alguém?

BIAL: Não torci por ninguém. Claro que tinha as minhas simpatias. Mas não dou nomes porque uma vez fiz comentários num chat da Globo.com e as pessoas acharam que eu estava torcendo por determinada participante, não era verdade. No ?BBB 1? minha simpatia era pelo Adriano. Mas não torci por ele.

O GLOBO: Acha que ficou mais popular como apresentador do que como repórter?

BIAL: A popularidade que o ?BBB? me deu é diferente. Acho que as pessoas passaram a conhecer a pessoa Pedro Bial. O jornalista já era conhecido. No ?Big Brother? sou eu mesmo, sem o escudo do jornalismo. Errando ou acertando, agi naturalmente. E isso criou uma intimidade com o público, que está à vontade para falar comigo nas ruas.

O GLOBO: Você apresentaria o ?BBB 3??

0BIAL: Gostaria muito. O primeiro foi uma aventura: estávamos procurando ajustar formato e linguagem. O segundo se mostrou um grande avanço. Sei que no terceiro poderemos fazer ainda melhor.

O GLOBO: Você está animado com a apresentação de ?O elo mais fraco??

BIAL: Como espectador, é o tipo da atração que eu gostaria de assistir. É um programa de perguntas e respostas muito interessante. Tenho uma interação com os participantes, mas nada que se compare à que tinha com os integrantes do ?BBB?. Já gravei os pilotos, mas ainda estamos buscando o formato ideal.”

 

MULHER NA TV

“A mulher que a TV brasileira consome”, copyright Jornal da Tarde, 27/7/02

“Como é que a câmera da tevê brasileira ?olha? o corpo da mulher?

Como um objeto de consumo. Um eletrodoméstico. Um carro de propaganda.

Como o descreve?

Detalhes. O design. As partes mais atraentes. Os faróis. Os volumes. A traseira. A arrancada, as curvas, a chegada.

Com que objetivo?

Vender o novo modelo, estimular o desejo, criar necessidades, descartar o usado.

O olho da câmera é masculino. Onde ele pára, no que ele busca, sente-se até a esticada de pescoço.

Foi um leitor, não uma leitora, que escreveu para o Caderno de TV, suplemento dominical do JT, reclamando dos closes invasivos nas modelos dos programas do Gugu, tanto no ?Domingo Legal? quanto no ?Sabadão?. A invasão, caríssimos, é a mesma, seja nos auditórios, nas telenovelas, nas pegadinhas, nos reality shows e – incrível – muitas vezes até nos esportes femininos.

O olhar das câmeras da nossa televisão reflete o que somos com relação a sexo: oportunistas, aproveitadores, voyeurs, bolinadores, sacanas.

O olhar voyeur chegou com os europeus. Entre os índios, não havia voyeurismo, já que não havia espaços indevassáveis. Amor se fazia na mesma maloca, redes vizinhas. Foi Pero Vaz de Caminha quem documentou pela primeira vez esse olhar que até hoje predomina. Quando descreveu ao rei as graças das índias – ?e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha? – o fez como uma câmera de tevê de hoje faria.

A câmera que lambe os corpos femininos, explora, devassa, tem certa discrição com os corpos masculinos. O cameraman tem medo de ser suspeito de veadagem.

Comparativamente, o povo brasileiro é bastante ligeiro de roupas. Mas não é a seminudez natural que a televisão exibe, e sim a das partes eleitas pelo homem como eróticas. Nem mesmo a variedade étnica é reproduzida pela tevê. Ela elege modelos e diz: eis o erótico. Pega uma loira oxigenada peituda e diz: eis a gostosa.

Nossa tevê é mais fetichista do que a européia ou a americana. O olhar da câmera americana reflete o da sociedade, que considera extrema grosseria até mesmo demorar o olhar sobre uma pessoa na rua. Qualquer invasão é desrespeito. A tevê aberta, então, não pode devassar, não pode oferecer uma testa de xota, mesmo coberta, uma dobra de bunda, um mamilo. E, no entanto, no plano verbal, ela é um pouco mais liberal do que a nossa.

O São Caetano e o ?herói?

No ?Globo Esporte? de quinta-feira, a vitória do São Caetano foi apresentada como mais uma do futebol pentacampeão e o repórter destacou o grande feito do Azulão, que teria vencido ?seguindo as dicas do Felipão?! Que dicas? Desde a véspera a Globo vinha valorizando no seu noticiário a visita que o treinador Scolari fizera ao time no hotel. Depois, destacou uma visita que ele fez ao vestiário, antes do jogo. Perguntado no início da transmissão de Cléber Machado sobre o que havia dito aos jogadores do São Caetano, Felipão declarou que apenas disse que eles tinham futebol para vencer, que tinham qualidade, e que deveriam jogar com essa determinação. No dia seguinte, para o repórter do ?Globo Esporte?, a vitória fora do Felipão.

Dicas de Rita Lee

?Saia Justa? vai-se tornando um dos melhores programas da televisão brasileira. É o mundo visto pela mulher, expresso pela mulher, vivido pela mulher – e que o homem só pode perceber por intercessão da mulher. Na quarta passada, a discussão sobre o xixi fora de casa foi impagável e ao mesmo desvendou um aspecto da atribulada vida feminina.

Rita Lee fez uma apaixonada crônica contra os rodeios. É bichólatra confessa, mas o que ela disse mereceria uma boa reportagem investigativa na tevê. O que há por trás das porteiras dos rodeios. Crueldade com animais. Introduzem cacos de vidro nos bichos, queimam com cigarro a vulva das fêmeas, disse ela. Não são belos e caros animais de raça, mas animais descartáveis. Vale uma olhada.”

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