Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES >   LE MONDE SEMANAL

Paulo Sternick

Por lgarcia em 20/01/2004 na edição 260

CASO DANIEL PEARL

“Por que mataram o jornalista”, copyright O Globo, 19/01/04

“No fim do mês faz dois anos que radicais islâmicos seqüestraram e decapitaram no Paquistão o jornalista americano Daniel Pearl, 38 anos, chefe da sucursal sul-asiática do ?The Wall Street Journal?. A investigação independente deste crime, realizada durante um ano pelo filósofo Bernard-Henri Lévy, prosseguiu uma busca da verdade à qual Pearl era um devoto. Não conseguiram interrompê-la com seu esquartejamento. Seguindo seus passos nas entranhas deste dúbio país que até o 11 de setembro apoiava o regime Talibã, no vizinho Afeganistão, somos tentados a concluir que o Paquistão – atual aliado dos Estados Unidos – pode ser, ele próprio, a futura bola da vez na luta contra o terrorismo.

No raciocínio psicanalítico, uma luz vermelha se acende quando se depara com exclusão ou esquecimento. Por que o artigo de Pearl, publicado em 24 de dezembro de 2001, foi omitido da coletânea Cidadão do Mundo (Editora Landscape), organizado por sua colega Helene Cooper (com prefácio da mulher do jornalista, Mariane, e homenagem de Bob Dylan)? E por que na época o artigo repercutiu tão pouco frente à gravidade do que revelava? Nele, Daniel Pearl indaga se os principais cientistas da bomba atômica paquistanesa pertencem a organizações islâmicas extremistas e se estão em contato com a al-Qaeda. Perseguindo suas fontes e contatos, Bernard-Henri Lévy revela, em ?Quem matou Daniel Pearl?? (Editora A girafa), que o fato é inegável: Bin Laden esteve com um dos colaboradores da bomba paquistanesa, Basiruddin Mahmud.

?Este cientista – diz o filósofo – alimenta a teoria de que a bomba não é paquistanesa, mas ‘islâmica’.? Já ouviram falar em bomba cristã ou judaica? E Abdul Qadir Khan, o verdadeiro pai da bomba paquistanesa, é hoje membro do Lashkar e-Toiba, uma das organizações mais próximas da al-Qaeda. Lévy aposta que Pearl estava reunindo provas do conluio entre o Paquistão, governos ?salafrários? e as redes terroristas do planeta; que estava escrevendo um artigo sobre o ?jogo duplo do governo paquistanês, que se presta às mais temíveis operações de proliferação nuclear?. Talvez o presidente Pervez Musharraf, alvo freqüente de atentados terroristas, só se mantenha no poder por meio de um precário equilíbrio num país onde 97% da população são de muçulmanos, parte da qual simpática aos grupos extremistas. Setores de seu serviço de inteligência mantêm relações promíscuas com a al-Qaeda. Suas promessas ao presidente Bush, de controlar cientistas atômicos e organizações radicais, não podem ser cumpridas.

Como se não bastasse, Lévy ainda se lembra das cem ?maletas atômicas? que sumiram do arsenal da extinta União Soviética – as famosas ?bombas sujas?. Em 6 de janeiro último, tivemos duas confirmações dos riscos apontados por Bernard-Henri Lévy. O ?Washington Post? revelou que um ataque com ?bombas sujas? era o maior temor do governo americano no Ano Novo. Enviaram sigilosamente – para não causar pânico – cientistas nucleares com equipamentos de detecção de radioatividade para lugares de aglomeração popular em cinco grandes cidades americanas. E, segundo revelou o ?New York Times?, citando membros do governo Bush, o Paquistão forneceu à Líbia know-how no enriquecimento de urânio para uso em armas nucleares. Disse uma fonte graduada: ?Os paquistaneses estão agora totalmente envolvidos com os maiores problemas que temos com a proliferação de armamentos nucleares.? Mas se a Líbia parou de incomodar, a al-Qaeda, que não assina nenhum Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares – aliás, que não assina tratado algum, exceto seu compromisso com a insanidade – já nos faz sentir ?saudades? da Guerra Fria, quando os arsenais atômicos eram mantidos ?apenas? por governos responsáveis. PAULO STERNICK é psicanalista.”

 

LE MONDE SEMANAL

“?Le Monde? lança semanário para explorar ?novos territórios?”, copyright Último Segundo / EFE, 14/01/04

“O jornal francês ?Le Monde? lança no próximo sábado um semanário com o objetivo de explorar novos ?territórios de expressão? e atrair novos leitores com uma fórmula de fim de semana inspirada no modelo anglo-saxão.

O ?Le Monde ?weekend? mantém o suplemento ?Dinheiro? e a seleção semanal do ?The New York Times? dos sábados, além de estrear também -só na região de Ile de France e na vizinha Oise- um caderno de 32 páginas de classificados dividido em cinco categorias: carros, motos, barcos, imóveis e compras.

O preço de lançamento do ?Le Monde? dominical, que será publicado aos sábados à tarde, com data de domingo e segunda-feira, será dois euros (o diário custa 1,20 euro) e seu preço definitivo será de 2,50 euros.

O primeiro número terá uma tiragem de 600.000 exemplares.

O jornal superou os 400.000 exemplares de difusão diária e os dois milhões de leitores em 2002, segundo os últimos dados fornecidos por sua direção, que pretende imprimir aos sábados 30.000 exemplares a mais durante o primeiro ano e 50.000 a mais no segundo.

O investimento global do projeto é de 5 milhões de euros, três deles para a campanha de publicidade que precede e acompanha sua chegada ao mercado.

As cem páginas do semanário em cores ?Le Monde 2? herdam a experiência do mensal do grupo ?Monde 2?, que em três anos de existência conseguiu entrar no seleto clube das publicações que vendem mais de 100.000 exemplares.

O ?Le Monde 2? pretende ser ?insólito, original e inédito?, por isso tentará oferecer ?uma visão diferente, mais doce, mais feminina, mais universal das figuras conhecidas e desconhecidas que formam a sua maneira nossas sociedades?.

O primeiro dos três pilares básicos de cada número proporá ?uma grande praia de leitura?, um retrato, uma entrevista e uma investigação, que revele ?novos aspectos da atualidade?.

O fotojornalismo será o eixo central da revista e segundo pilar estrutural, enquanto que o terceiro consistirá de um tema da atualidade abordado em profundidade e em toda sua dimensão histórica graças aos arquivos do jornal.

O diário em si também não será mais o mesmo, pois o último ?Le Monde? da semana será ?mais completo? e passará a ter 24 páginas, às quais serão acrescentadas oito do caderno ?Le Monde Argent? e as outras oito com a seleção semanal do ?The New York Times?.

O objetivo do ?Le Monde ?Weekend? é converter-se em um encontro semanal ?mais familiar, mais completo, mais humano e mais aberto aos novos rostos da atualidade?.

Seus diretores lembram que este ?diário francófono de referência?, ?líder entre as mulheres, os executivos e os menores de 35 anos?, é o segundo jornal mais lido no mundo pelos formadores de opinião, que, além disso, o consideram o mais influente depois do ?Financial Times?.

O conservador ?Le Figaro? estreou há vinte anos um semanário em cores para completar sua oferta dos sábados, que também inclui um semanário especialmente destinado à parcela feminina de seus leitores.

À exceção do diário populista ?Le Parisien?, e o esportivo ?L?Equipe?, a imprensa francesa de circulação nacional não é vendida aos domingos, dia em que vai às bancas o periódico ?Le Journal du Dimanche? e seu suplemento em cores ?Femina?.”

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