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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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PRIMEIRAS EDIçõES >   ITÁLIA

Pedro Doria

Por lgarcia em 01/07/2003 na edição 231

ECOS DE BLAIR

“Novo escândalo no NYTimes”, copyright No Mínimo (www.nomimino.com.br), 25/06/03

“Um novo escândalo está em ebulição no prédio acre da Times Square que serve de sede ao New York Times. Desta vez, não é um jovem e desconhecido repórter o envolvido, mas a veterana Judith Miller. Segundo reportagem do Washington Post, Miller abusou do poder no mais importante jornal do país, chantageando oficiais do exército, manipulando descobertas e até mesmo forçando sua participação em depoimentos delicados durante a cobertura do pós-guerra no Iraque.

As acusações contra Miller são assinadas pelo editor de mídia do Post, Howard Kurtz, o mesmo que levantou pela primeira vez os plágios de Jayson Blair. Judith Miller é uma das principais estrelas do Times e a mais reconhecida repórter a cobrir bioterrorismo nos EUA. É dela o livro best-seller Germs – Germes – lançccedil;ado há coisa de um ano. Na bagagem, ela conta ainda com um Prêmio Pulitzer, o mais importante prêmio jornalístico do país.

No Iraque, a repórter acompanhou o Mobile Exploitation Team Alpha – MET Alpha -, equipe do exército à qual coube a procura das armas de destruição em massa. Segundo fontes das Forças Armadas ouvidas pelo Post, rapidamente o MET Alpha perdeu o vínculo com as autoridades superiores e passou a agir por conta própria. ?Virou o time de Judith Miller?, contaram a Howard Kurtz.

No momento em que o exército decidiu tirar de campo o MET Alpha por conta da sistemática desobediência, Miller teria ameaçado oficiais, dizendo que publicaria reportagem no New York Times acusando as Forças de tirarem um bom time do campo.

A influência de Miller nas atividades do exército teria sido maior. Ela teria contado com a amizade do líder do Congresso Nacional Iraquiano, Ahmed Chalabi, um dos principais nomes da oposição ao regime de Saddam Hussein e fonte antiga da repórter. Por conta de sua influência, Chalabi teria negociado pessoalmente a rendição de pessoas importantes no regime de Saddam, como o enteado do ditador. A prisão teria sido combinada com Judith para que fosse feita pela equipe que ela acompanhava.

Neste caso, o MET Alpha não apenas efetivou a prisão como também conduziu as primeiras horas do interrogatório – embora nem tivesse autorização nem treinamento para tal. As primeiras horas deste tipo de depoimento são cruciais e a condução por soldados despreparados – e incentivados por Miller – pode ter jogado por terra os esforços.

Ouvido pelo Post, o editor executivo do Times, Andrew Rosenthal, negou as acusações. ?Ela não levou o MET Alpha a lugar nenhum, esta acusação não tem fundamento. Ela não dirige o MET Alhpa, é uma civil. Uma repórter. Ela estava cobrindo o trabalho da unidade como centenas de repórteres do New York Times e do Washington Post e de outros. Ela fez tudo o que lhe permitiram fazer e apenas isso.?

A acusação vem num momento delicadíssimo tanto para o Times quanto para o governo dos EUA. Para o Times porque o jornal ainda não se recuperou do ataque à sua credibilidade cometido pelo inventivo Jayson Blair. Ao governo, porque as armas de destruição em massa que serviram de motivo para a guerra não foram encontradas. Era justamente a unidade que agora é acusada de ter sido controlada por Judith Miller sob chantagem a responsável por tal busca.

O New York Times opôs-se à guerra em editorial de primeira página e é um dos jornais mais agressivos nas críticas ao governo.”

 

UNIÃO EUROPÉIA

“UE quer proibir fotos sensuais na imprensa”, copyright O Globo, 26/06/03

“A União Européia pretende proibir a divulgação de fotos sensuais que mostrem a mulher como objeto sexual na imprensa escrita. De acordo com um projeto que será apresentado pela comissária social da UE, Anna Diamantopoulou, também as emissoras de TV serão impedidas de divulgar imagens de mulheres seminuas para fins publicitários, se isso significar falta de respeito à dignidade humana.

Se o projeto for aprovado, o que é visto como provável, jornais, revistas e emissoras de TV dos 15 países de UE serão proibidos também de publicar anúncios de serviços eróticos ou de estabelecimentos que anunciam serviços sexuais, como bordéis e clubes.

Mesmo antes da aprovação da lei, jornais populares, como o inglês ?Sun? e o alemão ?Bild?, começaram a protestar e a denunciar a iniciativa como censura. O ?Bild?, que tem circulação de mais de quatro milhões de exemplares, comparou o projeto a uma ?guerra entre as feministas e as moças bonitas?. As feministas são a grega Diamantopoulou e suas auxiliares, a francesa Edith Quintin e a alemã Barbara Helferich. As ?moças bonitas? são as modelos que posam para as fotos publicadas diariamente na primeira página, ao lado das manchetes políticas.

– Essas fotos representam uma postura machista que vê a mulher claramente como um objeto sexual – diz Helferich.

Rússia fecha única TV que denunciava corrupção

Enquanto a UE quer proibir as fotos de apelo sexual, na Rússia foi desligada a única emissora de TV que fazia reportagens livres sobre problemas do país, casos de corrupção e o conflito de Chechênia. O Ministério das Comunicações transferiu o canal da TWS, que foi fechada, para uma emissora de esportes, causando fortes protestos dos jornalistas russos.

Mariana Maximowskaya, a bela jornalista que diariamente apresentava as notícias da TWS, afirmou que a emissora tinha dívidas de vários milhões de dólares, mas disse que isso foi apenas um pretexto e que a ação foi política.

Segundo ela, seis meses antes das eleições do Parlamento (Duma) e nove meses antes das presidenciais, Vladimir Putin viu como um risco o estilo irreverente no qual a emissora narrava o conflito da Chechênia. Analistas russos prevêem para Putin, em março do próximo ano, um resultado ainda melhor do que o que teve em 2000, quando foi eleito com uma maioria de 52%.

Como no Brasil, também na Rússia a televisão é o principal meio de informação para a maior parte da população.”

 

PORTUGAL

“Quando o Televisor É Também Professor”, copyright Público (www.publico.com.br), 29/06/03

“Na altura em que a televisão dava os seus primeiros passos, teóricos houve que se apressaram a prever que, quando todos tivessem televisor, quando todos pudessem conhecer a diversidade humana, a paz seria inevitável. O poder daquele meio no sentido de facilitar o conhecimento do outro deveria tornar as pessoas mais tolerantes.

No entanto, a via seguida pela televisão foi a do negócio, da indústria, do entretenimento, frequentemente alimentando mais preconceitos. E é com alguma amargura que Gail Ifshin, directora executiva do Discovery Channel Global Education Fund, admite esta ironia do destino. Mas lembra esta história porque está profissional e afectivamente ligada a um projecto que ainda acredita nas potencialidades da televisão como instrumento de desenvolvimento humano.

O Discovery Channel Global Education Fund (DCGEF) é uma organização sem fins lucrativos, que adapta e canaliza programas de televisão, nomeadamente documentários, para escolas localizadas em áreas onde escasseia o acesso a meios tecnológicos e materiais de pesquisa. O projecto, que é feito em estreita colaboração com o Discovery Channel, um dos maiores produtores de documentários do mundo, conta todavia com a colaboração de todo o tipo de parceiros: outros produtores de programas educativos, ministérios da Educação, organizações não-governamentais, empresas privadas.

A fundação, com centros de aprendizagem espalhados por nove países, defende o princípio de que a TV ?é um meio poderoso e eficaz de qualificar a aprendizagem e a compreensão, partilhar novas ideias, dignificar as tradições e estimular um sentido de comunidade a nível local e global?.

O objectivo não é beneficiar apenas as crianças mas também os professores, os pais e até profissionais de saúde, por exemplo, que precisam de fazer chegar certas mensagens às populações de modo claro e eficiente. E o certo é que, num pequeno documentário que Gail Ifshin mostrou aos jornalistas sobre o trabalho do DCGEF, é tocante a magia com que os miúdos recebem as novas informações via televisão.

Visitar Machu Pichu na sala de aula

Os documentários sobre a vida animal são os que provocam mais vibrações, mas os meninos também são loucos por documentários sobre planetas e astros, dinossauros, grandes invenções e histórias de quotidianos distantes. É um ?cliché? mas confirma-se: os miúdos da Roménia deixam-se encantar pelas pirâmides do Egipto; os da África do Sul extasiam perante os iglôs; os do México morrem de curiosidade pela China.

Muitas das crianças abrangidas pelo projecto, de países como o Zimbabwe ou Angola, vivem em comunidades com poucos ou nenhum televisor, por vezes mesmo sem electricidade, e onde não há bibliotecas, museus ou arquivos. Aquilo que são banais documentários para quem tem dezenas de canais de TV adquire outro significado quando usado, por exemplo, para mostrar Machu Pichu pela primeira vez a numerosas crianças peruanas.

É que, enquanto milhares de turistas cruzam mares e céus para visitar a jóia da coroa do império Inca, a maioria das famílias daquele país da América Latina não tem possibilidades de se deslocar ao ?ex-libris? da sua nação. Hoje, muitos meninos podem ?visitar? o monumento por dentro e por fora, ver informaticamente recriado o ambiente da época em que Machu Pichu era habitada e tudo sem sair da sala de aula.

Mas o DCGEF não se limita a trazer o mundo às escolas através do pequeno ecrã. Custeia igualmente viagens e visitas de estudo, financia intercâmbios, faz obras nas escolas, levando electricidade (por painéis solares) às que não a têm e ainda estimula a criação de projectos próprios.

Aliás, todos os documentários são seleccionados pelos professores da comunidade conforme os seus programas educativos e todo o material é traduzido nas línguas nativas. ?Nós não ditamos absolutamente nada. Não controlamos o conteúdo. São as comunidades locais que o fazem?, disse Gail Ifshin a um jornal sul-africano, país onde a fundação equipou 28 centros de aprendizagem. ?Este é um projecto de desenvolvimento de raiz. Não vemos grande benefício em despejar equipamento e tecnologia no terceiro mundo e esperar que algo aconteça.?

Os professores recebem formação e há um acompanhamento continuado da organização.

TV ou saúde, eis a questão

Mas entre dadores, académicos e peritos da área permanece o debate sobre se dádivas tecnológicas são a melhor forma de contribuir para o desenvolvimento. A principal questão é saber se será apropriado mandar televisores e outros equipamentos tecnológicos para locais onde muitas famílias batalham arduamente para arranjar tecto e comida.

Mesmo o rei do universo tecnológico, Bill Gates, admite que a tecnologia não consegue satisfazer as mais básicas necessidades humanas. Em declarações ao ?Atlanta Journal-Constitution?, há três anos, o patrão da Microsoft reconhecia que, quando 30 mil crianças morrem diariamente de doenças curáveis, a saúde deveria ser o sector prioritário das ajudas.

De qualquer modo, projectos como o do DCGEF parecem agradar até aos governos que, como no caso da Roménia, o primeiro país europeu a ser ajudado pela fundação, acabam por colaborar de mãos dadas com a organização.”

***

“Chegar a Um Milhão de Crianças em 2005”, copyright Público (www.publico.com.br), 29/06/03

“Foi há sete anos que a Discovery Comunnications, um dos gigantes da TV, decidiu desenvolver uma iniciativa para levar tecnologia e recursos audiovisuais a escolas com poucos meios na África do Sul.

O sucesso da iniciativa deu origem a pedidos de várias outras comunidades africanas para fazerem parte do projecto. Foi assim que, em 1997, se criou a organização sem fins lucrativos Discovery Channel Global Education Fund.

Hoje, a organização conta com 138 estabelecimentos de ensino em nove países: Angola (onde vão arrancar seis escolas), México, Namíbia, Peru, Roménia, África do Sul, Tanzânia, Uganda e Zimbabwe. Ao todo, são 240 mil crianças e quatro mil professores a beneficiar do projecto. O objectivo do Global Education Fund é chegar a um milhão de crianças em 2005.

Em que consiste o apoio da fundação? Dotar a escola de TV, vídeo, satélite, formação de professores e fornecimento permanente de programação audiovisual relevante, sobretudo documentários, e de guias para os professores. A propriedade destes equipamentos é da comunidade, mas a fundação presta apoio técnico.

A ideia é que as crianças aprendam através dos programas, que são acompanhados por questionários, jogos educativos, discussões e trabalhos de grupo. Os documentários exibidos tanto podem ser de material já existente como produzidos expressamente, em cooperação com as comunidades. Muitos dos filmes são cedidos pelos arquivos do Discovery Channel.

Contudo, os conteúdos são sempre adaptados às necessidades, conhecimentos e contexto de cada comunidade. Os textos são traduzidos para as línguas locais, havendo programas em português, inglês, espanhol, romeno e ndebele (Zimbabwe).

O ?site? da fundação pode ser consultado em www.discoveryglobaled.org.”

 

ITÁLIA

“RAI e Mediaset Ult”, copyright Público (www.publico.com.br), 29/06/03

“A Autoridade Italiana de Comunicações acusou esta semana os dois maiores grupos de televisão do país, a Mediaset (controlada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi) e a RAI (pública) de ultrapassarem as quotas de publicidade e terem posições dominantes no mercado de receitas publicitárias.

Na sequência de um inquérito relativo ao período 1998/2000, a Autoridade estabeleceu que o grupo privado Mediaset ultrapassou regularmente o limite máximo de 30 por cento autorizado para a receita publicitária e para a receita total no sector televisivo italiano. O mesmo inquérito concluiu que a televisão pública RAI excedeu o limiar dos 30 por cento apenas no que respeita à receita global (que soma publicidade e taxas/assinaturas de TV). Por exemplo, em 2000, a RAI, que tem três canais nacionais, concentrava 42,4 por cento do total das receitas do sector.

Por seu lado, a Mediaset, que também detinha três cadeias nacionais hertzianas, concentrava nessa altura 32 por cento dos rendimentos globais, enquanto que o seu ramo publicitário, a Publitalia, detinha 36,6 da receita publicitária total italiana, contra 19,7 por cento no caso da RAI.

Em consequência deste cenário, a Autoridade Italiana de Comunicações fez ?uma chamada de atenção formal? aos dois grupos e disse que se reservava o direito de intervir através de medidas ?anti-concentração? em função do resultado de um outro inquérito em curso sobre o mesmo assunto, desta vez relativo ao período 2001/2003.

A eventual adopção de medidas contra a posição dominante destas duas sociedades está também dependente da aplicação, ou não, duma lei que prevê a passagem à difusão por satélite de um dos três canais terrestres da Mediaset e o fim da publicidade num dos três canais da RAI. Um acórdão do Tribunal Constitucional italiano estipula a aplicação desta última lei até 31 de Dezembro de 2003, lembra a Autoridade.”

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