Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > SALVE JORGE

Pedro Doria

Por lgarcia em 15/08/2001 na edição 134

SALVE JORGE

"Carinho no estrangeiro", copyright no. <www.no.com.br>, 7/8/01

"?Li muita coisa de Jorge Amado quando era novo?, contou à rádio TSF portuguesa o escritor Mário de Carvalho. Imbuído de memórias da biblioteca do avô, brincou. ?Recordo-me também do ‘Grande júbilo’, até fiquei a falar à brasileira durante algum tempo e a utilizar termos dos livros.? Um dos nomes proeminentes da literatura lusa contemporânea, o autor de ?Um Deus passeando pela brisa da tarde? é ainda hoje filiado ao Partido Comunista Português. Fruto das leituras de infância.

Não só Mário de Carvalho. A imprensa mundial abriu suas páginas a longos obituários do escritor brasileiro. Não bastasse o espaço cedido e destaque nas primeiras páginas, chama a atenção os artigos originais. Portugal, Argentina, França, Estados Unidos e Espanha, se aproveitaram o material bruto das agências de notícias, tinham em suas redações gente que sabia falar sobre Amado ? e tudo com os mais rasgados elogios.

?Não creio que haja em nenhuma literatura contemporânea um caso de identificação tão profunda entre um autor e seu mundo como o de Jorge Amado e a Bahia? é a descrição escolhida por Basilio Losada no espanhol ?El País?. ?Um reducionismo à escala dos prêmios e castigos obrigaria a dizer que Amado é o Borges das letras brasileiras?, arremata o ?Página 12? de Buenos Aires, que continua: ?Assim como aconteceu com o argentino, seus inumeráveis prêmios e distinções não desembocaram na obtenção do Nobel.? Em sua primeira página, a manchete ?Nós havíamos Amado tanto? e dentro, o título ?O escritor das putas e dos vagabundos?. O diário republica ainda artigos assinados pelo próprio escritor.

Na sua querida França, sua morte tampouco saiu sem salvas e luto. O jornal de esquerda ?Libération? foi o que mais investiu ? qual fora brasileiro, publicou um caderno especial. ?Como a língua portuguesa nunca havia sido recompensada pela academia sueca, o nome de Jorge Amado era regularmente lembrado nos tempos da premiação. A esperança chegou ao fim em outubro de 1998, quando o português José Saramago venceu?, lembram no Libé Mathieu Lindon. Em Portugal, Saramago recordou dos ?dias em que estivemos em Paris e Salvador?, salientando seu par como um ?ser humano muito cordial?. E não muito mais além dos típicos ?uma grande perda?.

Os americanos foram um tanto mais burocráticos. Rígidos no estilo, tiraram-no das páginas culturais para a seção de obituários e aproveitaram mais suas aspas e a de outros para explicar seu estilo. Ou, então, partiram para o comentário fácil ? qual o ?New York Times?: ?num país onde o futebol é rei, Amado era chamado de Pelé da palavra escrita?. Não tiram dele, no entanto, os méritos. ?Nenhum outro escritor latino-americano é mais admirado pelos seus e tampouco exerceu tanta influência criativa no curso da ficção do continente? estabeleceram. O ?Los Angeles Times? seguiu outro caminho, tentando dar contexto para o leitor da Califórnia. ?Como dois de seus escritores favoritos, Mark Twain e Charles Dickens, Amado dizia que seus livros eram ‘plenos do cheiro, gosto! e sangue de meu país’.?

O que se apreende pelas páginas talvez seja melhor explicado nas palavras emocionadas de Jean Soublin do ?Le Monde? ? Jorge Amado, comunista, escritor, baiano foi, sobretudo, um embaixador brasileiro, alguém que por seus olhos explicou um pouco do país ao mundo. ?Um de seus traços mais constantes?, escreve Soublin, ?é que ele observava todos. O pedreiro, o fazendeiro, o banqueiro, tudo na justa conta para servir a uma história, uma cultura, um objetivo social, todos dignos de uma atenção jamais recebidas. Com este cuidado, Jorge Amado representou brilhantemente seu país em Roma, Nova York, Moscou e Paris. E foi assim que bem serviu seu povo.?"

 

"?El País? lembra autor digno de Nobel e ?NYT? ressalta estilo", copyright O Estado de S.Paulo, 7/8/01

"A morte de Jorge Amado teve grande repercussão na imprensa ao redor do mundo. Antes que a notícia chegasse às mãos dos fãs do escritor espalhados pelo mundo, os sites dos principais jornais deram grande destaque ao fato, recapitulando a vida e obra do brasileiro que se fez conhecer em 48 idiomas, em mais de 52 países.

?Luto na Literatura? foi a chamada do jornal espanhol El País. Na abertura de sua homepage na Internet, uma grande foto chamava para a leitura da biografia do escritor, classificado como ?uma das figuras de maior destaque da literatura brasileira?. Para o periódico, o autor foi um constante candidato ao Prêmio Nobel, embora nenhum brasileiro tenha sido laureado.

Já o diário americano The New York Times homenageou o estilo próprio de Jorge Amado, descrevendo-o como ?romancista que encantou o mundo com suas histórias bem-humoradas e sensuais?.


Leitura essencial ? Os livros citados pelo jornal como os de maior prestígio são Gabriela, Cravo e Canela e Dona Flor e Seus Dois Maridos, respectivamente conhecidos pelos leitores de língua inglesa como Gabriela, Clove and Cinnamon e Dona Flor and her Two Husbands. As duas obras foram indicadas pelo jornal britânico The Guardian como leitura essencial entre os clássicos da literatura mundial.

O jornal argentino El Clarín também deu manchete sobre oe escritor em seu site e destacou seu caráter universal. ?Nascido em 1912, sua obra foi traduzida para 48 idiomas e editada em 52 países e calcula-se que tenha vendido cerca de 80 milhões de livros. O autor de Porto dos Milagres é considerado por muitos a figura de maior destaque da literatura brasileira do século 20?, diz o texto.

Também a versão em português do site da rede americana de televisão por assinatura CNN repercutiu a notícia com foto na página de abertura. ?O escritor brasileiro Jorge Amado, considerado o mais importante autor de seu país, morreu em Salvador, na Bahia, por uma parada cardiorrespiratória.?

Todos os jornais deram destaque para a atuação política de Jorge Amado, lembrando sua trajetória não só como escritor, mas também como jornalista e militante do Partido Comunista, posição que o levou à prisão em 1953 e, depois, ao exílio."

    
    
              

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