Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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PRIMEIRAS EDIçõES >

Pedro Doria

Por lgarcia em 03/04/2002 na edição 166

INTERNET

"Daqui a cinco anos", copyright NO., 25/3/02

"Quem mexe com o desenvolvimento tecnológico da web conhece Dave Winer há muito tempo. Muito antes de o mundo descobrir que a grande rede ia atrair mais e mais gente, Winer era uma das poucas vozes alardeando o óbvio. Foi também um dos primeiríssimos, senão o primeiro, a publicar online um diário de notas curtas com links ? um weblog. Mas ele também tem outra característica: fala demais e não resiste a uma bravata. O difícil é distinguir quando tem razão e quando não.

Agora, ele está apostando 1.000 dólares que em cinco anos o jornalismo amador dos weblogs vai informar melhor e ter mais influência que o mais comentado (se bobear até mais lido) jornal do planeta, o ?New York Times?. Seria uma bravata apenas, se o editor da edição online do próprio Times, Martin Nisenholtz, não tivesse decidido inteirar mais 1.000.

A aposta agora é pública. O World Wide Web Consortium, grande ONG que coordena a tecnologia por trás da web, leva os 2.000 se Winer ganhar. O Fundo das Causas mais Necessitadas, uma organização de caridade financiada pelo Times, leva se Nisenholtz estiver certo.

Para Winer, a coisa está transparente como água. Publicar na web até muito pouco tempo era passatempo de uns poucos, como mexer com computador pessoal há 30 anos. Mas com o desenvolvimento das ferramentas que permitem a qualquer um escrever o que quiser na rede, a coisa está mudando. Assim, ?jornalistas profissionais sérios estão usando essa tecnologia para publicar as notícias que eles não podem ou não conseguem vender paras grandes publicações?.

Ao mesmo passo, ele defende, estamos voltando a um tempo do jornalismo amador, com gente escrevendo ?pelo amor à escrita?. Ainda seguindo seu raciocínio, estes tendem a ser melhores repórteres, já que ao escrever sobre suas áreas entendem melhor do que falam. Os comentários de um advogado ou a informação descoberta por alguém da indústria química, quando publicada, teria um valor a mais.

Niesenholtz discorda. ?Os leitores precisam de fontes de informação que não tomem lados, sejam precisas e coerentes. Organizações de imprensa como o Times tem como fazer isso com mais consistência do que indivíduos.? Ele vai além, mexendo no vespeiro dos weblogs: ?O New York Times têm publicado pontos de vista individuais em sua página de Opinião há 100 anos?. Ampliar isso, para o editor, é uma questão de aplicar as novas tecnologias, coisa que será feita. Além do mais, ele arremata, organizações sérias como o Times não têm medo de tecnologia, muito pelo contrário. São até pioneiras em sua aplicação.

Para julgar quem está certo ou errado vão recorrer a um teste simples. Ao fim de 2007, jogarão num site de busca como o Google cinco palavras-chaves a respeito dos assuntos que mexeram com o ano. A ordem das respostas dita o vencedor. Se tiver mais resultados apontando para weblogs pessoais, dá Winer. Se tiver mais links para o Times, então é de Niesenholtz.

A aposta de ambos, no entanto, tem um objetivo distinto da simpes competição. Querem levantar o debate. Seu patrocinador ? o ?corretor? ? é a Long Now Foundation, que nasceu a partir de um relógio feito para durar 10.000 anos e que quer incentivar cada vez mais gente a pensar não no futuro curto mas em como será daqui a 5, 20, 50, 500 anos.

Essa não é a única aposta. Algumas das melhores mentes da Internet estão lá, apostando coisas como se em 2010 você poderá assistir pela rede, como se fosse tevê a cabo, o filme que você quiser de um catálogo com 10.000 títulos. Ou se, no mesmo 2010, 50% dos livros vendidos no mundo serão impressos na própria livraria.

Os assuntos todos são de interesse científico ou social e quem argumenta são os melhores. O site LongBets.org já está aberto para testes e as primeiras visitas. Lançamento oficial, só em abril."

 

"Justiça dá mais dez meses ao Napster para provar acusações", copyright O Estado de S. Paulo / Los Angeles Times, 28/3/02

"LOS ANGELES ? A juíza distrital Marilyn Hall Patel deu ao Napster dez meses para provar a acusação de que as grandes companhias discográficas fizeram mau uso dos direitos autorais, infringindo a lei antitruste, colocando obstáculos à livre competição.

Marilyn deu ao Napster acesso a mais documentos e executivos do que as grandes companhias haviam proposto, além de mais tempo para preparar seu caso. As gravadoras pretendiam encerrar o caso em alguns meses, mas a decisão da juíza permite ao Napster reunir provas até janeiro.

Os selos acusavam o Napster de quebrar seus direitos autorais com relação às músicas e Marilyn havia dado uma ordem que impedia de vez o funcionamento de sistemas de disponibilização de músicas pela Internet . Mas, se os selos utilizam mal as regras de direitos autorais, disse Marilyn Patel em 22 de fevereiro, eles não podem pedir por indenizações enquanto não mudarem de atitude.

O veredito final da juíza é esperado apenas para março ou abril do ano que vem, mas uma decisão a favor do Napster pode influenciar outros processos movidos pelas gravadoras por causa de possíveis violações de direitos autorais.

Russel Frackman, um dos advogados dos selos, disse que seus cliente estão ansiosos para fornecer provas que, na sua opinião, vão acabar mostrando que as acusações do Napster são infundadas."

"Empresas oferecem serviços pagos para concorrer com e-mail grátis", copyright O Estado de S. Paulo, 26/3/02

"Os serviços grátis sempre foram um dos grandes atrativos da Internet, mas o modelo de negócios baseado exclusivamente em receita publicitária mostra-se cada vez mais inviável. Empresas como a Hotmail, da Microsoft, e a Yahoo já oferecem modalidades pagas de seus serviços de correio eletrônico nos EUA. No Brasil, porém, essas empresas continuam somente com a opção gratuita para o e-mail.

?O mercado brasileiro está menos maduro?, afirma Maximiliano Petrucci, gerente de Marketing e Novos Negócios do MSN Brasil, portal da Microsoft. ?No mercado americano, já houve muita consolidação. Aqui ainda existem muitas empresas oferecendo correio eletrônico grátis. Mais tarde, quando o mercado se consolidar, haverá mais espaço para cobrar.? A MSN Brasil estuda lançar serviços pagos no País, mas ainda não definiu quais seriam.

Na semana passada, o Yahoo anunciou que cobrará US$ 19,99 por ano para seu serviço de redirecionamento de correio eletrônico, que permite aos usuários ler suas mensagens em programas como o Outlook Express e o Eudora. O Hotmail, serviço grátis de correio eletrônico da Microsoft, lançou um pacote premium no ano passado, em que o cliente paga US$ 19,95 anuais para ampliar a capacidade de armazenamento de sua caixa postal.

Para Guilherme Ribenboim, diretor de Comércio Eletrônico do Yahoo Brasil, o lançamento de produtos pagos de correio eletrônico, por enquanto, só faz sentido lá fora. Apesar disso, a empresa aposta nos serviços pagos para o mercado brasileiro. No começo do mês, foi lançado o Yahoo Encontros, em parceria com o site Par Perfeito, e há sete meses a companhia já opera o Yahoo Empregos, com o site Catho.

?Antes do estouro da bolha de tecnologia, o modelo da Internet era muito baseado em publicidade?, lembra Ribenboim. A estratégia do Yahoo no Brasil é buscar parcerias com empresas que já tenham serviços cobrados. Segundo o executivo, o faturamento de serviços e comércio eletrônico já corresponde a 12% da receita da companhia no País. No mundo, o Yahoo espera conseguir que, até 2004, somente metade de seu faturamento tenha origem na publicidade. O restante viria de serviços corporativos e para o usuário final.

Para a gerente de Pesquisa em Telecomunicações e Internet do IDC, Vanessa Cabral, ainda existirá uma grande massa de usuários de serviços grátis por algum tempo. ?Não acredito que a demanda pelos serviços pagos seja muito forte?, diz Vanessa. A analista identifica uma fatia de mercado interessante nas pessoas que trabalham em casa e nos pequenos escritórios, público estimado em 3 milhões no País. ?

Aleksandar Mandic, pioneiro da Internet brasileira, criou sua nova empresa mirando o público disposto a pagar para ter um correio eletrônico com maior qualidade. Operando desde janeiro, a Mandic já tem 1,5 mil clientes cadastrados em seu serviço. A empresa também está oferecendo acesso aos seus clientes de e-mail.

?Antes éramos um provedor com serviço de e-mail. Agora somos um serviço de e-mail com provimento de acesso?, explica Mandic. ?A ênfase está toda no e-mail. O acesso à Internet tornou-se um negócio para operadoras de telecomunicações.? A infra-estrutura da Mandic está preparada para atender a 50 mil clientes."

 

MÍDIA & NEGÓCIOS

"Acionista pressiona a AOL Time Warner", copyright Estado de S.Paulo / The New York Times, 27/3/02

"NOVA YORK ? A AOL Time Warner talvez se veja logo diante de uma iniciativa de John Malone, o magnata da indústria a cabo que foi proibido de deliberar sobre suas ações com direito a voto na companhia, para expandir sua participação e obter um assento na diretoria. Na semana passada, a companhia de Malone, Liberty Media, pediu à Comissão Federal de Comércio (FTC) que altere um edital de autorização para que ele possa ter todas as ações com direito a voto na AOL Time Warner que quiser, segundo o relatório financeiro anual da companhia.

A companhia, em documentação que protocolou na SEC (equivalente à Comissão de Valores Mobiliários brasileira), também apontou muitos desafios potenciais. Entre eles figura o risco de a empresa talvez perder mais de 2 milhões de assinantes de TV a cabo e precisar incluir em suas principais declarações financeiras uma empreitada deficitária na internet.

No mínimo, a documentação sugere que a aquisição da Time Warner pela America Online no ano passado foi um negócio tão ruim para os acionistas da Time Warner que a companhia tem agora a intenção de lançar um dos maiores débitos da história empresarial, US$ 54 bilhões, para compensar. No in&iacuteiacute;cio deste ano, a companhia informou que lançaria a débito entre US$ 40 bilhões e US$ 60 bilhões, para refletir o valor reduzido da companhia combinada, desde que a aquisição foi anunciada em janeiro de 2000.

Depois de cair mais de 38% no último ano, as ações da AOL tiveram queda de apenas US$ 0,29 na segunda-feira, fechando em US$ 24,21, num dia geralmente ruim para o mercado acionário.

Wall Street pode ficar mais preocupada se a AOL Time Warner, a maior companhia de mídia do mundo e a segunda maior provedora de TV a cabo dos EUA, acabar perdendo quase 20% de seus assinantes a cabo.

Sete milhões dos cerca de 12,8 milhões de assinantes a cabo da AOL Time-Warner são mantidos em sociedade com um grupo controlado pela família Newhouse, mais conhecida por controlar o império de revistas Advance.

Pessoas próximas da sociedade disseram que a família Newhouse receia que a AOL Time-Warner acabe enriquecendo suas operações na Internet e programação de TV em detrimento da unidade a cabo.

A documentação protocolada segunda-feira informou que, pelos termos da sociedade, a família podia decidir sair da empreitada já no domingo passado.

Além do mais, o relatório informou que, se os Newhouses decidissem sair, os ativos da sociedade seriam divididos em três partes iguais, com a família ficando com uma delas. Se os 7 milhões de assinantes fossem divididos em partes iguais, isso corresponderia a 2,3 milhões de clientes.

Entre os grandes mercados servidos pela sociedade estão San Diego e Tampa, na Flórida. Perder o controle de tais sistemas a cabo seria um sério golpe para a AOL Time Warner, motivo pelo qual a companhia está negociando com os Newhouses para mantê-los no negócio conjunto.

Como parte dessas negociações, a AOL Time Warner pode acabar comprando a participação minoritária dos Newhouses no empreendimento de modem a cabo Roadrunner, segundo a documentação protocolada. A AOL Time Warner já possui dois terços do Roadrunner, mas no momento a companhia relaciona sua porção de perdas da Roadrunner como parte da linha ?outra renda? em suas declarações financeiras. Mas, se a AOL Time Warner adquirisse a participação dos Newhouses, a companhia precisaria consolidar os resultados da Roadrunner com os outros pertencentes ao núcleo de operações AOL Time Warner, segundo a documentação. A Roadrunner teve no ano passado um prejuízo operacional de US$ 280 milhões sobre uma receita de US$ 220 milhões.

O grande número de aquisições e parcerias da antiga Time Warner já havia levado a complicações antes. Como parte da compra da Turner Broadcasting pela Time Warner em 1996, as companhias concordaram com um edital de autorização da FTC que mandava Malone ter só ações sem direito a voto na Time Warner. (Na época, Malone controlava a TeleCommunications ? TCI -, companhia a cabo de grande porte que era grande acionista da Turner). Aquele edital de autorização ainda está de pé."

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