Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES >

Pelos olhos que sofrem

Por lgarcia em 20/07/1998 na edição 49

OFJOR CIÊNCIA 98

Renzo Sansoni

 

E

nquanto você estiver lendo estas linhas, uma pessoa, em qualquer parte do Brasil, estará ficando cega! As causas da cegueira são muitas, englobando acidentes, diabetes, uso errado de colírios, glaucoma, catarata, parasitoses, hipertensão arterial (pressão alta), uso abusivo de álcool e cigarro, tumores, inflamação, carências alimentares, etc…

São milhares e milhares de cegos e infortunados por este Brasil afora. São milhares de enfermos entregues ao mundo das trevas; supliciados e impotentes, num mar de angústia e de pouca resignação. Muitos casos são fatais; permanecendo a Medicina nanica e anêmica perante eles: simplesmente não há o que fazer para recuperar-lhes a visão.

No lado bom do problema, muitos e muitos casos de cegueira podem ser recuperados. Principalmente quando a causa da cegueira estiver na córnea. Nestes pacientes, a ciência médica está triunfando bem sobre a doença, através do decisivo e miraculoso/fantástico transplante da córnea. Num trabalho, de quase anonimato, já foram realizados milhares e milhares de transplantes de córnea em nosso país, com esmagadora eficiência e vitória nos resultados. Pontinha de curiosidade: com poucos holofotes e ti-ti-ti da imprensa e do agito.

Pela importância e repercussão do tema, foram criados vários bancos de olhos em todo o território nacional, visando organizar e dar consistência médica nesta cruzada de tamanha importância para a sociedade brasileira: a cegueira curável e reversível. Objetivo: recuperar aqueles pacientes passíveis de cura cirúrgica. Em sintonia com os maiores centros oftalmológicos do mundo, o Brasil é um exemplo fortíssimo do como fazer bem feito no combate à cegueira por lesões na córnea, merecendo elogios e aplausos da comunidade médica internacional.

Porém ( sempre há o porém, para acinzentar nosso otimismo), um grande obstáculo ainda segura nosso país: o número de doações de olhos é muito pequeno; apesar da boa lei que temos, e do grande coração latino e romântico da gente brasileira. Muitas famílias não permitem a doação das córneas de seus entes queridos. Mesmo com os mais racionais e razoáveis argumentos das equipes de banco de olhos. Não chega a ser uma tragédia, mas é uma situação que necessita, muito e muito, ser mudada para melhor; pois que a solidariedade para com o próximo deve falar mais alto do que nossa emoção pela perda de um familiar. Nossa sociedade precisa discutir e aceitar, com mais naturalidade, o assunto da doação de órgãos.

Não é lá nenhum bicho de sete cabeças e nem repugnância para nossos paladares. A coisa precisa entrar na cabeça desconfiada das elites e das massas. Devemos, nestas horas cruciantes da decisão doar ou não doar, voltar nossos olhos para o exemplo do Cristo, que nos doou sua vida para que tivéssemos vida em abundância. E pelos caminhos do transplante da córnea muitos brasileiros poderão voltar ao trabalho, ao estudo, ao esporte, à melhor convivência com a família, serem mais úteis e com boa melhora da auto-estima. A batalha pelos olhos que sofrem, na busca obstinada da cura da visão, está apenas começando. Participe agora, imediatamente, já!

(*) Médico, oftalmologia, Uberlândia, MG.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem