Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES >

Persistem as controvérsias em nova edição

Por lgarcia em 26/02/2003 na edição 213

ALMANAQUE ABRIL 2003

Deonísio da Silva (*)

Respondendo à crítica que o signatário, cumprindo função pertinente deste Observatório, fez à edição do Almanaque Abril ano passado [veja remissão abaixo], sua diretora de redação não teve com o comentarista a mesma paciência que ele teve com ela e com o Almanaque pelo qual é a principal responsável. Mas respondeu às críticas, defendeu seus pontos de vista e, aceitando certas ponderações, prometeu mudanças para a próxima edição. Ponto para ela.

Aos fatos. Da resposta de Márcia Tonello, diretora de redação do Almanaque Abril, publicada neste Observatório na edição n? 162, de 6/3/2002:


“Já ao deixar de citar Adelino Magalhães, o Almanaque Abril, de fato, perde a oportunidade de fazer justiça a esse autor tão peculiar e original. Dessa forma, nossa publicação acaba reproduzindo vários compêndios de história da literatura, com boa valia teórica, que ignoram sua obra. Outro esquecimento, apontado por Deonísio, que merece destaque é o de Dyonélio Machado, pela originalidade do autor no âmbito do modernismo. São inclusões a ser feitas na próxima edição do Almanaque Abril“.


Não foram feitas. Mais do que isso. O Almanaque Abril está de parabéns por ter retirado aquele amontoado desconexo, repleto de equívocos conceituais, presente até a edição de 2002. Sua diretora defendeu, ano passado, o trecho confuso. Se era tão bom e as críticas lhe eram injustas, lícito é então perguntar: por que foi retirado? Não teria sido mais pertinente chamar quem entende e corrigir-lhe as imperfeições?

De outro trecho da mesma resposta:


“Quanto às premiações de autores, estão ausentes do texto de Literatura, pois o Almanaque Abril dedica outro capítulo a esse assunto. Lá estão, a partir da página 222, todos os vencedores dos prêmios Jabuti, Camões e Machado de Assis, desde sua criação até os resultados mais recentes. A inclusão dos prêmios Casa de Las Américas, Prêmio Rei de Espanha e do Prêmio Passo Fundo, que cresce em importância a cada ano, são sugestões bem-vindas para a próxima edição do capítulo Prêmios”.


Não foram feitas. Continuam ausentes os dados dos maiores prêmios conferidos à literatura brasileira. E está errada a informação de que “o Prêmio Jabuti é o mais importante da literatura brasileira”. Não é ? e ano passado sofreu duras críticas de editores, de que a imprensa se ocupou vastamente.

Melhor do que antes

Aviso aos leitores: ano passado, o Governo da Bahia deu R$ 150 mil a Ariano Suassuna, vencedor do Prêmio Jorge Amado de Literatura e Arte. Em 2001, a Universidade de Passo Fundo, com os devidos apoios, deu R$ 100 mil aos escritores AntonioTorres e Salim Miguel que terminaram o concurso nacional empatados. Em 2002, a Portugal Telecom anunciou um prêmio para a Literatura Brasileira no valor de R$ 150 mil, a ser atribuído em 2003 “aos três melhores livros originais publicados em primeira edição no ano anterior”. No momento, cerca de 400 críticos de todo o país estão procedendo às primeiras indicações (veja em www.premioportugaltelecom.com.br). Também o Prêmio Internacional Casa de Las Américas, em vigor há décadas, continua sem registro no Almanaque Abril.

De outro trecho da resposta da diretora:


“Por fim, numa passagem particularmente grosseira, o professor sugere que a seção de Literatura “seja entregue a alguém que entenda do assunto”. É justamente o que temos feito, não só com Literatura, mas com os diversos assuntos tratados pelo Almanaque Abril e elogiados pelo próprio professor Deonísio. Todos os anos, nossos editores contam com a valiosa colaboração de jornalistas e especialistas conceituados, professores de universidades e pesquisadores para orientar a produção de novos textos, atualizar e fazer a revisão técnica de textos já publicados em edições anteriores. (…)”


E conclui:


“Publicação de referência de reconhecida importância, com 28 anos de uso cotidiano por estudantes, professores, profissionais (entre eles muitos jornalistas), o Almanaque Abril é totalmente aberto às críticas, como instrumento de aprimoramento constante. Não se pode pretender que uma seleção de datas, fatos e nomes, que compõe uma cronologia, possa veicular uma verdade incontestável. Fomentar o debate em torno da qualidade da informação é também uma de nossas missões, difundindo maior conhecimento de nossa história e nossa cultura”.


Como o signatário procedeu ano passado, não se limitou apenas a emitir sua opinião, mas apresentou os dados para a salutar controvérsia. O Almanaque Abril 2003 está melhor do que o de 2002. Mas não corrigiu as omissões literárias, indesculpáveis, que prometeu corrigir. Aguardaremos a próxima edição.

A Abril progrediu muito por dar atenção a leitores e críticos. Que esse norte não seja abandonado.

(*) Escritor, doutor em Letras pela USP, escreve semanalmente neste espaço; seus livros mais recentes são A Vida íntima das palavras, A melhor amiga do lobo e Os segredos do baú

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