Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > REALITY SHOWS

Perto da explosão

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

ORIENTE MÉDIO

Jack Kelley, correspondente do USA Today em Jerusalém, foi salvo por sua indecisão. No dia 9 de agosto, o jornalista ia almoçar na pizzaria Sbarro, no centro da cidade, mas desanimou porque o local estava lotado. Resolveu, então, comer numa lanchonete no outro lado na rua.

A mudança de planos salvou a vida de Kelley, e o colocou perto do mais recente capítulo da Intifada. Assim que o jornalista sentou, contou Alex Kuczynski [The New York Times, 13/8/01], um homem-bomba detonou a pizzaria em frente, matando 15 pessoas e ferindo 130.

"Foi a primeira vez que estive tão próximo de um ataque suicida a bomba que pude sentir o calor da explosão, que nos fez cair de joelhos", disse o jornalista. Ele e seu companheiro de almoço, um funcionário israelense de informações especializado do grupo terrorista árabe Hamas, souberam instantaneamente que uma bomba havia sido detonada.

"A primeira coisa que vi foi um homem decapitado e, em seguida, uma mulher com um prego no olho. Havia também uma mulher com pregos por todo o corpo", afirmou Kelley. O jornalista disse já ter noticiado muitas guerras, tendo portanto condições de se controlar para tomar notas e gravar a hora em que sentiu a explosão.

Sua coluna em primeira pessoa no USA Today de 10 de agosto deu detalhes gráficos. Braços e pernas voaram, pessoas tropeçavam sobre cabeças soltas, e dúzias foram feridas por pregos encravados em seus corpos. "Repórteres devem ser objetivos e entrevistar sem interferências sentimentais", disse Kelley, "mas foi difícil."

REALITY SHOWS

Desde que surgiram, os reality shows foram muito criticados por cruzar a linha entre documentário e ficção. Para Jim Rutenberg [The New York Times, 16/8/01], o novo programa Manhunt deve aumentar a intensidade das críticas. Produzido pela Paramount Television Group e exibido pela rede UPN, mostra o esforço de 13 participantes para atravessar uma ilha havaiana escapando dos tiros de paintball dos caçadores do título. O vencedor ganha US$ 250 mil.

Segundo Bob Jaffe, ex-produtor do programa, executivos da Paramount lhe pediram que preservasse um participante de ser eliminado para criar um episódio mais dramático. Quando a gravação terminou, também pediram que reunisse os participantes para simular dramas pessoais que não ocorreram durante as filmagens. Quando Jaffe se recusou, foi afastado da produção, embora seu nome ainda conste nos créditos.

Jaffe afirmou que o resultado final do programa, no entanto, não foi alterado, e o vencedor ganhou legitimamente. A declaração do produtor foi divulgada por Peter A. Lance, o primeiro jornalista a noticiar a acusação de uma participante de Survivor, reality show da CBS, de que os produtores teriam influenciado seus concorrentes a eliminá-la.

    
    
                     

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