Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > INTERNET BRASIL

Pesquisa orienta profissionais da rede

Por lgarcia em 19/12/2001 na edição 152

INTERNET BRASIL

Daniela Lepinsk Romio (*)

Uma pesquisa do site Cadê, em conjunto com o Ibope, serve de alerta para quem gera informações via internet. Os resultados são recentes e apontam o aumento da confiança do internauta na rede. Um exemplo? As compras pela internet ganham força entre os usuários. A pesquisa, em sua quinta edição, mostra que 57% ? mais da metade, portanto ? dos internautas já fizeram compras pela rede. Entre os que nunca compraram, 31% pretendem fazê-lo. Esse é um público que representa um mercado consumidor extremamente interessante, pois 36,1% dos entrevistados trabalham e 30,4% trabalham e estudam.

Foram 9.157 pessoas participando da pesquisa, realizada nos meses de agosto e setembro deste ano. Todos tinham mais de 12 anos. Do total, quase dois terços (63%) eram do sexo masculino. A maioria (53,4%) acessa a internet mais de uma vez por dia. Esse resultado, somado ao total dos que acessam uma vez por dia (19,4%), indica que a maior parte (72,8%) dos usuários da internet são pessoas assíduas. Para se ter uma idéia, 24,5% acessam a rede de duas a três vezes por semana. Apenas um número mínimo ? menos de 3% ? usa a rede em intervalos de mais de 15 dias.

Os resultados aferidos pelo Cadê/Ibope, no mínimo, aumentam a responsabilidade de quem trabalha com notícias via internet. Indiretamente, apontam para um aumento na confiança do usuário em relação à rede, o que pode se estender ao conteúdo por ela veiculado. A se considerar o volume espantoso de bobagens que são repassadas como verdades absolutas por e-mail ? sem falar nas irritantes correntes -, essa confiança é uma faca de dois gumes. Nos sites de notícia, estamos cansados de constatar que a briga pelo furo leva, muitas vezes, à veiculação de notícias incorretas, nem sempre corrigidas. As ferramentas de busca indicam sites de todos os tipos: desde aqueles mantidos oficialmente por instituições de respeito até os de pura gozação, passando por páginas pessoais das mais diversas categorias. Um convite ao exercício do discernimento.

Perfil jovem

Outro risco é a quase impossibilidade de se apurar responsabilidades, em se tratando de internet. Em jornais, TVs e rádios as delimitações são claras. Sabe-se quem apurou, quem editou, de quem é a opinião assinada. Nesse ponto, no entanto, a internet é terra de ninguém. O próprio direito ainda engatinha nesta área em termos mundiais. É aqui que os "deslizes" da web se diferenciam dos que ocorrem nos flashes de TV. É brincadeira de criança se passar por outra pessoa via internet. Em muitos sites, opiniões e notas vão diretamente do autor para os internautas, sem passar por qualquer tipo de triagem. Podem argumentar que o provedor consegue facilmente localizar a máquina de onde um e-mail partiu. Porém, de que isso adianta? E se o computador for compartilhado por mais de um usuário, como em empresas ou cybercafés? Conforme a pesquisa Cadê/Ibope, 35% dos internautas acessam a rede do trabalho. Não são a maioria, mas representam mais de um terço do total. É necessário, cada vez mais, ser criterioso com o que se lê via internet.

Para quem trabalha com publicidade e marketing, a pesquisa traz mais um dado especialmente interessante: dos internautas que acessam um novo site, 60% obtêm o endereço da própria internet. A mesma porcentagem acessa a rede de casa. Mais um indício do "filé" representado pelo meio em termos de investimentos, pois significa que quem recebe informação via internet tem, no mínimo, um computador em casa.

O perfil jovem da rede também é confirmado pela pesquisa Cadê/Ibope: mais de dois terços (67%) dos participantes têm entre 12 e 34 anos. A faixa dos 12 aos 17 responde por 22% das respostas. Entre 18 e 24 anos estão 25% dos entrevistados, e outros 20% têm de 25 a 34 anos. Acima dos 35 e abaixo dos 54, estão outros 28%. Apenas 5% dos participantes da pesquisa já passaram dos 55 anos. E, por último, mas não menos importante: os serviços gratuitos estão se tornando unanimidade, já que menos de um terço dos usuários da internet (31%) paga pela assinatura.

(*) Jornalista em Cuiabá, coordenadora do boletim semanal Imprensa Ética; e-mail: <arlaarla@terra.com.br>

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