Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > FÁBRICAS DE DIPLOMAS

Peter Arnett, quem diria, acabou na Estácio de Sá

Por lgarcia em 06/06/2001 na edição 124

FÁBRICAS DE DIPLOMAS

Brasileiro é mesmo deslumbrado por celebridades. Ouviu dizer, há mais de uma década, que a CNN teve nos seus quadros um repórter que ficou famoso por ter sido o único a cobrir o bombardeio de Bagdá antes da ofensiva para libertar o Kuwait. E o brasileiro embasbacado nunca mais esqueceu.

Ao longo destes 10 anos, descobriu-se que o tal repórter famoso não estava sozinho em Bagdá. Junto com ele, cobrindo os bombardeios da capital iraquiana, estava um jornalista espanhol que lhe suplicava diariamente para que, antes da geração das matérias, avisasse seu jornal (e seus familiares) que ele estava bem. Ora, se Peter Arnett atendesse ao pedido do colega estaria reconhecendo publicamente que não estava sozinho em Bagdá. Continuou apregoando a exclusividade. O jornalista espanhol escreveu um livro e desmascarou o famoso o americano.

Essa informação nunca chegou aos ouvidos da Universidade Estácio de Sá, que acaba de contratar Arnett para visitar as suas instalações e funcionar como garoto-propaganda. Os ilustres empresários também não ouviram falar que Arnett foi afastado da chefia da produção de uma série de reportagens sobre a guerra no Vietnam porque as matérias não foram suficientemente investigadas. Um dos recentes vexames da CNN.

Arnett, por sua vez, nunca deve ter visitado ou pisado numa boa escola de jornalismo americana pois declarou, alto e bom som, que em seu país não existe escola tão bem instalada como a Estácio de Sá.

Das duas, uma: o hóspede é mentiroso nato ou os anfitriões não se importam com a diferença entre a verdade ou mentira. Das duas, duas.

De qualquer forma, convém registrar que Arnett recebeu uma boa grana para fazer esse comercial de uma empresa privada que paga salários miseráveis aos seus professores. As declarações de Arnett foram reproduzidas em anúncio (Jornal do Brasil, 3/6/01, pág. 7). Nos EUA, jornalista sério não entra numa fria dessas.

Como prova de que a guerra para abocanhar a publicidade das universidades comerciais é coisa séria, no mesmo domingo O Globo saiu-se com matéria de página inteira louvando as novas investidas acadêmicas para engabelar a moçada e enfiar-lhe um canudo debaixo do braço ("Acadêmicos no parque", 3/6/01, pág. 18).

    
    
                     

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