Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > A PADROEIRA

Época

Por lgarcia em 20/06/2001 na edição 126

ASPAS

ALTAS HORAS

"Serginho Groisman levanta a audiência das noitadas de sábado com o elétrico programa Altas Horas", copyright Época, 18/06/01

"Índices de audiência vêm tirando o sono de muitas estrelas da TV brasileira. Não &eacueacute; o caso de Serginho Groisman. Há oito meses o apresentador tem passado as madrugadas de sábado para domingo acordado por um bom motivo: acompanhar a medição do Ibope de Altas Horas. Apesar do horário insólito, o programa tem registrado média de 9 pontos. Nada mal para quem entra no ar por volta da 1 hora da manhã e se despede somente duas horas depois. Altas Horas atinge os jovens que estão voltando para casa depois da noitada. ?Esse é um horário em que o telespectador não é fixo?, avalia Groisman.

Altas Horas ficou fora da disputa pela audiência do chamado horário nobre por opção do apresentador, que queria um programa de fôlego maior. ?Eu mesmo sugeri a madrugada?, diz ele. Seguindo a fórmula que o consagrou no início da década de 90, na TV Cultura, e nos oito anos de SBT, Groisman aproveitou a infra-estrutura da emissora para dar agilidade a Altas Horas. A interação entre o apresentador, os convidados e a platéia de 280 estudantes foi enriquecida com diversos quadros e reportagens. A estratégia é fragmentar a atração. Assim, quem sintoniza o programa em andamento consegue acompanhá-lo.

Groisman abre espaço para a discussão de temas polêmicos. Já mediou debates entre representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e ruralistas e entre o dirigente Eurico Miranda e jornalistas esportivos. O apresentador não se traveste de adolescente para conversar com a platéia e evita a imagem arrogante ao manter a condição de adulto. Também estabelece uma sintonia com os assuntos de grande interesse para a geração teen – algo raro para um cinqüentão.

O programa agendado para ir ao ar no dia 30 comprova o respeito que Groisman conquistou no meio artístico. Convidados para participar da comemoração de seu 51? aniversário, músicos de estilos tão diferentes como Zezé di Camargo, Cássia Eller, Chorão, vocalista do grupo Charlie Brown Jr., Gil, da Banda Beijo, e Paulo Ricardo realizaram uma jam session eclética. A pedido do apresentador, dividiram o palco para cantar ?Eu Sou Terrível?, de Roberto e Erasmo Carlos. Tudo para agradar ao amigo."

TBS & AOL
Cynthia Malta

"TBS prepara ofensiva na América Latina", copyright Gazeta Mercantil, 12/06/01

"Se você tem mais de 30 anos e sente saudades daqueles desenhos animados que assistia quando criança – o bonachão urso Zé Colméia, o cavalo trapalhão Pepe Legal, o charmoso Leão da Montanha -, prepare-se. A Turner Broadcast ing System (TBS), subsidiária do grupo AOL Time Warner, vai lançar um canal para TV paga, o Boomerang, voltado para essa faixa etária. O lançamento, previsto para 12 de julho na América Latina, é apenas um passo na estratégia da TBS, na região há dez ano s e que agora quer crescer por meio de parcerias e compra de empresas.

?Estamos buscando parceiros mais agressivamente e não descartamos participação acionária em empresas?, diz o presidente da TBS Latin America, Juan Carlos Urdaneta. O executivo obser va que, hoje, 17% da receita da AOL Time Warner vem de fora dos Estados Unidos. A meta é aumentar essa fatia para 50% em dez anos. ?Para crescer tão rápido, estamos dispostos a fazer parcerias, joint ventures?, diz.

A estratégia está sendo desenhada pelo principal executivo da AOL Time Warner, Gerald Levin, que recentemente numa conferência em Hong Cong disse que o futuro da empresa é ser muito agressiva e deslanchar aquisições em nível internacional.

Como exemplo, Urdaneta cita as negociações que a T BS mantém com a inglesa NTL, maior operadora de TV a cabo do Reino Unido. A NTL possui 8,5 milhões de assinantes em território britânico, na França, Suíça, Alemanha e Suécia. O acordo daria à TBS acesso a uma rede de distribuição poderosa, já que os cabo s da NTL são de banda larga, o que permite a venda não apenas de programas tradicionais de TV, mas também de serviços de internet e telefonia. É exatamente essa combinação que a AOL Time Warner busca para seus negócios.

O momento para expandir as opera ções, reconhece Urdaneta, não é dos melhores. Grandes clientes da TBS Latin America, Brasil e Argentina estão em crise política e econômica. Além disso, diz, ?há superoferta de canais e não investiu-se para aumentar a plataforma de distribuição. Mas, por outro lado, o executivo lembra que as crises na América Latina vão e voltam. ?O que importa é que a renda per capita e o consumo na região estão crescendo e os canais (de televisão) precisam de conteúdo.? Urdaneta é discreto e cuidadoso, mas diz que ainda neste ano a TBS poderá anunciar novos negócios na região.

Os planos de expansão internacional da AOL Time Warner não contemplam apenas Europa e América Latina. Ontem, Levin aterrissou em Beijing para anunciar uma joint-venture de US$ 200 milhões com a Legend Holdings, o maior fabricante de computadores pessoais da China, com 39% do mercado. A Legend, que também opera na internet, terá 51% da nova empresa, e a AOL Time Warner, 49%. A empresa chinesa possui 2,9 milhões de usuários registrados par a o serviço de correio eletrônico e 1,7 milhão assinantes dos serviços interativos. A parceria tem por objetivo desenvolver novos serviços interativos para os consumidores chineses.

A TBS, que, apesar de pertencer a uma das maiores empresas listadas na bolsa de Nova York, tem capital fechado e não divulga números ou balanços financeiros, opera nos segmentos de notícias – por meio da CNN (Cable News Network) – e entretenimento. Neste segmento, conta com a TNT, canal para filmes de cinema e produções or iginais para televisão, e com o Cartoon Network, o canal de desenho animado considerado a jóia da coroa no leque de produtos que Urdaneta vende. Ele não revela números, mas diz que é ?o canal de TV paga que mais cresce no mundo?.

Uma pesquisa divulgada no mês passado por Los Medios y Mercados de Latinoamerica (LMML) mostra que, num total de 1.567 crianças entre sete e onze anos entrevistadas em dezoito países da região, 61% elegeram o Cartoon como seu canal favorito, e 83% disseram que já assistiram o canal. O Cartoon, cujos programas mais vistos são Tom & Jerry, Garfield e Os Flintstones, possui 8,4 milhões de assinantes na América Latina. O Cartoon Network foi lançado nos Estados Unidos em 1992 e no ano seguinte já estava no mercado latino-americ ano. O imenso arquivo de desenhos já prontos dos estúdios Hanna-Barbera foi a base do canal, mas o volume de novos desenhos, produções originais, foi crescendo. O público foi ficando mais velho. Daí a idéia de abrir um novo canal para os desenhos antigos . O Boomerang – nome pretende passar a mensagem de que ?aquilo que é bom, volta?, explica Urdaneta – está sendo mostrado pela DirecTV nos Estados Unidos desde abril do ano passado. No sistema de televisão paga via satélite, a TBS informa que o Boomerang é distribuído para 10,5 milhões de assinantes. O canal é considerado muito novo e, por isso, a TBS não informa sobre a audiência. Mas diz que está crescendo.

No Brasil, as negociações para contratar o novo canal ainda estão em andamento e a TBS prefer iu não revelar o nome das empresas interessadas.A TBS Latin America continua querendo, conforme anunciou há algum tempo, ter um canal da CNN em português – a exemplo da CNN em espanhol. Mas não houve avanços nessa área."

FRIENDS
Sérgio Dávila

"Por que será que ?Friends? está tão chata?", copyright Folha de S. Paulo, 17/06/01

"Sim, ?Friends? ainda é a sitcom mais vista da TV americana, com algo entre 18 milhões e 22 milhões de pessoas sintonizando todas as quintas, às 20h, no canal NBC, para ver a meia hora de aventuras dos seis amigos que vivem no Village, em Nova York.

Por que está tão chata, então, a série que surgiu para ser a versão mais jovem de ?Seinfeld? e corre o risco de virar a versão mais chata de ?That 70?s Show??

Algumas teorias foram levantadas, principalmente depois da lavada de audiência que o programa tomou da segunda versão do ?reality show? ?Survivor?, nos primeiros meses deste ano.

A principal é que, a caminho do sétimo ano da série, os atores cometeram o pecado de envelhecer. Como explicar que um bando de marmanjos mais perto dos 40 do que dos 30 ainda mora junto, sem que nenhum tenha emprego ou relacionamento sério? E como eles pagam o aluguel daqueles apartamentos ótimos?

Outro motivo seria o cheque semanal de US$ 750 mil que cada um dos seis integrantes põe no bolso desde a renovação de contrato. O dinheiro teria acomodado atores e criadores do show.

(Só isso para explicar dois recentes ?plots? da última temporada, um em que Joe dorme no ombro de Ross e outro em que Chandler e Rachel ficam roubando um ?cheesecake? da vizinha.)

Há até um site, bem popular, o Jump the Shark (www.jumptheshark.com), que se dedica a definir o exato momento em que uma série de sucesso começa a decair. Geralmente, dizem os ?analistas?, a ladeira abaixo se inicia com um casamento. No caso de ?Friends?, estão divididos. Parte acha que foi quando Ross ficou com Rachel já na primeira temporada; parte acha que foi quando Monica disse ?eu aceito? no final da temporada passada…"

RADIODIFUSÃO
Gazeta Mercantil

"Anatel poderá outorgar concessões em radiodifusão", copyright Gazeta Mercantil, 12/06/01

"A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) poderá incorporar a responsabilidade de outorgar concessões em radiodifusão. O anúncio foi feito ontem, em São Paulo, pelo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, dura nte um congresso realizado pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert).

A revelação pegou os representantes das emissoras de surpresa e pode ter reação. Para o presidente da Abert, Paulo Machado Carvalho, a agência é um órgão técnico , formado por engenheiros. ?Para executar licitações de radiodifusão é necessário conhecimento jurídico e experiência política, qualidades presentes no Ministério das Comunicações?, diz. Apesar da resistência dos radiodifusores, o presidente da Anatel, R enato Guerreiro, afirma que a idéia é mais do que pertinente e já fazia parte do projeto de criação da agência fiscalizadora.

Atualmente, a Anatel administra freqüências e fiscaliza a radiodifusão. ?Temos condições para fazer o processo de outorga, as sim como fazemos para TV por assinatura. Bastaria apenas aumentar um pouco a equipe?, acrescenta. Guerreiro frisou que, inicialmente, o projeto previa que a agência assumiria os serviços postais, mas admite que isso seria mais complicado de ser feito.

Quanto ao conteúdo, Pimenta da Veiga revelou ainda sua intenção de criar uma agência especial que regule a questão da produção nacional em radiodifusão. Segundo ele, com o avanço da tecnologia e a chegada da era digital a produção de conteúdo nacional te rá de ser resguardada, assim como o idioma. O projeto deve fazer parte da nova Lei de Comunicação de Massa, a ser enviada ao Congresso.

O projeto de lei, que está sendo elaborado pelo ministério, não deve alterar também o limite de outorgas de rádio e TV que um mesmo grupoeconômico pode deter. Hoje, uma mesma pessoa não pode deter mais do que cinco concessões de TV.

A escolha do padrão para a TV Digital, segundo Renato Guerreiro, deve ser feita até o final do ano. De acordo com o presidente da Anat el, a agência vai delinear o novo modelo de negócios para as emissoras e em cima disto escolherá a tecnologia que mais se adeque. Ele diz que não há um direcionamento para este ou aquele modelo. ?Vamos analisar também quais serão as contrapartidas dos cr iadores dos padrões. Queremos participar do futuro destas tecnologias?, afirma, acrescentando que o governo também mantém contato com os representantes de outros países do Mercosul para uma decisão conjunta do bloco.

Guerreiro ainda informou que hoje s erá publicado no ?Diário Oficial? da União licença especial para que os radiodifusores possam reduzir em até 30% a potência de seus transmissores com objetivo de ajudá-los a economizar energia."


A PADROEIRA
Cristian Klein

"Novela reconstitui com luxo época de N.S. Aparecida", copyright Folha de S. Paulo, 17/06/01

"Imagine uma novela de época com atrizes gordas, atores desdentados e uma cidade cenográfica simulando esgoto correndo a céu aberto. ?A Padroeira?, trama das seis que estréia amanhã, na Globo, não tem nada disso. Mas deveria. Se o trabalho de reconstituição de época fosse seguido à risca.

Ambientada no tempo dos bandeirantes, ?A Padroeira? terá como protagonista a delgada e bem maquiada Déborah Secco (Cecília), que, ao lado de Luigi Baricelli (Valentim), viverá uma espécie de romance tipo Romeu e Julieta. A trama se passa em 1717, na vila de Guaratinguetá, São Paulo, onde pescadores acharam a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Elementos de ficção e realidade se misturam. Cecília chega de Portugal com a comitiva do conde de Assumar (Antônio Marques) -um personagem histórico que, de fato, existiu. No percurso para Minas Gerais, a comitiva é atacada e Cecília, sequestrada. Filha de um fidalgo, ela é salva por Valentim, filho de um homem considerado traidor da coroa portuguesa. Os dois logo se apaixonam.

A origem do culto à Nossa Senhora Aparecida se dá durante a passagem do conde de Assumar pela região paulista. Sua presença motivou a realização de um banquete em sua homenagem. Mas, os pescadores do vilarejo não conseguem pegar um peixe sequer para a festa até o momento em que o corpo de uma santa aparece na rede. De repente, o rio fica repleto de peixes, levando os pescadores a acreditarem em um milagre.

Tudo em ?A Padroeira? é produzido com esmero. Mas muitos detalhes da reconstituição de época sofreram adaptações, para não desagradar ao público.

Como geralmente acontece nesse tipo de novela, a direção de arte investiu em figurinos requintados e variados. Os personagens principais chegam a ter sete roupas diferentes. Mas, no século 18 roupas eram caríssimas, importadas da Europa. Seria improvável que alguém tivesse um armário tão rico.

?O público não gosta quando a novela tem pouca troca de roupa?, diz a figurinista Maiza Jacobina.

O extremo recato feminino também é amenizado. Na época, as mulheres não usavam roupas que deixassem o corpo à mostra. ?Elas se tapavam. Mas temos de ter licenças poéticas?, diz Jacobina.

Além de se taparem, as mulheres não costumavam transitar pelas ruas. Ficavam em casa, eram ociosas e gordas. ?Se a gente enclausurar todas as mulheres dentro de casa, não há tramas. Não dá para funcionar dessa forma na TV?, afirma a diretora de arte, Denise Garrido.

As adaptações também atingiram os cenários. A vila de Guaratinguetá é bem maior do que era em 1717. ?A gente não pode mostrar durante oito, nove meses uma coisa muito pobre, principalmente no horário das seis. Temos que romantizar um pouco mais a época, senão fica muito sem graça para ser visto no vídeo?, diz Denise.

A igreja do vilarejo terá bancos. Mas, na época, os fiéis costumavam sentar no chão. ?O elenco teria que ficar agachado e haveria problema de enquadramento, de ação?, afirma Denise.

A reprodução dos hábitos higiênicos (ou da falta deles) será evitada. Os atores vão brilhar em sua bela aparência. ?Naquela época as pessoas não tinham asseio, passavam a mão cheia de gordura na roupa, nos cabelos, comiam com as mãos. Na TV, as pessoas têm essa idéia de que tudo tem de ser limpinho. O público aceita mais isso [o realismo? no cinema?, afirma o ator Othon Bastos, que fará o papel do padre do vilarejo.

O português falado na época também foi suavizado. Embora haja todo um trabalho de filtragem para eliminar palavras e expressões que não existiam, o registro do idioma se aproxima do atual. ?Se reproduzíssemos o português da época, não daria para entender nada?, afirma o autor, Walcyr Carrasco.

Para ele, uma reconstituição perfeita não existe. Nem no cinema. ?A gente tenta dar esse cheiro da época, mas a reconstituição perfeita seria bem pesada, com esgoto a céu aberto, pessoas bem mais sujas, desdentadas. Seria complicado.?"

    
    
                     

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