Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Época

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

COBERTURA DA GUERRA

"A luta pela mente", copyright Época, 15/10/01

"A grande notícia da guerra contra o terror não é a tradicional CNN, rede de televisão com faturamento de US$ 1,3 bilhão e audiência em todo o planeta. A novidade é a Al Jazeera, canal estatal mantido pelo governo do Catar, um emirado de 560 mil habitantes no Golfo Pérsico, com orçamento anual de US$ 100 milhões e apoio do príncipe que governa o país, Hamad Bin Khalifa. A emissora conquistou 40 milhões de telespectadores no mundo muçulmano – e também no Ocidente – com uma aposta singela: seguir o manual do bom jornalismo. Ouve todos os lados da história, abre espaço para opiniões variadas, sem receio de desagradar a aliados ou desafetos.

Ao dar voz e imagem ao mesmo tempo a palestinos e israelenses, islâmicos moderados e fundamentalistas, a Al Jazeera ganhou a antipatia de diversos governos do Oriente Médio e da Ásia Central por razões diametralmente opostas. Já foi acusada de semita e anti-semita, incitadora da violência e sensacionalista, contrária ao Islã e antiamericana. O regime da Arábia Saudita, por exemplo, chegou a provocar apagões no próprio território para impedir os habitantes de ver assuntos delicados sendo tratados sem meios-termos. ACNN segue dando um show de competência. A Al Jazeera conseguiu um feito – capturou metade do conflito.

No domingo, logo depois dos primeiros ataques de americanos e britânicos ao Afeganistão, a emissora deu uma demonstração de força. Exibiu, em primeira mão, um depoimento de Osama Bin Laden, o inimigo número 1 da América. No dia seguinte, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, tratou de carimbar o sucesso da emissora. Convidou uma equipe da Al Jazeera para uma entrevista. ?É fundamental mostrar o outro lado da moeda?, resume Ahamad Jibril, editor-chefe do canal árabe. Dias antes, assistira-se a uma cena constrangedora para um país, os Estados Unidos, que tem direito de exibir a faixa de campeão mundial de liberdade de imprensa. Incomodado com a audiência da Al Jazeera, o secretário de Estado Colin Powell foi queixar-se ao emir Khalifa daquilo que definiu como tom antiamericano de seus telejornais. Na quarta-feira, Condoleezza Rice, chefe do Conselho de Segurança Nacional e assessora de peso na Casa Branca, pediu cautela na exibição das imagens da Al Jazeera.

O combate pelos corações e mentes, em toda guerra, trava-se numa trincheira sutil. ?Ao defender o que a CNN chamou de ?a nova guerra da América?, o presidente Bush pavimentou o caminho para outra disputa, também longa e feita de lances secretos e sujos – a batalha pela informação?, escreveu o analista Todd Purdum no jornal The New York Times. ?Como o conflito será demorado e difícil, as notícias serão fundamentais para manter a sociedade americana informada e, em última instância, para sustentar o apoio da opinião pública.? Nesta batalha de convencimento da população, convém sempre lembrar a célebre máxima do senador Hiram Johnson, proferida em 1917, quando os Estados Unidos se preparavam para ingressar na Primeira Guerra Mundial e os jornais enfrentavam os rigores da censura: ?Em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade?.

A marca do Dia D

A mais conhecida fotografia do húngaro Robert Capa passou pela censura do Exército americano antes de parar nas páginas da revista Life. Era 6 de junho de 1944. Os Aliados desembarcavam na Normandia para libertar a Europa dos nazistas. Nascia o Dia D. Foi a maior operação militar de todos os tempos, com 156 mil homens, em sua maioria americanos e britânicos, descendo de botes na Praia de Omaha, codinome de Saint-Laurent-sur-Mer. Capa, credenciado pelos Estados Unidos, levava no pescoço uma câmera Leica. Fez quatro rolos de negativos. Em três deles, a emulsão derreteu. No quarto, apenas 11 imagens resistiram. ?Chorei de raiva?, diz John Morris, que trabalhava no escritório londrino da Life e acompanhou a revelação do filme.

Já na sexta-feira, dois dias antes do bombardeio inicial ao Afeganistão, viu-se uma amostra do imenso cipoal de desafios éticos enfrentado pela imprensa quando os tiros explodem. Um grupo de 17 jornais e redes de televisão americanos e de outros países foi avisado, com antecedência, do dia, hora e mesmo detalhes sobre os primeiros ataques, mas manteve a informação em segredo. ?Temos muita confiança nos meios de comunicação de massa?, disse Torie Clarke, porta-voz do Pentágono. ?Tudo funcionou muito bem.? Como os jornais e jornalistas são pagos para transmitir informações relevantes e confiáveis a seus leitores, a decisão de manter a informação em segredo está predestinada a tornar-se um desses eternos debates dos órgãos de comunicação.

Durante a invasão da Baía dos Porcos em Cuba, em 1961, o The New York Times soube da informação com antecedência. A pedido do presidente Kennedy, o jornal decidiu não publicar a notícia. Anos depois, numa entrevista ao próprio Times, Kennedy reconheceu que a iniciativa tinha sido seu maior erro político. O jornal fez o mesmo mea-culpa. Há alguns aspectos a considerar nessa discussão, porém. Vexame histórico da CIA, a invasão é um desses episódios que todos lamentam e pelo qual ninguém assume a culpa – é até natural que, anos depois, Kennedy e o jornal lamentassem o episódio. Será que se a invasão tivesse sido um sucesso haveria uma autocrítica igual?

Notícias exclusivas, a bordo de porta-aviões ou em conversas reservadas da Casa Branca, não são mercadoria para qualquer um. A maioria dos jornalistas só tem acesso a informações estratégicas, dessas que podem mudar o curso dos acontecimentos, quando estabelece uma relação de confiança com as autoridades. Com freqüência, os repórteres assumem o compromisso de não divulgar uma notícia sem autorização antes mesmo de saber de que informação se trata. Nessa condição, publicar uma notícia exclusiva implica faltar com a palavra – o que não é um bom método de trabalho.

No dia 1? de fevereiro de 1968, no Centro de Saigon, o fotógrafo americano Eddie Adams, da agência Associated Press, fez uma das imagens mais fortes e decisivas da Guerra do Vietnã. Vivia-se a Ofensiva do Tet, ponto-chave do conflito. O instantâneo – Prêmio Pulitzer – ajudou a reverter o apoio da opinião pública americana, que até então aceitava a participação bélica na Ásia. A frieza com que o chefe de polícia sul-vietnamita Nguyen Ngoc Loan executa sumariamente um cidadão vietcongue espantou os Estados Unidos e o mundo. Repetida à exaustão por jornais, revistas e emissoras de televisão, tornou-se um ícone do horror. Depois dela, ficou impossível defender a presença americana no Vietnã. O general morreu de câncer em 1998, aos 67 anos. Vivia nos Estados Unidos, onde era dono de um restaurante de comidas típicas.

Todo jornalista que já foi a uma guerra sabe que, ao receber a credencial e, muitas vezes, até o uniforme militar, nasce um vínculo de cumplicidade, e mesmo dependência, já que as balas inimigas não costumam discernir quem está do outro lado da trincheira – se soldado, se repórter. Nesses casos, a imprensa pode se consagrar – com grandes reportagens como as fotos do húngaro Robert Capa, credenciado pelo Exército americano no Dia D, em 6 de junho de 1944 – ou pode revelar fragilidades perigosas. Existem limites, quase sempre atribuídos à necessidade de não abrir a guarda para o inimigo e tampouco reconfortá-lo. A segurança de um país em guerra é crucial e não se espere que a imprensa faça o jogo do inimigo – mas há muito a ser feito antes de atravessar essa fronteira.

Um dos ícones da imprensa americana, Walter Cronkite, admitiu em entrevista ao The New York Times que a independência dos jornalistas não é uma verdade absoluta. ?É da natureza humana manter segredo quando a divulgação de notícias coloca vidas em risco?, diz Cronkite. ?É ridícula qualquer sugestão que permita a presença de câmeras de televisão nos campos de batalha. Fico preocupado sempre que leio reportagens sobre as fraquezas de nosso esquema de segurança contra possíveis ataques químicos. É dar pistas muito claras para grupos terroristas?, resume. Nos anos 60, Cronkite se transformou num dos mais fervorosos defensores da liberdade de ir e vir dos jornalistas durante a Guerra do Vietnã. Em 1971, ele apoiou o The New York Times e o Washington Post quando Nixon pretendeu proibir a publicação dos chamados Papéis do Pentágono, um calhamaço sigiloso com informações sobre o conflito no Vietnã. Alegavam-se riscos para a defesa nacional. Como agora. O debate é antigo – e está apenas começando no primeiro confronto armado do século XXI.

O choro de dor

As Forças Armadas americanas tentaram impedir a publicação da foto feita por David Turnley, do jornal Detroit Free Press, durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ela mostra o choro copioso do sargento Ken Kozakiewicz, de braço enfaixado, no helicóptero de socorro, ao lado de um saco mortuário em que está o corpo do companheiro que dirigia o tanque em que ambos estavam. A dupla acompanhava a 5? Unidade Médica das tropas americanas. No deserto, deparou com uma batalha entre soldados dos Estados Unidos e do Iraque. O confronto resultou na morte do colega de Kozakiewicz. Meses depois, o fotógrafo esteve com o pai do militar que aparece na fotografia escolhida a melhor do ano. David Kozakiewicz foi claro. ?Ao proibir a divulgação da foto, queriam nos fazer crer que a guerra era asséptica. Mas não é. Há sangue, e a imprensa tem o direito de exibi-lo.

O britânico Robert Fisk, veterano correspondente do Oriente Médio, relata um episódio de 1982, quando cobria o massacre do campo de Sabra e Chatila, no Líbano. ?Descrevi em detalhes o sofrimento humano causado pelos ataques israelenses e fui acusado de anti-semitismo?, diz Fisk. Durante a Guerra do Golfo, em 1991, Peter Arnett foi denunciado por 21 congressistas, todos do Partido Republicano de Bush pai, por estar ?promovendo propaganda de um ditador demente para mais de 100 países?. O crime de Arnett: ele noticiara que um alvo atingido pelos mísseis americanos em Bagdá não era militar, e sim uma fábrica de leite infantil. (A informação de Arnett, comprovou-se anos mais tarde, estava corretíssima). A BBC de Londres, ao fazer a mesma coisa, foi alcunhada pelo Parlamento Britânico de ?BBC Bagdá?.

Depois do susto do Vietnã, todos os governantes americanos trataram de restabelecer determinados controles sobre o trabalho da imprensa. Durante a invasão de Granada, em 1983, as Forças Armadas americanas não autorizaram a presença de um único repórter no local até que os primeiros ataques tivessem sido desferidos. No Panamá, em 1989, inaugurou-se o sistema de consórcio de jornalistas, que, escolhidos a dedos, são encarregados de coletar e repassar informações aos colegas. Esse método, também utilizado agora na Ásia Central para a cobertura dos primeiros ataques a partir dos porta-aviões, atingiu seu apogeu na Guerra do Golfo. Cerca de 1.600 jornalistas estavam na Arábia Saudita. Destes, apenas 400 tinham acesso direto às informações militares. As equipes do consórcio eram acompanhadas por militares, como se fossem bedéis, até o teatro de operações. As reportagens, depois de escritas ou filmadas, eram lidas pelos censores e oferecidas a todos os outros profissionais credenciados. Em Israel, o governo chegou a cassar o crachá de um jornalista da revista Newsweek porque o semanário publicara uma foto em que se viam claramente os edifícios de Tel Aviv.

A alegação: a imagem permitiria que os iraquianos aperfeiçoassem a pontaria dos foguetes Scud. O ex-porta voz do Departamento de Estado americano Hodding Carter foi explícito ao ser cobrado pela censura: ?Antes de ser uma guerra feita pela televisão, esta é uma guerra feita para os censores?, resumiu. Hoje, na Ásia Central, vislumbra-se um caminho mais parecido com o do Vietnã que com o da Guerra do Golfo. Os jornalistas são credenciados para acompanhar a artilharia a partir dos porta-aviões estacionados ao redor da zona de guerra. Não há como impedir, contudo, a entrada em território afegão – e, portanto, a divulgação de notícias direto da frente de batalha. Não se imagina que sejam convidados a embarcar em helicópteros para cobrir cenas delicadas, como ocorreu no Vietnã. Mas não há sinal de que serão instalados num cordão de isolamento. ?Não há nada que impeça repórteres de ir aoAfeganistão e acompanhar as forças de oposição ao Taleban?, lembra Peter Arnett. ?É mérito da imprensa, e contra isso o governo nada pode fazer.?

O trabalho da imprensa torna-se problemático nos casos em que a censura atua com a colaboração dos próprios jornalistas. Na Guerra do Golfo, as emissoras de televisão consentiram que se retocassem os filmes das trajetórias dos mísseis para impedir que os iraquianos corrigissem a pontaria. Em Israel, evitava-se citar os nomes dos bairros em que caíam os Scuds. Para Rachel Coen, dirigente da Fair, grupo de estudos especializado na crítica do trabalho da imprensa (www.fair.org), o problema atual é que a brutalidade dos atentados de 11 de setembro transformou jornalistas em patriotas acima de tudo e, muitas vezes, da imparcialidade. É um cenário parecido com a postura da imprensa logo depois do ataque a Pearl Harbor, em 8 de dezembro de 1941, e mesmo nos primeiros anos da Guerra do Vietnã. ?O risco é a perda da independência em nome deste patriotismo?, diz Rachel."

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"IMPRENSA", copyright Época, 15/10/01

"Nos Estados Unidos, a imprensa é adorada e temida. Sabe-se, desde a experiência da Guerra do Vietnã, que um conflito pode ser vencido ou perdido no campo de batalha – mas é dentro de casa, em território americano, que ele acaba se resolvendo. ?No Vietnã, pela primeira vez na História, a definição da guerra não se deu apenas na frente de batalha, mas também nas páginas da imprensa e sobretudo nas telas de televisão?, diz o analista militar Robert Elegant. O papel da imprensa na guerra do Vietnã não deve ser exagerado. A sociedade americana entrou em estado de ebulição nos anos 60 em torno da contracultura, dos direitos civis e do pacifismo – e é natural que os meios de comunicação tenham feito o possível para acompanhar essa mudança. Ainda assim, algumas reportagens deixaram sua marca na História.

O legendário repórter Peter Arnett, prêmio Pulitzer em 1966 por sua cobertura das primeiras batalhas no Vietnã, lembra que uma fotografia começou a mexer com a moral dentro de casa, por retratar humilhação em demasia: ela mostrava um grupo de soldados ateando fogo em telhados de palha de casebres vietcongues com isqueiros Zippo. Em seguida, em 1969, o jornalista Seymour Hersh descreveu em detalhes o massacre cometido por soldados americanos em My Lai. A reportagem faz parte de uma lista das 100 melhores de todos os tempos elaborada pela Universidade de Nova York. O relato de Hersh, publicado originalmente pelo The New York Times, pôs a participação dos Estados Unidos no Vietnã na mira dos pacifistas e dos intelectuais. Contribuiu para suscitar a idéia de que a intervenção dos Estados Unidos num distante país do Sudeste Asiático se destinava a preservar os valores democráticos que tanto orgulham os países ocidentais. Viu-se, por texto e imagens, que homens de pele branca, cabelo escovinha e diploma universitário cometiam barbaridades muito parecidas com aquelas que atribuíam a seus inimigos. O presidente Richard Nixon diria, anos depois, que a Guerra do Vietnã fora a ?primeira em nossa história em que a imprensa tratou com mais simpatia os inimigos que os aliados?. Essa acusação – a do interesse prioritário dos jornalistas pelo lado contrário – fez escola e foi ouvida em guerras mais recentes. Não é um absurdo. Basta conversar com aquela geração de jornalistas americanos que cobriu o Vietnã para encontrar, em boa parte deles, uma visão de mundo inconformada e insatisfeita, extremista, muitas vezes. Há, porém, casos notáveis de exagero."


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"?O patriotismo é ruim?", copyright Época, 15/10/01

"ÉPOCA – Como o senhor avalia a cobertura da imprensa americana no atual conflito?

Peter Arnett – A imprensa apóia o governo nessa crise mais que em qualquer outra que eu tenha visto nos últimos 40 anos, desde a Guerra do Vietnã. De certo modo, a surpresa e o ódio no país lembram o assassinato do presidente John Kennedy, em 1963. Repórteres levaram o bombardeio das torres gêmeas para o lado pessoal e isso se reflete em seu trabalho. Eles são quase totalmente simpáticos ao governo e extremamente patrióticos. Presumo que algo semelhante tenha ocorrido no começo da Segunda Guerra Mundial, mas eu não estava lá para ver. Não estou dizendo que isso é bom ou ruim. Apenas é assim.

ÉPOCA – Como saber qual o limite entre a liberdade de informação e seu controle por razões de segurança?

Arnett – A liberdade de informação ainda prevalece nos Estados Unidos. Não há, a rigor, barreiras à cobertura dos eventos domésticos.

ÉPOCA – Mas as barreiras existem quando se vai à guerra. O que o senhor pensa do controle de informações na atual crise, se compararmos com a Guerra do Golfo?

Arnett – No que diz respeito ao bombardeio do Afeganistão, há mais controle governamental das informações sobre ataques aéreos e operações em terra de tropas especiais que no Golfo. É parecido com as regras de segredo na guerra no Laos e ao longo da trilha Ho Chi Minh nos anos 60 e 70. Não gosto dessas regras, mas os militares alegam que são necessárias para a segurança. Contudo, é importante salientar, não há nada que impeça repórteres de ir ao Afeganistão e acompanhar as forças de oposição ao Taleban. Muitos já estão lá, reportando livremente o que acontece. É mérito da imprensa e contra isso o governo nada pode fazer.

ÉPOCA – O apoio do público às movimentações bélicas ainda é muito alto. Mas não existe risco de esse comportamento se reverter no caso de morte de civis e militares?

Arnett – A opinião pública nos Estados Unidos é 94% a favor da campanha de bombardeios. Esse apoio é único e indica a determinação dos americanos. Estou convencido de que eles vão apoiar o esforço de guerra mesmo se as baixas se multiplicarem. Não esqueça que 350 bombeiros e policiais morreram no World Trade Center e ganharam status de herói. Penso que esse status vai se aplicar também aos soldados americanos que caírem no Afeganistão. Não creio numa mudança de humor, como houve no Vietnã."

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"O Pearl Harbor da geração atual", copyright Época, 15/10/01

"Para James Fallows, algumas guerras são inevitáveis

O jornalista James Fallows, autor do livro Detonando a Notícia, é um dos mais respeitados críticos americanos do trabalho da imprensa.

ÉPOCA – Qual é o papel da imprensa durante a guerra?

James Fallows – Num período de guerra, em um país democrático, a imprensa deve sempre dar aos cidadãos alguma idéia sobre o que o governo está fazendo. Toda guerra é destrutiva e desagradável. Às vezes é necessária, outras vezes não. Eu, pessoalmente, estou convencido de que algum tipo de ação militar contra Osama Bin Laden é inevitável. Isso ficou claro depois da declaração feita por ele logo após os primeiros ataques ao Afeganistão. Se ele se considera livre para praticar atos terroristas nos Estados Unidos ou em qualquer parte do mundo, é sinal de que esses ataques poderão voltar a ocorrer. Em minha opinião, qualquer cidadão de uma nação democrática precisa se informar sobre o tipo de guerra em que seu país está envolvido. E essa informação quem passa é a imprensa.

ÉPOCA – Uma cobertura de guerra pode ser imparcial?

Fallows – Algum tipo de tom tendencioso é inevitável. Se o jornalista é um cidadão de um dos países envolvidos numa guerra, é muito difícil para ele evitar o sentimento de patriotismo. E esse sentimento é particularmente forte e visível nos EUA neste momento. Os atentados terroristas do dia 11 de setembro acabaram ficando na cabeça dos americanos, como em 1941, quando os japoneses atacaram Pearl Harbor.

ÉPOCA – ?As imagens divulgadas pela imprensa podem mudar a percepção da sociedade sobre um conflito?

Fallows – Há 150 anos a fotografia tem sido um fator importante para o entendimento das guerras. Desde 1861, quando Mathew Brady fez os primeiros registros da Guerra Civil, a fotografia passou a ter papel fundamental para a história dos EUA. Como se sabe, uma?foto ou uma imagem divulgada pela TV podem causar mais impacto que as palavras. (Fábio Altman, com reportagem de Ana Paula Franzoia, Alexandre Moschella e Cléber Eduardo)"

    
    
                     
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