Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Por enquanto tudo é festa

Por lgarcia em 30/10/2002 na edição 196

ECOS DA CAMPANHA

Alexandre Martins (*)

Luiz Inácio Lula da Silva foi praticamente carregado no colo pela imprensa entre os dias 7 e 27 de outubro, durante a campanha para o segundo turno. Como mostra o quadro abaixo, o agora presidente eleito teve a seu favor um noticiário quantitativo e qualitativo por parte da imprensa que acabou por completar o excelente trabalho dos seus publicitários.

A festa da democracia amplamente noticiada pelos veículos a partir da segunda feira (28/10) tem data e hora para acabar. Depois de se esgotarem todas as formas de amplificar o feito histórico de um torneiro mecânico ter-se tornado presidente da República, de bisbilhotarem os detalhes sobre sua vida pessoal e sindical, o novo governo tem início em 1? de janeiro.

Depois da posse e de nomeados os ministros, os presidentes de estatais, e finalizadas as composições a partir de uma hierarquia de poder, inicia-se, de fato, a cobertura jornalística sobre governo e sua política ? ou seja, começa o chamado "pau".

É sempre assim, com qualquer governo, em todos os níveis de poder. Existe um caminho sistemático por parte da imprensa para cobrir, avaliar e criticar governos, sejam eles bons ou ruins. A imprensa monta uma agenda de assuntos que devem ser abordados que mais parece planejamento de pauta para a cobertura dos Jogos Olímpicos…

O IBEC acompanhou a cobertura jornalística sobre o governo FHC durante três anos, de 1999 a 2001. O mesmo foi feito durante os três primeiros meses da prefeita Marta Suplicy no comando da maior cidade do país. Ambos os casos seguiram o mesmo ritual: festa,festa, pau e pau. Até é possível entender o fenômeno, pois, no início dos mandatos, os jornalistas criam suas fontes, recebem e distribuem agrados aqui e ali, matérias a favor etc.

O que nenhum político brasileiro aprendeu até hoje é governar com a mídia. E se Lula não montar um excelente time de comunicação, o novo presidente entrará na agenda viciosa da imprensa e começará a ser atacado antes mesmo dos primeiros 100 dias de governo.

Metodologia

O Índice IBEC é calculado segundo fórmula que considera os centímetros positivos e negativos de cada candidatura sobre o volume total das centimetragens de todas as candidaturas.

Entenda-se por centímetro o resultado de ponderações acrescidas aos centímetros quadrados medidos de cada fragmento de notícia publicada, analisados segundo a candidatura, o personagem, o assunto e a abordagem (positiva ou negativa) e considerando:

  1. audiência do veículo;
  2. credibilidade do veículo;
  3. localização no espaço editorial;
  4. estrutura de cada notícia.

Universo pesquisado: Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Valor Econômico, Correio Braziliense, Estado de Minas, Zero Hora, A Tarde, Diário de Pernambuco, Veja, IstoÉ, Época, Exame.

(*) Jornalista, diretor de pesquisas do Instituto Brasileiro de Estudos da Comunicação (IBEC)

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