Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > **

Por que o programa de 6/2 não foi ao ar

Por lgarcia em 07/02/2001 na edição 107

AOS LEITORES

OBSERVATÓRIO NA TV

** Quando a equipe do programa Observatório da Imprensa na TV escolheu o tema para o programa que reiniciaria a série ao vivo na terça-feira, 6 de fevereiro, levou em conta seu diferencial e características: a discussão sobre o desempenho da mídia.

** O assunto que dominou a semana anterior na edição online do Observatório foi o boicote ao livro Memória das Trevas, sobre o senador Antonio Carlos Magalhães e cujo autor, João Carlos Teixeira Gomes, encontrava-se no Rio de Janeiro, portanto acessível para uma participação ao vivo nos estúdios da TVE.

** Imaginamos que não seria difícil compor um programa isento e equilibrado com algum tipo de participação do próprio senador ACM (ao vivo, em nossos estúdios em Brasília, em VT ou ainda pelo telefone, durante o próprio programa, como tem acontecido com freqüência). O senador sequer atendeu aos telefonemas da produção e mandou recado dizendo que não participaria de forma alguma.

** Como o foco do programa não seria a crise política envolvendo as eleições para a presidência da Câmara e do Senado (assunto que não nos concerne), mas, sim, a cortina de silêncio na mídia em torno de um livro de investigação jornalística, concentramos nossos esforços para garantir a presença de jornalistas renomados e credenciados.

** Foram feitos oito convites (no Rio, São Paulo e Brasília) a profissionais capazes de examinar o tema com isenção e objetividade – recusados sucessivamente sob os mais diferentes pretextos. O último convidado (que resenhara o livro para a Folha de S.Paulo e mantém boas relações com o senador ACM) aceitou participar por Brasília mas, horas depois, na noite de segunda-feira, dia 5/02, voltou atrás pretextando problema de agenda. A exceção foi o diretor de redação da sucursal da revista IstoÉ em Brasília, Tales Faria.

** A esses fatos somou-se outro ainda mais relevante: o novo presidente da TVE, jornalista Fernando Barbosa Lima, recém-empossado, deveria assumir suas funções no próprio dia do programa. Consideramos que a presença de Fernando Barbosa Lima na presidência da TVE, pelo seu extraordinário currículo profissional e qualificações morais e pessoais, não poderia sob hipótese alguma ser prejudicada. A informação de que a TVE da Bahia preparava-se para retirar o Observatório da Imprensa da sua programação na noite do dia 6/02 indicava que a gestão de Fernando Barbosa Lima já começaria com um sério problema.

** Levamos também em conta que a TVE, embora empenhada na criação da Rede Pública de Televisão é, em grande parte, financiada por dotações estatais ou verbas suplementares necessariamente aprovadas pelo Legislativo.

** Para evitar uma situação desagradável no início da gestão do novo presidente da TVE, e que poderia comprometê-la definitivamente, o editor-responsável do Observatório decidiu suspender o programa e, em seu lugar, apresentar uma reprise. Não houve da parte do novo presidente qualquer intenção de cancelar, modificar ou atenuar o conteúdo do programa. A decisão foi do editor-responsável, que assume todas as conseqüências por esta atitude.

** Diante deste quadro de desconfortos e constrangimentos não expressos mas inequívocos (e inédito nos quase três anos de sua existência), o editor-responsável do Observatório na TV solicitou ao Departamento de Jornalismo e à presidência da TVE que suspendam suas apresentações até que sejam reencontradas as condições de tranqüilidade para manter os mesmos padrões de qualidade imperantes no Observatório da Imprensa online, matriz do projeto.

Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 2001

Alberto Dines, Editor-responsável

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