Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > BRASIL DE FATO

Por uma imprensa nacional de esquerda

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

BRASIL DE FATO

Daniel Azevedo Duarte


Publicado originalmente no sítio da III Ciranda Internacional
da Informação Independente, <http://www.portoalegre2003.org/publique/index01P.htm>


O jornal popular Brasil de Fato foi lançado no sábado, dia 25, no auditório Araújo Viana, em Porto Alegre (RS), em evento paralelo ao III Fórum Social Mundial, com a presença de pelo menos 5 mil pessoas e com a missão de trazer a "verdade que precisa ser dita" para a imprensa nacional. Brasil de Fato é uma atitude de organizações sociais, jornalistas e intelectuais que pretende resgatar a dívida que a imprensa de esquerda tem com a população.

No palco do Araújo Viana, por mais de três horas, estiveram personalidades políticas e intelectuais do Brasil e América Latina que, ao se revezarem com músicas, clamores e aplausos, expressaram suas opiniões sobre o lançamento do jornal. Entre as personalidades, Plínio de Arruda Sampaio confessou o sofrimento dos últimos 15 anos e a percepção de estar "sentindo os ares" de uma nova conjuntura. O ministro das Cidades, Olívio Dutra, afirmou que o Brasil de Fato nos fará "respirar o oxigênio da mudança para enfrentar a manipulação no Brasil e na Globo", enquanto Hebe Bonafini, do movimento Madres del la Plaza de Mayo, da Argentina, classificou o novo periódico como "um filho que nasce em liberdade”.

Todo uso do verbo, em seu sentido mais amplo, foi citado pelo escritor Eduardo Galeano que rotulou o sistema neoliberal de ladrão "não só da terra, do trabalho, da água e da vida dos explorados como, também, das palavras". Ele disse que o veículo pode recuperar as palavras roubadas "de quem tem algo a dizer por necessidade e não pela obrigação de mentir". Aleida Guevara defendeu que só um povo culto pode ser livre e convocou os responsáveis e os simpatizantes pelo jornal a lutar pela "vitória sempre". Augusto Boal ensaiou com todo o público um juramento de apoio à publicação, em um texto repetido por ele e por todo auditório.

Ao final de três horas, o jornalista José Arbex Jr., editor-chefe do Brasil de Fato, declarou estar esgotado emocionalmente após tamanha expressão de apoio à iniciativa da produção do jornal e afirmou que a existência do jornal é "uma autodefesa da sociedade brasileira". Áurea Lopes, também editora do jornal, comentou que o apoio caloroso dos presentes no evento de lançamento "significa muita energia que motivará um trabalho cada vez melhor em todo país" e a expressão de uma demanda latente por esse tipo de publicação.

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