Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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PRIMEIRAS EDIçõES > FRENTE E ZERO

Preço mais baixo para enfrentar a crise

Por lgarcia em 23/10/2002 na edição 195

FRENTE E ZERO

Rodney Brocanelli (*)

No primeiro semestre de 2002, o mercado editorial saudou a chegada de duas novas revistas, ambas abordando a música pop: Frente e Zero, que foram lançadas em busca dos leitores órfãos da Showbizz ? título que por muitos anos pertenceu à Abril e foi descontinuado no ano passado, mesmo depois de vendido à Editora Símbolo.

Com poucos meses de vida, porém, as duas publicações estreantes foram obrigadas a fazer reformulações para continuar sobrevivendo.

As mudanças mais radicais aconteceram na revista Zero. Ela nasceu após uma associação entre as editoras Lester, responsável pelo conteúdo editorial, e a Pool, encarregada da parte burocrática e da intra-estrutura. A parceria durou apenas duas edições. "A Pool não tinha o know-how necessário para trabalhar com revistas, e decidimos procurar um novo parceiro", conta Alexandre Petillo, um dos editores da Zero e sócio da Lester. Depois de muitas conversas, um novo acordo foi fechado, desta vez com a Editora Escala. O resultado mais prático é a queda do preço de capa. Quando foi lançada, a revista custava R$ 6,90. Agora, o leitor paga R$ 4,90, o que representa uma redução de 35% "Acreditamos que na hora da crise o melhor caminho é facilitar", diz a equipe da revista em comunicado distribuído por e-mail a alguns leitores. Petillo acrescenta: "Era o preço ideal que a gente queria fazer desde o início."

A divisão de tarefas na associação Lester-Escala fica assim: a primeira continua encarregada da parte editorial, enquanto a segunda corre atrás dos anunciantes e cuida de outras tarefas, como o trabalho de convencimento de jornaleiros por uma maior visibilidade da Zero nas bancas.

Resultados práticos

Na Frente, o preço de capa também foi reduzido. Os dois primeiros números custaram aos leitores R$ 10,90. Isso se deveu ao fato de ter sido encartado nas edições um CD com músicas de bandas indicadas pela redação. O valor até podia estar na média do que se cobra por produtos semelhantes casados (CD+revista), mas talvez fosse muito alto para uma revista dedicada à música. Vale lembrar que o preço da Showbizz, antes de seu fim, era de R$ 5. A terceira edição da Frente, que chegou às bancas em setembro, já trouxe a mudança: o preço agora é de R$ 5,90.

A manifestação de leitores como Marco Jayme deve ter contribuído (e muito) para a decisão: "Até pensei em comprar essa nova revista de música pra ver qual era, mas quando me deparei com o preço… Deixei quieto! Pagar 10 paus por uma revista, mesmo com CD (e, diga-se, com 90% de artistas desconhecidos), não dá!! Primeira lição: ninguém conhece vocês!! Portanto, tratem de baixar o precinho logo, logo, caso não queriam virar a finada Showbizz."

Este veemente depoimento foi publicado na seção de cartas da revista. A partir de agora, o CD passa a ser um item eventual, segundo informações extraídas do próprio editorial da Frente.

Resta saber se as mudanças de rota feitas pelas duas publicações surtirão resultados práticos. Tanto a Frente como a Zero podem ser encontradas nos jornaleiros de todo o país.

(*) Colaborador dos sites Ruídos, Canal B, Esquizofrenia, 3an, Elcabong. Blog pessoal: <http://onzenet.blogspot.com>

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