Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > ALEMANHA

Principais jornais alemães enfrentam crise

Por lgarcia em 27/01/2004 na edição 261

ALEMANHA

A crise do mercado publicitário tem prejudicado muito a Frankfurter Allgemeine Zeitung e a Süddeutsche Zeitung, os dois principais jornais da Alemanha. Como apurou o repórter Mark Landler, do New York Times [19/1/04], os sinais dos maus tempos são notáveis nesses dois diários. Com distribuição nacional, escritórios de correspondência espalhados pelo mundo e tendências políticas bem estabelecidas (a Allgemeine tende à direita; a Süddeutsche à esquerda), eles são considerados exemplos do capitalismo alemão, menos "darwiniano" que o americano e o inglês, além de serem os dois maiores empregadores da área jornalística no país. Quando a internet e os negócios de alta tecnologia iam de vento em popa, os jornais se expandiram sobremaneira. A Allgemeine chegou a ter edição de sábado (quando sai o caderno de empregos) de 234 páginas. Nos últimos tempos, já chegou a ter 44.

A Süddeutsche, que foi salva da falência em 2002, quando recebeu 150 milhões de euros de um novo investidor, tem demitido funcionários. Dos 425 que já teve, restam 307. A edição regional de Düsseldorf e a seção de notícias sobre a capital Berlim, não existem mais. Ainda assim, pôde manter suas 22 correspondências estrangeiras, apesar do corte nos gastos com viagens. O diretor administrativo Hanswilli Jenke diz estar esperançoso por uma recuperação e revela que há planos de vender outros produtos aos leitores, como CDs e livros, como forma de aumentar os ganhos. Além disso, a equipe da área comercial foi reforçada para recrutar novos anunciantes.

Na Allgemeine, o faturamento com publicidade caiu 40% desde seu pico, em 2000, e os anúncios de empregos foram reduzidos em 75%. Neste ano, foram cortadas algumas regalias dos funcionários. Até há pouco, um repórter, ao ser contratado, ganhava um carro Golf, da Volkswagen, e os editores-sêniores recebiam BMWs top de linha. Agora só os editores recebem automóvel do jornal, mas têm de pagar uma taxa por isso. As edições regionais de Berlim e Munique foram extintas. O encarte em inglês que o diário produzia seis vezes por semana para a International Herald Tribune também não existe mais ? virou um tablóide com uma edição semanal. Em 2002, o jornal deu prejuízo de 60,6 milhões de euros e a expectativa é de que o balanço referente ao ano passado também feche no vermelho.

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