Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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PRIMEIRAS EDIçõES > CNN & AL-JAZIRA

Prática contagiante

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

CENSURA PALESTINA

Embaraçada pelos protestos contra os EUA, a Autoridade Palestina resolveu fechar universidades e escolas de Gaza para silenciar os militantes islâmicos e impedir a entrada de jornalistas estrangeiros na Faixa de Gaza, tentando impedir a cobertura dos eventos. Conta Lamia Lahoud [The Jerusalem Post, 10/10/01] que aproximadamente 12 repórteres foram avisados de que não poderiam cruzar a travessia Erez. Um fotógrafo da Associated Press foi impedido de entrar na área de controle palestino perto de Nablus, onde 1.500 estudantes marchavam em protesto contra os ataques americanos. Na cidade de Ramallah, uma correspondente da rádio BBC que recolhia depoimentos sobre os bombardeios teve sua fita confiscada.

Segundo Jamie Tarabay [Associated Press, 12/10/01], a polícia de Arafat deteve, na sexta-feira, 12, Ala Siftawi, editor do jornal do grupo Jihad Islâmico, Independence. Em artigo desta semana, Siftawi criticou as ações repressivas dos palestinos sobre os manifestantes, que já resultou na morte de dois civis. Repórteres também foram impedidos pela polícia palestina de entrar no campo de refugiados de Magazi, onde o Jihad planejava realizar cerimônia em memória de um líder morto em 1986.

Hassan Kashef, apresentador de Face to Face, talk show político da TV palestina, teve o programa tirado do ar após criticar a sangrenta ação policial contra as marchas pró-Laden. Kashef reclamava em entrevistas que Ghazi Jabali, chefe da polícia palestina, deveria ser julgado pelas mortes de civis. "Espero que a decisão [de tirar o show do ar] não seja uma campanha que prejudique a liberdade de expressão na Palestina mas, sinceramente, não estou muito otimista", declarou.

CNN & AL-JAZIRA

Logo após os ataques terroristas de setembro, a CNN fez acordo de exclusividade com a al-Jazira, TV de notícias a cabo sediada no Catar [ver Aspas de Ivson Alves] ? a única rede internacional que tem permissão do Talibã para divulgar matérias do Afeganistão. Mas foi só começarem os bombardeios do dia 7 para que todas as emissoras mostrassem direto os vídeos da Jazira. A maioria não passa de imagens com chuvisco verde, mas no pacote veio também a entrevista de Osama bin Laden.

As redes concorrentes receberam no sábado, dia 5, fax de Mohammed Jasim Al-Ali, diretor da al-Jazira, falando sobre o acordo com a CNN e ameaçando os desobedientes com processo. Conta Kathy Brister, do Atlanta Journal-Constitution (8/10/01), que as rivais da CNN alegam que a legislação que rege as transmissões permite o uso de material alheio em tempos de emergência nacional. A CNN não pretende ir à Justiça pelos seus direitos

Al-Jazira deu à CNN o direito de usar seu material seis horas antes dos demais. Em troca, ela pode usar as imagens da CNN, que lidera a cobertura do conflito porque manteve uma forte sucursal na região após a Guerra do Golfo, em 1991. Com isso, na primeira semana após os ataques a TV a cabo de Atlanta viu sua audiência aumentar 10 vezes ? de 360 mil espectadores por semana para 3,6 milhões. Agora a audiência está em 500 mil espectadores por semana. Nada mau para uma emissora que vira seu prestígio cair após a chegada de George W. Bush ao poder. A CNN gasta US$ 100 mil por dia a mais desde 11 de setembro: mantém pelo menos 75 repórteres no Oriente Médio e na Ásia Central ? 12 deles no Afeganistão.

    
    
                     

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