Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > TV & INTERNET

Próximos da revolução digital

Por lgarcia em 12/02/2003 na edição 211

TV & INTERNET

Ricardo Chacur (*)

O Brasil pretende entrar no revolucionário mercado da televisão digital. Estamos próximos de uma revolução de qualidade na programação mundial.

A internet foi criada nos Estados Unidos em plena Guerra Fria. Inicialmente com a finalidade de criar um sistema de informações estratégicas e de se tornar um serviço de comunicação para os militares em caso de guerra. Mais tarde, universidades americanas adotaram a internet como rota alternativa para troca de experiências e pesquisas na área de educação. Anos depois, com planejamento e muito investimento, ocorreu uma popularização maior da internet mundialmente.

Hoje, os tempos são outros: a televisão vai se unir ao desenvolvimento da internet e de outros meios de comunicação .

No ano de 2008, mais de 50% da população brasileira terão TV digital . Os teóricos da comunicação calculam que no ano de 2010 100% da população britânica usufruirá da televisão digital. Para concretizar essa meta, grandes empresas de comunicação pretendem oferecer serviço de qualidade.

A internet no Brasil ainda não é tão popular como no Primeiro Mundo. E nossa televisão digital só acontecerá quando forem resolvidas algumas regras de funcionalidade do sistema. Apesar disso, há brasileiros que estão ousando no mercado da comunicação. Um deles é o diretor Alberto Luchetti. Com investimento inicial de 2 milhões de dólares, Luchetti criou a primeira emissora de televisão do mundo feita especialmente para a internet, conhecida como allTV <http://www.alltv.com.br>. Essa emissora permanece no ar 24 horas e ao vivo, num processo inédito de interação com o internauta. A allTV funciona aparentemente como uma televisão convencional, mas foi desenvolvida para atender às características e ao formato da internet.

Novos empregos

O sinal chega pela internet, e não por satélite ou antenas. A linguagem dessa nova emissora lembra o estilo do rádio, em que o improviso predomina. Brasileiros ou estrangeiros que moram no exterior assistem à programação, conversam com os apresentadores, inclusive debatem sobre diversos assuntos relacionados ao país e ao mundo. Todo o público participa e interage com a programação ao vivo, através de um cadastro gratuito feito no sítio da emissora. Este processo acaba contribuindo para uma televisão mais íntima com o espectador.

Essa experiência da allTV serve de exemplo para as emissoras de televisão interessadas em viabilizar um contato maior com o telespectador, E facilita o aprofundamento das pesquisas de mercado com público e anunciantes. As grandes emissoras do Brasil deveriam usar a internet como veículo de integração com os telespectadores. Pelos sítios dos próprios canais de TV seria possível o bate-papo entre telespectadores, apresentadores, diretores, redatores, produtores e outros profissionais, aumentando a interatividade com o público e simplificando o trabalho dos profissionais da área. Os sítios das emissoras são usados apenas para divulgação, enquetes e e-mails. Ainda é pouco.

Existe na internet um potencial muito maior, que deveria ser explorado agora para que os profissionais de TV já criassem uma ponte de experiência para a televisão digital. Na televisão digital tudo será diferente. Todas os anúncios serão "redesenhados", porque haverá pequenos filmes embutidos no logotipo de uma marca. Por exemplo: Carlos Moreno poderá continuar anunciando o Bombril; no entanto, o telespectador terá várias opções: poderá assistir a um curta-metragem com Moreno, divertir-se com erros durante a gravação do comercial, assistir a uma entrevista com o publicitário responsável pela campanha ou a um documentário sobre a fabricação do produto divulgado.

Atualmente, o governo brasileiro estuda os sistemas disponíveis de TV digital, para decidir entre Estados Unidos, Japão e Europa. Quanto mais cedo melhor: estamos próximos da união entre TV, internet, rádio e até cinema. E tudo isso vai gerar uma verdadeira revolução na comunicação, além de novos empregos para os comunicadores do Brasil.

(*) Produtor de TV, roteirista de quadrinhos, co-autor da tira Cabeças Caninas

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